| Entrevista com o Capital - N�o me incomodo com a democracia, desde que ela n�o interfira na minha reprodu��o e no meu ac�mulo. Se ela n�o colocar impedimento na minha exist�ncia, ela poder� funcionar. - Capital! - Sim! - Aqui! - Diga. - E os empregos na ind�stria, o que ser�o deles? - As pessoas trabalhar�o nas �reas de servi�os: Vendedor de chicletes na esquina, Balan�ador de bandeira tamb�m na esquina, Placa m�vel, Entregador de Pizza, Entregador de papeis nos sem�foros, Carrinheiro e outras atividades atuais do sistema moderno. Assim, o capital se manifestou, democraticamente, na �ltima vez que ele resolveu vir a p�blico e conceder uma entrevista. Ele foi bastante, claro, sem d�vida. Naquele dia, eu estava conversando com Poe e vi seu aparecimento pela tv, estava bem vestido. Falava pausadamente, os jornalistas perguntavam. S� faltou o Jabor. Ele nunca se manifesta, mas manda seus oficiais falarem. Eles geralmente n�o s�o claros, s�o euf�micos, sempre escamoteiam, rebolam verbalmente e s�. - Kafka, a situa��o complica-se, ele fecha o cerco. Ali�s, diga-se, j� era de se esperar. Nesta nova rodada de crescimento tecnol�gico, ele precisa de reprodu��o e de ac�mulo. Para que isso aconte�a, ele n�o quer ser incomodado. Ai daquele que atravessar o seu caminho. Os oficias j� sabem a ordem. Ele desempregar�. - Poe, sinto cheiro de fascismo por perto. Ele vai quebrar as regras �democr�ticas�. Capital e democracia nunca se deram bem. N�o convivem juntos. Ele faz concess�o, mas mant�m o controle total. Desta maneira, caminha a humanidade. Ele se manifestou. As institui��es est�o a�. - Interessante Kafka, � que ele est� usando-as. Ele n�o para de engordar, seria bom ele perder alguns quilos. Todas as medidas, por enquanto, s�o dentro da lei, at� quando n�o se sabe, ou melhor, at� quando for poss�vel. Se n�o der: baixa a madeira neles. - Bom, mau, Poe, enquanto isso n�o vem, seus oficiais de patentes gra�das d�o as cartas. Aparecem, permitidamente, pela tv, louvando a liberdade, as institui��es democr�ticas, gritando olas pela democracia. N�s convers�vamos tudo isso e nos sent�amos totalmente sem saber o que fazer. O capital tinha deixado claro que o que vale � o ac�mulo, o que interessa � ajuntar mais e mais dinheiro, n�o interessa com quais meios, desde que ele consiga se reproduzir e acumular. |
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