![]() |
![]() |
| TODA ESCOLA |
| Estranhando
Quarta-feira, 17 horas. Outubro. Eu andava por São Paulo, fui até a cidade para resolver questões pessoais. Confesso as vocês que agora me lêem, que fiquei atordoado, chego a pensar que quando vocês acabarem de ler, acharam isso algo totalmente absurdo e completamente fora de propósito. É verdade concordo. É difícil de aceitar. Concordo. Entrei na farmácia e a mulher que veio em minha direção, disse: - Aqui, é uma farmácia. - Eu quero comprar melhoral infantil. - Melhoral infantil? - Sim! Ela arregalou os olhos, os dois, quando eu falei. Para ela, aquilo que eu solicitei pareceu-lhe ser algo do outro mundo. Confesso que eu não entendi. Continuei caminhando o meu caminho, não tinha pressa nenhuma. Em seguida, lembrei me que precisava entrar no banco. Andei um pouco mais e havia um logo à frente. Entrei nele e uma recepcionista correu em minha direção dizendo que eu poderia fazer aplicações nisso, naquilo; poderia fazer assim, assado; tinha essa aqui, aquela ali, e outra... - Moça, eu só quero pagar uma conta de luz. Mas ela não desistiu, continuou com as suas insistências. Repetia de maneira rápida e frenética. Consegui me desvencilhar dela e corri para a fila que estava enorme e esperei quarenta minutos. É chato ficar na fila porque considero um desrespeito grande. A propaganda vende uma idéia de eficiência bancaria, porém quando nos encontramos lá dentro tudo ocorre ao contrário daquilo que aparece na telinha. A fila anda devagar e não há caixa suficiente para atender aos clientes. As pessoas vão se aborrecendo porque aquele movimento lento faz com as pessoas se impacientem. Essa confusão que vamos presenciando deixaria Kafka e Poe envergonhados. Realmente, os acontecimentos cotidianos provam para nós o descaso monumental que as instituições têm em ralação as pessoas. Saí dali, desci a Avenida e parei na Praça da República. 17 horas. Naquele momento uma pessoa discursava em alto brado retumbante. Mandava chumbo no governo. Que não faz nada há muito tempo, além das sacanagens conhecidas por todos. Ele dizia que o país passa por momentos lamentáveis. Falava apressado e gesticulava. Chegou a pular em cima do caminhão tamanha era a agitação dele. Conclamava as pessoas a pararem de trabalhar imediatamente. O salário está uma miséria. Ele defendia aumento urgente. Ao final do discurso – impressionante -, ele enfiou o pescoço na corda e se atirou de lá de cima e ficou pendurado e tremendo. Olhei para mim e disse: - Pedro, você viu aquilo? Saímos dali – |