TODA ESCOLA
Caminhar para fora
                             
O mundo anda tão confuso que a única certeza que temos é que “não se sabe quando se deve começar a gritar...” (Bertrand Russell)  
É importante que agora, já, podemos formatar o mundo e a sociedade diferentemente e definir nossas necessidades a partir de um entendimento coletivo, social e novo, fora da institucionalidade vigente.
Está claro que dentro das instituições existentes não há rigorosamente mais nada a fazer, nós não andaremos um milímetro sequer para frente, é urgente dizer às pessoas que chegou a hora de pensar novo de forma criativa, fora da lógica privada, fora da razão mercantil burguesa. É fundamental abandonar a racionalidade mercantil a abraçar com ousadia os estudos e aprofundar nossa visão cultural e intelectual da vida. É inconcebível que continuemos a pensar em aumentar o patrimônio sabendo que a miséria alastra-se por toda à parte e o ser humano cada vez mais perde a própria humanidade, tendo reações totalmente insensíveis diante da desgraça de todos. O que mais fica visível é a enorme alienação de todos. Existe uma rebolação verbal adjetivada com  postura de seriedade, entretanto isso não passa de uma máscara que camufla uma caveira horrosa, decrépita, que na verdade, no íntimo, pulsa interesse privado, escondendo uma sede vampiresca. Grita a necessidade de definir socialmente novos rumos considerando os anseios, os desejos e os interesses da coletividade sem intransigências ou imposições.
A institucionalidade atual funciona dentro das conveniências do capital, encravada no movimento mercantil. Tudo pulsa a racionalidade mercantil. Faz-se algo porque se obterá um retorno mercantil, dinheiro. Assim, o mundo anda tão invertido que o crime acaba encontrando racional justificativa em virtude da desumanidade dor ser. É negócio construir presídio, para quem? Então constrói-se presídios. As empresas de segurança florescem-se. Isso é um grande negócio? Que racionalidade é essa que move a sociedade?
É fundamental o envolvimento das pessoas sem maqueação e falação. Agora, devemos atuar não para favorecer minha turma, mas sim, para contribuir para o avanço de todas as pessoas culturalmente. O objetivo não é usá-las para obter algo amanhã, o objetivo é desenvolver nossa capacidade de respostas a partir dos interessados. Os discursos servem mais para enganar e melhor esconder os interesses verdadeiramente privados. Tudo vira enrolação. Busca-se confundir as cabeças com gritos de rebeldia, na verdade vigora um grande eufemismo por todos os lados.
A especialidade do mundo mercantil, os altos salários distorcem o funcionamento da sociedade. O eleito está lá para representar o povo, “o povo da casa dele”. Não tem nenhum compromisso com aquilo que gritou na campanha. Os “representantes” do povo passaram a ganhar tanto que ficaram enroscados na lógica do funcionamento mercantil. E de lá, mascaram o mundo e os próprios interesses.
A razão mercantil faz com que os “representantes” continuem participando da lógica do poder, ganhando seus altos salários e defendendo, com sinceridade, seus próprios salários. “Fora disso tudo é ilusão e mentira”. (Machado de Assis)
Dentro da racionalidade mercantil, para se manter no poder é preciso cumprir algumas determinações, uma delas é fazer arranjos. Um encosta aqui, depois ali, amanhã lá e depois... Não importa qual seja o capeta de plantão, o necessário – segundo a razão mercantil – é acender quantas velas forem necessárias. O sistema mercantil decididamente não remunera bem mais ninguém. Estando perto do “altar institucional”, sim.
Assim caminha, ou melhor, não caminha. Essa sociedade está condenada. Ela apodrece todos os dias um pouco. A alienação está em todas as esquinas. Doideira. As pessoas verbalizam aquilo que elas não são, aquilo que elas vivem: não percebem e não aceitam. A percepção alojou-se no hospício, escondeu-se na mais mais mais profunda ESCURIDÃO. Diante disso, Edgar Allan Poe, Fiodor Dostoievski e Franz Kafka rolariam de tanto rir o ano todo, porque decididamente, as pessoas perderam a noção da própria existência. É primordial pensar diferente, diferentemente. Fora da racionalidade contemporânea. Dentro da racionalidade mercantil já não é mais possível pensar, não é mais possível vislumbrar um novo mundo, muito menos felicidades. Com ela já se pensou tudo, já se articulou tudo. Ficar dentro dos aparelhos corresponde à legitimação do mundo mercantil burguês.
Acompanhamos todos os dias a imposição de saídas individuais, os ideólogos insistem para que corramos e resolvamos nossos problemas individualmente. Isso é repetido freqüentemente porque o sistema não pode mais oferecer mais nada e seus ideólogos insistem que a solução é de cada um. O sistema não tem mais argumentos, então passa o tempo mascarando tudo. A única saída que podem vislumbrar é esse empurra empurra.
A vida perde tanto o sentido que a ideologia – a publicidade seu braço funcional – é obrigada a idiotizar as pessoas cada vez mais, principalmente as crianças, transformando-as em “baixinhos”. Tudo isso para manter o controle e a coerção. O processo é tão cruel que a impressão que passa é que estamos todos dentro de um enorme hospício.
A lógica do salve-se quem puder encontra-se em todas as esquinas. As pessoas já não têm o que fazer, pensar em futuro virou coisa de lunático.
Portanto, a necessidade grita com todos os pulmões para que pensemos de maneira ousada e nova. As discussões deverão envolver todas as pessoas de uma maneira honesta, sincera e as decisões também. Construir coletivamente, atendendo os anseios de todas as pessoas, ou seja, uma nova visão de mundo fora do raciocínio privado, fora da institucionalidade e da racionalidade mercantis. Fora do invólucro mercadoria.
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