|
É com prazer que a Toca do Sax publica uma entrevista exclusiva
que David Sanborn gentilmente me concedeu:
---------------------------------------
1- Eu tive o prazer
de ouvir o seu novo CD “Closer”, e ele é excelente! Você
poderia nos falar um pouco sobre este novo trabalho e sobre os músicos
que o acompanharam?
Este CD é uma espécie de continuação do CD passado.
São os mesmos músicos nestas gravações que gravaram
no CD anterior, e eu os usei porquê havia passado bastante
tempo trabalhando com eles.
Eu achei que seria uma boa idéia continuar com as mesmas
pessoas.
2- As pessoas
dividem os estilos de música em escolas ou em subdivisões, e
eles criam nomes para elas. Estão lhe classificando como um dos
fundadores do estilo chamado "smooth
jazz". O que você pensa sobre isso?
Eu realmente nunca
gostei deste nome. A
implicação deste termo, pelo menos nos EUA, nem sempre é tão
positiva, e eu realmente não estou certo do que este termo
exatamente significa.
3- Como o saxofone
entrou na sua vida?
Eu comecei tocando aos
11 anos de idade, depois de ouvir David Newman e Hank Crawford
tocando na banda de Ray Charles.
Eu amei aquela música de Ray Charles porquê era uma
combinação de jazz, gospel e R&B.
4- Qual foi ou
foram os músicos que o influenciaram?
Além dos caras do Ray Charles, Phil Woods, Gene
Ammonds, Red Prysock, Louis Jordan, Cannonball Adderley e Jackie
McLean.
5-
Muitos saxofonistas compram boquilhas Dukoff na esperança de
possuir um som igual ao de David Sanborn. Eu ouvi você dizer, na entrevista disponível em sua página,
que sua boquilha foi modificada. Ela
foi limada para retirar material interno? Que tipo de alteração
foi feita?
O
lado de dentro e a ponta da boquilha foram alterados
ligeiramente, mas é difícil descrever como isso foi feito.
6-
Qual tipo de palheta você costuma usar regularmente? Você
possui algum tipo de tratamento especial com elas?
Eu uso Van Doren
B16, #2,5. Eu sempre embebo minhas palhetas em água durante
2 horas e sempre depois disto mantenho as pontas molhadas, em
seus protetores, em uma jarra lacrada, então elas estão
prontas para tocar.
7-
Qual é sua opinião sobre palhetas sintéticas como a
Fibracell?
Eu
pessoalmente não
uso estas palhetas, mas conheço muitos músicos que usam e
gostam delas. Quando eu as uso, eu sempre corto meu lábio e
elas parecem danificar a boquilha.
8-
Existe uma febre internacional pelo Selmer Mark VI. Cada
saxofonista iniciante deseja ter um, devido a sua fama de melhor
sax do mundo. Qual a sua opinião sobre isto? Realmente merece
toda esta fama ou é apenas mais uma moda?
Saxofones, como muitas outras coisas na vida, é
uma questão de gosto. Eu
pessoalmente gosto dos Selmers por causa do calor e da projeção
que eles possuem. Mas
eu conheço muitos saxofonistas que usam Keilwerth ou King, ou
outras marcas e estão muito contentes com elas.
É uma questão de gosto pessoal.
9-
O Sr. Já tocou no Brasil. Conhece algum músico brasileiro e/ou
nossa música?
Eu
conheço muitos músicos brasileiros. Airto, Leo Gandelman,
Tefe, e Paolo Braga. E eu sou fã da música brasileira como a
de Gilberto, Jobim e muitos outros por anos.
10- Qual a sua opinião sobre a influência da indústria fonográfica
sobre o mercado musical? E como encontrar seu próprio caminho sem ser influenciado por estas
regras?
Minha opinião é que o
melhor pra mim é continuar a fazer a música que eu gosto
e não me preocupar com as conseqüências profissionais desta
decisão. Eu acho que o melhor é você fazer a música em que
você acredita e esperar que o máximo de pessoas goste. Aí,
fazer o que for preciso pra que sua música seja ouvida pelo
maior número de pessoas possível.
11- Que tipo de recomendação
você daria quem está se iniciando no saxofone?
Tente achar um bom
instrumento e um bom professor. Seja paciente, tente aprender
piano porquê isto irá ajudar sua habilidade musical como um
todo e tente desenvolver o hábito de escrever suas próprias
músicas.
  
|