TODA ESCOLA
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                           Alívio

Sabe, eu estava andando, ia à padaria, queria comprar um sonho. Tinha uma vontade louca de mordê-lo. Fazia tempo que eu não degustava desse prazer adocicado.
Durante todo o tempo que me dirigia à padaria, podia sentir o cheiro doce e refrescante na minha língua.
Quando cheguei à padaria havia várias pessoas aguardando para serem atendidas.
No balcão do lado de dentro, estava parada, lavando os copos, me viu e deu bom dia, Jeroma, esse é seu nome. Estava alegre passando a bucha nos copos.
Eu parei na fila, esperei a minha vez. Todos compravam pão. Uns pediam dez, outros quinze e mais outros cinco. A fila se mexia e eu apreensivo, de olho no sonho que ainda não era meu, era de seu Vinicius.         
Pedi. Paguei. Saí à rua. Desembrulhei-o, taquei uma dentada como se fosse a última dentada que alguém daria na vida. Mastiguei-o com a fúria de quem não comia há oito dias, porém mastiguei len-ta-men-te, bem len-ta-men-te. Engoli-o prazerosamente, gente, foi um alivio, fui ficando assim, assim alegre, satisfeito e leve e leve e leve e leve.
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