EPILEPSIA e T.O.

AÇÕES PREVENTIVAS EM EPILEPSIA

 Tão importante quanto tratar a epilepsia, é tentar reduzir a incidência desta, diminuir o dano às pessoas que sofrem deste problema assim como reabilitar pessoas incapacitadas por ela. Neste tópico veremos as ações preventivas primárias, que têm como objetivo diminuir a incidência da epilepsia.

 ACONSELHAMENTO GENÉTICO
O valor do aconselhamento genético está não somente na avaliação dos riscos específicos aos descendentes, mas também em tranqüilizar as pessoas de maior probabilidade de não ter filhos com epilepsia, diminuindo, então, o estigma e a discriminação das pessoas com epilepsia.

 CUIDADOS PRÉ-NATAIS
Cuidados pré-natais adequados, através do controle e diminuição dos problemas da gravidez, tais como abortos, hemorragias, eclâmpsia e toxemia, podem ajudar a diminuir o risco de epilepsia. A imunização da mulher grávida também pode ter o mesmo resultado. Além disso, um cuidadoso pré-natal que prognostique um parto difícil, permitirá que as devidas precauções sejam tomadas. Essas medidas de precaução irão evitar que ocorram complicações na hora do parto, como a asfixia neonatal e a hipóxia que são causas importantes da epilepsia. A melhora da qualidade de assistência ao parto vai também reduzir uma variedade de outras complicações obstétricas que podem contribuir para posteriores crises epilépticas.

 IMUNIZAÇÃO
A imunização de doenças popreveníveis, como a difteria, coqueluche, tétano, sarampo e tuberculose através de vacinas, tem força não só de reduzir o dano cerebral direto causado por estas doenças, mas também de reduzir episódios febris relacionados com a infecção, que trazem o risco de convulsões febris.

 CONTROLE DE DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS
Doenças tais como a cisticercose, malária, esquistossomose e meningite, são consideradas como importantes fatores causais e de aumento da freqüência da epilepsia. A maioria delas são passíveis de prevenção e deve-se dirigir esforços visando sua erradicação.

 CONTROLE DA FEBRE EM CRIANÇAS
Através da redução da temperatura corporal da criança febril com antipiréticos, banho ou compressas frias, pode-se reduzir as convulsões febris.

 TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO
O controle adequado da hipertensão arterial pode resultar em um decréscimo de acidentes vasculares cerebrais, assim como de suas conseqüências, incluindo a epilepsia.
 

    PRIMEIROS SOCORROS

 EM CONVULSÕES GENERALIZADAS
Durante o ataque, o paciente pode cair, enrijecer-se e ter movimentos espasmódicos. Dada a dificuldade de respirar, pode apresentar um aspecto pálido ou cianosado. O cuidado imediato deve visar manter o paciente confortável enquanto o ataque segue seu curso. Conduta:

    Após o ataque, mantenha a pessoa em decúbito lateral para permitir a saída de saliva da boca. Não ofereça alimento ou bebida ao paciente até que este esteja totalmente consciente.
    Caso ocorra um ataque após o outro (estado epiléptico), pode haver necessidade de terapêutica intravenosa. Se isso não for possível, a administração intramuscular ou retal de medicamento pode controlar as crises.

 EM ESTADO EPILÉTICO OU ESTADO DE MAL
O tratamento do estado epiléptico deve ser realizado em quatro etapas:
1. Primeiros socorros
2. Interrupção dos ataques com um medicamento de ação rápida, como por exemplo, diazepam, amobarbital (Amital) ou paraldeído.
3. Dentro de 15 minutos, iniciar o tratamento com outros medicamentos: fenitoína ou fenobarbital.
4. Tratamento de manutenção.

 EM ATAQUES PSICOMOTORES
Durante o ataque, o paciente pode apresentar olhos vidrados, não responder quando interrogado ou dar resposta incoerente, sentar-se, levantar-se, caminhar sem direção, estalar os lábios e fazer movimentos de mastigação, brincar com roupas e dar a impressão de estar embriagado, sob o efeito de drogas, ou mesmo psicótico. Nestes casos:

    Após o ataque, a pessoa pode mostrar-se confusa ou desorientada, e não deve ser deixada a sós enquanto não estiver completamente     alerta.
    Quando o paciente está totalmente desperto, geralmente é aconselhável dar uma dose extra da sua medicação. Muitas vezes, o ataque resulta do paciente ter esquecido de tomá-la.
 
