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| Dia das M�es para o Capital Fernando Leit�o Rocha Junior Simbolicamente, no segundo Domingo do m�s de Maio � comemorado o dia das M�es. Entretanto, neste ano, n�o ser� nada frut�fero para os comerciantes. Pesquisas realizadas pela associa��o comercial dos lojistas de S�o Paulo revelam que o valor m�dio gasto oscila na casa dos R$ 34,00, isso significa, que ser� magro este dia das m�es. Com esse valor � pouco prov�vel comprar qualquer coisa em um com�rcio dos grandes Magazines. No entanto, � melhor dar uma lembrancinha, ser humilde, n�o �? Afinal, at� o nosso Presidente � de origem humilde, ou seja, comeu p�o com mortadela e tomou tuba�na no melhor estilo J�nio Quadros. Para grande parte da classe trabalhadora o escape acaba sendo as mercadorias de 2� ordem, aquelas compradas em qualquer esquina na barraca de um camel�. R�dios rel�gios na cor pink pela bagatela de R$ 15, 00 e se chorar eles d�o um desconto. Cds piratas, 4 por R$ 10, 00 ; isso mesmo ! Um Cd que custa R$ 29, 90 em uma loja de um shopping sai por R$ 2,50. Roupas falsificadas de grifes famosas, perfumes falsificados, enfim, com R$ 34,00 d� para comprar muita mercadoria!. Assim, boa parte da chamada classe trabalhadora e prolet�ria simbolicamente comemora o dia das m�es cujo coroamento se d� atrav�s de macarronada com frango e big Coke. Para o todo poderoso Capital � uma del�cia, � a forma que ele encontra para �incluir� os trabalhadores no sistema. Nos sabemos que os meandros da circula��o de mercadorias � um espa�o muito nebuloso, tamb�m que para o Capital pouco importa se a produ��o � concebida numa f�brica juridicamente estabelecida ou numa f�brica clandestina movida por trabalho escravo ou infantil, a produ��o concreta de mercadorias se materializa da mesma forma e se realiza na esfera da circula��o. Assim, os in�meros camel�s espalhados pela ruas da cidade de S�o Paulo e em outras cidades dos grandes centros urbanos contribuem diretamente para este processo. O exemplo dado por Lucien Goldmann sobre o sapato que custa cinco mil francos � perfeito par ilustrar o processo de reifica��o que impera crescentemente na atualidade. Evidentemente, o trabalhador/ proletaridado se configura como um consumidor de 2� classe, ou seja, � inclu�do precariamente no mundo das mercadorias. Se chamarmos essa estratifica��o do consumo de inclus�o prec�ria, de fato, nada altera a rela��o sociometab�lica de controle t�o bem explicitada por M�sz�ros. O que de fato importa � explicitar que o dom�nio imposto pela l�gica do sistema, obriga ao consumo. No entanto, para consumir � necess�rio possuir o equivalente geral, se possuir pouco dinheiro quase sempre � reproduzido o seguinte discurso: Se der..., no ano que vem , eu dou uma coisa melhor! A palavra � essa, COISA, o processo de reifica��o � t�o intenso que leva involuntariamente a um momento de lucidez a dizer o que efetivamente �. � de uma apar�ncia subversiva, transgressora e at� menos alienante, aquela na qual, os conformistas se contentam com o consumo de �mercadorias clonadas� e � falsificadas�, a verdadeira frui��o n�o est� em possuir um CD original ou livro. O simples fato de se possuir a xerox de um livro ou o CD falsificado, do ponto de vista do consumo, potencialmente n�o altera em nada a possibilidade de apropriar da m�sica ou do conhecimento. Estas s�o algumas determina��es da realidade efetiva presentes no dia-a-dia, no cotidiano alienado de segmentos da classe trabalhadora e proletariada, cuja categoriza��o como consumidor de segunda ordem, portanto consumidor n�o altera e sim pelo contr�rio, legitima e possibilita o desenvolvimento do Capital. Atrav�s do gesto humanamente louv�vel dos seres sociais, se esconde esta rela��o social, a mercantiliza��o da vida. Assim, o dia das m�es, que na acep��o de um revolucion�rio deveria ser todos os dias, passa a ter simbolicamente uma data. Data essa, explorada comercialmente com a mais intensa for�a comercial cuja sedu��o afeta boa parte da classe prolet�ria que vibra intensamente e diz: Viva o dia das M�es! |
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