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                         O mito

De maneira sutil, enviesada, porém sistematicamente, processualmente incutiu-se nas pessoas que o domínio do conhecimento não é para todos. Somente aos “bens nascidos” é possível o acesso ao conhecimento.
Esse processo de destruição do humano no humano é levado a sério pelos meios de comunicação, pelos programas, ditos, humorísticos e por toda a programação televisiva. Isso ocorre ininterruptamente. Existe exceção, no entanto é raro.
Esse processo tem como fim último o fortalecimento nas pessoas a idéia de que elas são toscas, idiotas e incapazes. São impotentes para ter uma vida cultural, intelectual, humana e digna.
Cerca-se o conhecimento de nuvens cinzentas para que as pessoas considerem impossível seu domínio. A ideologia negocial-mercantil mantém as mãos grudadas na garganta das pessoas não as deixando respirar. Ela só permite que as pessoas sejam somente, e tão somente, consumidoras.
A ideologia negocial-mercantil faz questão de bloquear quaisquer possibilidades de elevação cultural, intelectual e humano. Para ela, o povo deve permanecer para sempre na senzala e de lá sair, de quando em vez, para tão somente comprar algo.
O conhecimento foi mascarado de tal maneira que as pessoas sentem certo horror de chegar perto dele. Elas internalizaram preconceitos contra si. Mal sabem elas que para dominá-lo basta olhá-lo nos olhos. Basta tão somente dedicação, disciplina, coragem e boa vontade em dialogar com outras pessoas. Saber ouvir. Ler. Ver. Simples. É fundamental empurrar a preguiça para longe. E é claro, um desejo de se libertar da senzala que vive dentro dos corações.
O mito de que só alguns podem dominar o conhecimento faz parte da política dos plantonistas do poder, que só podem se perpetuar nele, incutindo nas pessoas de que elas são incapazes e burras.
O conhecimento é possível a todos tranqüilamente. Para tanto, basta que as pessoas se relacionem com a vida e com a própria existência de maneira aberta e sem preconceito e que tenha decididamente o espírito livre.
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