TV MARAVILHA
animação TV MARAVILHA ficheiro de 220 KB
ESTAS IMAGENS...
... que apareceram nos televisores do Grande Porto num tranquilo domingo dia 12 de Fevereiro de 1984 entre as 11:10 e as 11:45 h. provocaram o p�nico no seio da classe pol�tica, a curiosidade dos jornalistas e alguma esperan�a nos profissionais ligados � produ��o audiovisual.
A "brincadeira" teve como objectivo despoletar a discuss�o p�blica sobre a liberaliza��o da televis�o. O nosso pa�s dispunha na altura de apenas dois canais estatais com um tempo muito reduzido de emiss�o. O desejo de alargar os horizontes j� se fazia sentir, da� a prolifera��o de retransmissores dos canais da televis�o de Espanha. A situa��o destes retransmissores era ilegal � luz da lei criando dificuldades aos Servi�os Radioel�ctricos, (hoje I.C.P.), que tinham por miss�o a "impopular obriga��o" de os silenciar. Alguns desses retransmissores tinham o suporte financeiro das Autarquias o que chegou a criar alguns conflitos, recordo-me por exemplo da Junta de Freguesia de Paranhos que investira algumas centenas de contos no retransmissor do "Marqu�s".
equipa TV Maravilha

O autor da referida emiss�o "pirata" Jos� Carlos Teixeira usou sucata recuperada e um microcomputador para realizar a proeza. Contou tamb�m com a preciosa ajuda de Jorge Lopes na altura professor na Cooperativa de Ensino Art�stico �rvore onde ambos davam aulas no Curso de Cinema e V�deo.
emissão de tv
Uma antena, um emissor, um microcomputador e um gravador de video port�til foi o equipamento usado.
Os dois primeiros foram reconstruidos a partir de velhos equipamentos, o computador era um Timex 2048 e o video um JVC HR2200E VHS.
Partimos em direc��o � Senhora da Hora e estacionamos a cerca de 400 metros do edif�cio onde estava instalado o repetidor, o Centro Comercial Londres.

equipamento

O repetidor funcionava assim:
Um conjunto de quatro antenas direccionais em "tandem" apontadas para o Monte de Santa Tecla na Galiza junto � fronteira portuguesa captavam a emiss�o da TV espanhola. O sinal era amplificado e enviado para um conversor de frequ�ncia / modulador que trabalhava numa banda diferente para impedir realimenta��o e interfer�ncias. Em seguida o sinal era enviado para um amplificador linear para aumentar a pot�ncia e da� seguia para uma ou v�rias antenas orientadas para as zonas mais densamente povoadas.

Como fizemos a emiss�o "pirata"?
A emiss�o na altura chamada de "pirata" consistiu em ajustar a frequencia do emissor de video para a mesma frequencia em que trabalhava o emissor espanhol. O emissor espanhol emitia com uma pot�ncia de v�rios Kilowatts enquanto o nosso pequeno emissor s� produzia alguns Miliwatts. A nossa �nica vantagem era a pr�ximidade do receptor instalado na torre do Centro Comercial Londres e a boa estabilidade de frequencia do emissor que conseguiu sobrepor o seu sinal ao sinal vindo de Espanha... Simples !
A TVE pouco antes tinha iniciado uma transmiss�o directa de uma prova h�pica da qual os telespectadores ficaram privados... Apesar de tudo ter sido planeado em segredo as fugas de informa��o sempre acontecem e passei a ter imensos jornalistas a rondar a minha casa assim como elementos dos servi�os Radioel�ctricos que tiveram o cuidade de n�o "chatear".


VER ECO DAS EMISS�ES NA IMPRENSA
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