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| TODA ESCOLA |
| Todos os programas passam pela decisão, pelo crivo dele. Se não estiver de acordo com aquilo que ele acredita, não vai ao ar. Só passa aquilo que contribua para a sua reprodução e o seu acúmulo. Com a palavra não é diferente. A palavra não pode representar a mesquinhez humana. Ela não pode estar colada a um pedacinho do todo, ela deve evitar em ser fatia, se ela faz isso, ela embrutece as pessoas tornado-as estúpidas. A palavra precisa ser aberta espelhando a totalidade da existência humana, através dela, nós conseguimos penetrar nas contradições existentes na sociedade. Os jesuítas elaboravam textos em que a palavra aparece fechada. A palavra é manipulada e mascarada, diga-se, bem antes dos jesuítas introduzí-la nas terras indígenas. Isto já vinha desde o início da “civilização”. Isso prossegue até os dias de hoje. |
| Palavra fechada Santa Inês Cordeirinha linda, como folga o povo porque vossa vinda lhe dá lume novo! Cordeireinha santa, de jesu querida vossa santa vinda o diabo espanta. Por isso vos canta, com prazer, o povo, porque vossa cabeça vem com luz tão pura. Vossa formosura honra é do povo, porque vossa vinda lhe dá lume novo. |
| Palavra aberta O Albatroz Charles Baudelaire Às vezes, por prazer, os homens da equipagem Pegam um albatroz, imensa ave dos mares, Que acompanha, indolente parceiro de viagem, O navio a singrar por glaucos patamares. Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés, O monarca do azul, canhestro e envergonhado, Deixa pender, qual par de remos junto aos pés, As asas em que fulge um branco imaculado. Antes tão belo, como é feio na desgraça Esse viajante agora flácido e acanhado! Um, com o cachimbo, lhe enche o bico de fumaça, Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado! O Poeta se compara ao príncipe da altura Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar; Exilado no chão, em meio à turba obscura, As asas de gigante impedem-no de andar. |
| A palavra pode ter um forte conteúdo ideológico ou artístico. Ela pode ser fechada ou aberta. Ela tanto pode camuflar como esclarecer. Os livros de auto-ajuda escondem, camuflam a contradição. Eles enrolam, usam uma linguagem rebolante para melhor esconder. Durante toda a existência humana, a palavra passa por metamorfoses. Atualmente, ela se metamorfoseou em mercadoria, sua utilização anda agarrada a demanda. |