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Senhoras e senhores: Severino foi contaminado
                                                                 
Pedro Luiz da Silva
Estava com fortes dores de cabeça. Ela doía-lhe forte todos os dias, e ele sem saber. As dores eram tão forte que chagava a deitar no chão de tanta dor. Rolava. Gritava. Não, não podia mais. Meu Deus, não agüento. É o cão. E gemia. Estou em Brasília. Ai que dor. Assim ele ficava.
Contou que tinha devaneio, via imagens esquisitas, morcego mordendo um cavalo voando, chegou a ver um elefante equilibrando-se na tromba. Terrível. Doía.
As dores quando lhe vinham, era a imagem daquela correnteza que arrasta os barracos em São Paulo em enchente e a televisão aproveita para colocar o povo chorando e gritando em alto brado retumbante. Quando doía, doía. Leitor: segundo ele, doía mesmo. Não era uma depressão existencial, era dor terrível dentro da cabeça dele.
Severino trabalhava num laboratório de análises clínicas do município. Passava o dia analisando. Freqüentava também o laboratório da Universidade. Para lá, levava amostras para que analisassem. Essas amostras eram utilizadas pelos alunos. Ele era técnico laboratorial.
Ele, Severino, depois tantas dores de cabeça, uma vez caiu no laboratório. Pegaram-no e levaram-no ao hospital municipal. Chegando lá, ficou 2 horas e meia na fila esperando para ser atendido, as dores só aumentavam, não paravam. As pessoas de branco passavam pra lá e pra cá; pra cá e pra lá. E as dores mordiam-no freneticamente. E pessoas esperando. Até que...
Ufa, chegou a vez de Severino, a cabeça insistia insistentemente em doer. Será que estou aqui.
Os médicos observaram Severino durante quatro horas e não conseguiam entender o drama do rapaz, não agüento, será a seca, o que ele disse, a única coisa a fazer. Deram-lhe remédios para diminuir as dores. Decidiram mandá-lo para o hospital universitário. No hospital, teria maior assistência e poderia ser visto pelos alunos que tomariam conta dele. Lá com a aparelhagem moderna teriam mais sorte. Não podiam mantê-lo naquele sofrimento.
No hospital, assim que chegou, já o esperavam, foi levado correndo para a sala de operações porque o caso exigia, saltos e pulos para aliviar a dor do Severino.
Com um aparelho avançadíssimo passaram a observar o movimento dentro da cabeça de Severino. Tudo lá dentro tinha caminhos diferentes: algo ia para cá, outro para lá e assim tudo se mexia. Todo aquele emaranhado na cabeça parecendo fios enroscados uns nos outros. De repente, Nestor, viu perto, de fora do cérebro um pontinho minúsculo mexendo-se rapidamente, achou estranho e chamou as pessoas para ver. Aquilo era novo, estranho para ele. O tal pontinho era um bichinho disseram. Não parava de mexer, todos curiosos arregalaram os dois olhos. Aproximavam mais o aparelho do ponto e tentavam aumentar, porém não foi possível. Insistiam.
Todos estavam de boca aberta, que será aquilo. Foi espanto de todos. Severino gemia, pum. Médicos curiosos agora só faltavam trepar no Severino para melhor ver. Todos queriam ver de perto e exageravam. Todos queriam entender. Todos queriam matar a própria curiosidade. Conseguiram diminuir a dor de Severino, conseguiram também uma melhor visão do “ponto” em movimento, o pontinho parecia que dançava. Ampliaram o seu tamanho na tela. Pronto. Cassete. Todos quase caíram duros, era um rato. Ele roia o cérebro do Severino. O rapaz mexia-se de dor. Eles olhavam e observavam a imagem e por aquilo que viram o rato roia, roia o cérebro do Severino. Tinha fome o danado. Os especialistas trabalhavam com equipamentos moderníssimos, tudo era a última geração técnica e tecnológica. Robôs, nanorobôs. Analisando a imagem que captaram concluíram que o bicho, meu deus, era um nanorato. Eles se perguntavam, como surgiu um nanorato na cabeça do Severino? Como? Ninguém estava em condições de responder. Pensaram, pensaram e decidiram enviar para o cérebro dele um nanorobô que pudesse ir lá e pegar o ratinho e retirá-lo sem causar danos à saúde do rapaz. Injetaram o aparelhinho pela via sanguínea e acompanharam seu percurso até o local, sempre fiscalizando os movimentos pelo computador. Fizeram. Injetaram. Ligaram o robozinhozinho e ele foi-se. Era uma imagem maravilhosa e ao mesmo tempo espantosa. O aparelhozinho chegou ao local, próximo, e a um comando, daqui, a maquininha armou-se, foi para mais perto do ratinho e pegou-o. Depois foi dado novo comando e ele “guardou-se” e saiu na veia da testa. Com o rato na mão.
Severino ficou no hospital alguns dias sob observação medica para que eles tivessem a certeza definitiva de que ele estava bem. Perguntaram a ele sobre o ocorrido, porém não soube informar como o rato entrou. A única coisa que disse, com firmeza, que manipulava nano partículas.
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