por Roque Oliveira
Em março do ano passado, quando a Assembléia Legislativa realizou audiência pública em Herval para discutir a monocultura de eucaliptos na região. A Votorantim desprezou o convide e a oportunidade de falar e escutar a comunidade a respeito do assunto. Na ocasião nem um hervalense manifestou apoio a plantação de mato na região, muito pelo contrário. Agora, dia 13 de dezembro desse ano, houve por parte da Votorantim, uma tentativa de apresentar um relatório fabricado, de estudo de impactos ambientais com o cultivo de eucaliptos no município de Herval. Talvez por ser mal divulgado, teve pouca participação da comunidade, assim mesmo os poucos que compareceram foram desqualificados pelos representantes da Votorantim, por não concordarem com as inverdades apresentadas no relatório. Aliás, o que foi apresentado pelo relatório, foi contestado pelos presentes, por ser exatamente o contrário do que na prática é constatado no município. Ao final sem argumento para defender o relatório, os técnicos da Votorantim, admitiram que se eles estivessem em nosso lugar estariam fazendo a mesma coisa. Que realmente em Herval ouve uma série de erros e descumprimentos de leis ambientais, mas que daqui para frente, prometiam não errar mais (mula sem cabeça também existe). Admitiram também que realmente pode diminuir as águas subterrâneas, que o eucalipto é indicado tecnicamente para essa região por ser uma planta que emite raízes profundas, assim buscam umidade onde outras culturas não conseguem buscar. Porém, segundo eles a população de Herval não precisa se preocupar, que os estragos que o eucalipto vai causar (como secar cacimbas, sangas, mananciais, alem de erosão, esgotamento de solo e desequilíbrio ecológico), isso tudo será reversível. Que após três ciclos de plantio, ou seja, 21 anos, é só jogar um pouco de veneno para matar os tocos e o resto, a natureza se encarrega de fazer. As águas que secaram voltarão. Os animais e as plantas que desaparecerem reaparecerão, etc. etc. Ao mínimo é o que diz o relatório e que até pode ser verdade, pois ninguém duvida do que a natureza é capaz de fazer. Resta saber quanto tempo e quanto ela cobrará para restabelecer a ordem das coisas. Quem dos que habitam Herval hoje estará vivo para ver essa recuperação acontecer? Com certeza nem um! Para onde irão esses mega-exploradores, quando não houver mais água e nem terras férteis por aqui? Qual região será a próxima vitima? Ou será que um dia teremos " leis que governem homens e não homens que governem leis"? Quantos hervalenses foram desempregados nesses campos hoje, amanhã e por muito tempo cobertos de mato, não se sabe ao certo. O que se sabe é que mesmo a prática de pecuária extensiva emprega mais gente que a monocultura de arvores exóticas. Muito embora também tenha sido dito que a Votorantim só não emprega mais gente de Herval, porque os hervalenses não gostam de trabalhar. Ora, aí está um grande preconceito e uma grande falta de respeito à cultura local. Se nós reportarmos a quinhentos anos atrás, quando os donos de sesmarias não conseguiram fazerem dos Índios, escravos, lhes rotularam de vagabundos, que não gostavam de trabalhar. Hoje somos ainda descendentes daqueles Índios. E se não trabalharmos exatamente como querem os capitalistas, somos tratados como vagabundos. Muito embora nos sobre vontade e disposição para trabalharmos nas lides de campo ou em outras lides que culturalmente gostamos e sabemos fazer. A título de informação: um hectare de eucalipto retira do solo a cada dia mais de duzentos mil litros de água. Uma fabrica de celulose consome e polui mais água que toda a população uruguaia ou mais que toda a população da região metropolitana de Porto Alegre. Sobre o "caravanaço" rural uma coisa importante me chamou a atenção e talvez tenha passado despercebido tanto para aqueles que só elogiam como para aqueles que só criticam. Na minha visão não importa se foi feito tudo aquilo que diz a atual administração ou se foi feito apenas o que diz a oposição, o que importa é que foi feito, se muito ou pouco está lá, é uma realidade. A grande prova que nos fica é que dá para fazer, basta os administradores arregaçarem as mangas e irem à luta. É pena que aqui em Herval isso aconteça apenas uma vez por ano. Imaginem se ao invés de uma semana a cada ano nos tivéssemos ações assim o ano todo como acontece por exemplo em São Lourenço, como foi relatado no Cerro Chato pelo próprio prefeito daquele município. Quem sabe um dia aqui em Herval a população tenha o atendimento que merece durante o ano todo e não apenas uma semana por ano, ainda assim nas comunidades privilegiadas. Que esse ano os sinos de Natal toque mais o coração do que o bolso das pessoas e que 2008 seja um ano de mudanças "para melhor".