 

    TRATAMENTOS ALTERNATIVOS

 ESTIMULAÇÃO DO NERVO VAGO
    Em estudo publicado no Neurology (1998;51:48-55) de 21 de julho de 1998 pesquisadores do West Los Angeles VA Medical Center na Califórnia (EUA) demonstraram que a estimulação do nervo vago pode ser usada como um adjuvante efetivo e seguro ao tratamento farmacológico em pacientes com epilepsia parcial (focal) refratária. Neste estudo, 254 pacientes com epilepsia parcial refratária ao tratamento farmacológico foram submetidos a implante cirúrgico de um estimulador do nervo vago conectado a um gerador, também implantado cirurgicamente. Os pacientes foram então, divididos randomicamente para receber ou uma dose alta de estimulação (terapêutica) ou uma dose baixa (controle). Após um período de acompanhamento de 3 meses os pesquisadores observaram que os pacientes recebendo doses altas de estimulação obtiveram redução de 28% no número de crises epilépticas contra 15% no grupo recebendo doses baixas.
    Outra observação importante foi a diminuição das epilepsias parciais envolvendo diminuição da consciência. Além disso, os pacientes que receberam altas doses de estimulação apresentaram melhora importante na avaliação global. Os pesquisadores relatam ainda, que os pacientes que receberam altas doses de estimulação apresentaram sintomas relacionados a inervação vagal da laringe (alteração da voz, parestesia, dispnéia, tosse e desconforto). No entanto, referem que estes sintomas puderam ser reduzidos através de ajuste da corrente de estimulação. Os autores concluem afirmando que o tratamento é bem tolerado pelos pacientes (99% dos pacientes completou o estudo) e por isso acreditam que este estudo coloca a estimulação eletrofisiológica como uma nova opção terapêutica no tratamento das epilepsias parciais refratária.

 BIOFEEDBACK
    Biofeedback é o processo de moderar, limitar ou mudar certas funções fisiológicas antes tidas como involuntárias, como batimentos cardíacos, pressão sangüínea, ondas cerebrais, etc. Pode-se dar a uma pessoa um intenso treinamento de biofeedback e técnicas de modificação comportamental, com as quais ela poderia controlar certas funções fisiológicas relacionadas às crises. O biofeedback também pode ser encarado como um método para a redução do estresse. Isto por si só pode reduzir a freqüência das crises em algumas pessoas cujas crises estão relacionadas ao estresse. São necessários estudos mais detalhados para averiguar o valor do biofeedback no tratamento da Epilepsia. Os tratamentos alternativos podem melhorar o controle sobre as crises em algumas pessoas, mas não devem ser realizados sem o conhecimento do médico que prescreve os anticonvulsivos. Não se deve em hipótese alguma interromper repentinamente o uso dos anticonvulsivos o que poderá precipitar crises prolongadas e com risco de vida. UTILIZAÇÃO DE PLANTAS
    Cidade do México, 8 de setembro (Notimex Brasil) – Considerada na antigüidade como sinônimo de loucura ou possessão demoníaca, a epilepsia é investigada arduamente nos dias de hoje por cientistas mexicanos, que buscam melhores tratamentos por meio de medicamentos e extratos de plantas. Para Luísa Rocha Arrieta, que trabalha no Centro de Investigação e Estudos Avançados (Cinvestav) do Instituto Politécnico Nacional (IPN) do México, a solução para combater a epilepsia poderia estar em algumas plantas como a graviola, utilizada há tempos como calmante e anticonvulsivo.
    A cientista, com outros investigadores do Instituto Mexicano de Psiquiatria (IMP), analisam várias plantas, estudam a atuação delas em ratos, gatos e em partes do cérebro humano extraídas em cirurgias de pacientes com a doença. Ela disse que, no momento, há a hipótese de que a epilepsia se origina da morte de inibidores no cérebro e do predomínio de excitadores. Também pode ser desenvolvida por tumores, golpes na cabeça ou alterações do sistema nervoso. Para a médica, os medicamentos existentes no mercado são paliativos e apenas controlam os sintomas, sem erradicar a doença, além de serem muito caros. Por isso, outro objetivo do IPN é encontrar tratamentos efetivos e baratos para que toda a população tenha acesso. Por enquanto, segundo Luísa, o melhor método para combater a doença é detectá-la a tempo, pois em etapas prematuras os pacientes podem ser submetidos a tratamentos mais simples e levar uma vida quase normal.

