Quem n�o sonhou em ser um jogador de futebol!!?
                                                                                                                        Robson Belchior

A emo��o de fazer um gol, de ver a galera gritando seu nome e poder gritar � Campe�o! Isso n�o tem pre�o. Essa � a magia do futebol que movimenta e da sentido a vida sofrida de milh�es de pessoas pelo pa�s. N�o falo aqui dos grandes times patrocinados por empresas multinacionais que movimenta milh�es e milh�es por ano, gostaria de lembrar de um futebol que resiste a anos sem perder o charme e o encantamento. Falo com todos as letras daquele que deu origem a toda essa mania nacional, o irresist�vel Futebol de V�rzea.
Aqui em Suzano � assim, aos finais de semana os campos de V�rzea ficam sempre lotados. Esse � o esporte enquanto lazer, enquanto divertimento. Essa pode ser uma vis�o rom�ntica, mas que ainda � o sonho de muitas pessoas do nosso pa�s.

A beleza que � ver a bola rolando nos est�dios, realmente � lindo. Quantas vezes voc� sentiu vontade expulsar um juiz mal intencionado de campo durante o desenrolar da partida. Pois �, essa cena � comum ainda hoje na v�rzea paulistana. Se o juiz n�o esta agradando, os capit�es das duas equipes se re�nem e comunicam que ele esta fora do jogo e colocam outro no lugar. Isso quando um jogador mais afoito n�o arranca logo o apito dele e... na v�rzea � assim.

Mas, antes de tudo a v�rzea � coisa s�ria, � muito mais do que alguns amigos brincando de jogar bola. Em muitos lugares do Brasil, como aqui em Suzano, existem ligas de futebol e campeonatos organizados com divis�es e categorias de base, sendo assim, todos podem participar.
Para a periferia o campo de futebol faz parte de sua ess�ncia, pois, ele � o principal p�lo aglutinador, lugar de socializa��o, onde n�o se fazem valores, seja rico ou pobre, ladr�o ou trabalhador o mundo � igual para todos � gira entorno de uma bola.

A hist�ria do Futebol Brasil tem seu inicio em 1894, com o estudante paulista Charles Miller. No entanto, era um esporte de brancos, de ricos, praticado em clubes fechados ou em col�gios seletos. Somente tempos mais tarde, come�ou, aos poucos, a ser praticado por jovens amadores que come�aram a sair dos col�gios para os novos clubes que se formavam.

O novo esporte teve uma boa aceita��o e ganhou popularidade, os jogos passaram a ser mais peri�dicos e alguns campeonatos come�aram a surgir, com isso, tamb�m, come�ou a aumentar a rivalidade entre brasileiros e ingleses. Um bom exemplo ocorreu por volta de 1907, em um jogo entre o Clube Paulistano e um time formado basicamente por ingleses. O Paulistano venceu o jogo com certa facilidade: 3 x 1. O �ltimo gol dos brasileiros do Paulistano � descrito por Monteiro Lobato como "sendo o maior hurra que S�o Paulo j� havia escutado". Milhares de chap�us eram acenados, a multid�o se erguia em del�rio, os aplausos podiam ser escutados em qualquer lugar da cidade. Foi uma vit�ria inesquec�vel, afirma Orlando Duarte em seu livro "Futebol: Hist�ria e Regras".

Em 1910, em S�o Paulo, surgiu o primeiro clube fora do circuito restrito: o Sport Clube Corinthians, abrindo caminho para o Vasco. Em 1923, os vasca�nos disputaram um campeonato com um time de mulatos que foram os grandes vencedores. Os brancos, ricos e gr�-finos, tentaram resistir e inventaram uma regra: quando o branco cometia falta violenta contra um jogador negro, o juiz marcava a falta e o jogo continuava. Mas quando um negro cometia falta violenta sobre um branco, o juiz apitava a falta. S� que, antes dela ser cobrada, o branco tinha direito de revidar a viol�ncia. Para livrarem-se das surras dos brancos, os negros, em vez de enfrentarem os advers�rios no peito, passaram a iludi-los e a fint�-los. Da� surgiu o drible, trazendo para o futebol a ginga e o jogo de cintura que o negro da senzala j� empregava na dan�a, na capoeira e nos seus rituais religiosos. � incontest�vel que a "bicicleta", por exemplo, seja semelhante a um passo de capoeira. afirma Orlando Duarte em seu livro "Futebol: Hist�ria e Regras".

Em termos de Sele��o � na Copa da Fran�a, em 1938, que o Brasil, deixou de ser um mero figurante das Copas, terminando o campeonato em terceiro lugar. Os passos dos jogadores surpreendiam e mostravam o futuro promissor deste esporte em nosso pa�s. Ao cair em solo brasileiro, � semente do futebol encontrou terreno f�rtil.

Quem � que vem da periferia e n�o tr�s na mem�ria os terrenos baldios, as ruas de terra onde com os amigos faziam o famoso rach�o. N�o podemos esquecer que foi ali que muitos craques deram seus primeiros chutes, que alguns deles inclusive chegaram a atuar em grandes clubes profissionalmente.

No entanto, podemos notar atualmente, que aos poucos os campos v�o desaparecendo, isso seria parte de um processo de desaparecimento da v�rzea? N�o podemos ter uma vis�o nost�lgica ou saudosista, � claro que todo praticante desse esporte gostaria de utilizar-se de campos demarcados, dentro dos padr�es oficiais, tratados com grama natural, etc. mas o problema maior � que isso torna o esporte fora das condi��es financeiras da maioria da popula��o.

A apropria��o capitalista que vem exterminando os campos para investimentos no mercado imobili�rio. O futebol varzeano funcionara enquanto n�o for produto de investimentos capitalistas orientados pelo lucro. Pois na periferia, somente o terreno livre de especula��o imobili�ria capitalista permite ao povo a pr�tica do futebol.
Podemos observar que nas grandes cidades, o crescimento e expans�o delas fazem com que a especula��o imobili�ria transforme terrenos, at� ent�o sem valor em ofertas capitalistas, eliminando o aceso dos pobres em nome do progresso.
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