HISTÓRIA DO MARCAPASSO CEREBRAL
    Na década de 70 foi desenvolvido, nos Estados Unidos, pela equipe do neurocirurgião Dr. Irving Spencer Cooper, um aparelho neuro-estimulador para o tratamento da epilepsia. Diversos artigos científicos foram publicados naquela época especialmente sobre o papel da "poderosa atividade inibitória do córtex cerebelar" no relaxamento da rigidez decerebrada. Outro autor, Moruzzi, no seu livro Problems in Cerebellar Physiology (Springfiled, Charles C. Thomas, 1950) relacionou o estado de contração muscular com a freqüência do estímulo aplicado ao cerebelo: "a estimulação do lobo anterior (paleocerebelo) pode produzir uma diminuição ou um aumento da rigidez decerebrada a partir do mesmo ponto, dependendo da freqüência deste estímulo". É interessante citar a importância do papel desempenhado pelo Dr. Cooper: "Ressaltamos o interesse no uso clínico da estimulação cerebelar. Seus bons resultados em estudos humanos tem sido desafio a investigadores para reexaminar modelos em animais. Nos últimos 2 anos, ele implantou mais de 50 estimuladores cerebelares. Cooper está atualmente fazendo estudos sobre a implantação de estimuladores no cerebelo para epilepsia, espasticidade (devida a paralisia cerebral ou derrame cerebral), e mioclonia generalizada intencional não controlada por terapias convencionais." Trabalhando com uma equipe de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da USP-SP, adaptamos o invento do Dr. Cooper para uso externo: o marcapasso cerebral idealizado por nós não necessitava de cirurgia para implantar os eletrodos no córtex cerebelar. A corrente elétrica é aplicada na pele do paciente, na região retro-auricular (atrás da orelha) e frontal (testa). O estímulo elétrico é sentido como uma pequena vibração (sensação de formigamento), não causa dor, sendo empregado durante 45 minutos.
Usado no tratamento da Epilepsia, o Marcapasso Cerebral Externo dispensa o uso de qualquer medicamento, sendo que após a extinção das crises epilépticas não foi observada recidivas (mesmo sem o paciente usar o aparelho).
    A divulgação do Marcapasso Cerebral foi feita então em diversos meios de comunicação aqui no Brasil e no exterior.

ESPECIFICANDO O TRATAMENTO
 Quais doenças o Marcapasso Cerebral trata?
    O Marcapasso Cerebral é usado no tratamento da epilepsia, durante 6 meses (até 1 ano). Na epilepsia, a melhora é observada independente do uso de medicamentos. As crises epilépticas diminuem com o tempo, sendo que após a cura não há mais necessidade do uso de medicamentos nem tampouco das aplicações. É também usado na rigidez muscular (Paralisia Cerebral, doença de Parkinson, traumatismos).

 Como funciona o Marcapasso Cerebral Externo?
    O Marcapasso Cerebral Externo é um dispositivo eletrônico, portátil, usado por meio de eletrodos que ficam em contato com a pele, na cabeça do paciente. Não é preciso nenhum tipo de intervenção cirúrgica para implantar o aparelho dentro da cabeça do paciente .
Opera com uma bateria de 9 volts e possui ajuste de pilha (pode ser reajustado para uso mesmo quando a carga da pilha diminuir). Possui um miliamperímetro para medir a corrente que está sendo aplicada no paciente. A duração das aplicações é de 45 minutos, não havendo qualquer contra-indicação para seu uso.

 Sua aplicação é de fácil acesso?
    Por ser portátil e de fácil manuseio, o aparelho pode ser utilizado pelo paciente em casa, não sendo preciso se deslocar até o consultório caso resida em outra cidade.

 O tratamento com o Marcapasso Cerebral é seguro?
    Sim. A estimulação elétrica crônica do cerebelo, bem como de outras estruturas neuronais do SNC, é 100% segura devido ao tipo da onda usada pelo Marcapasso Cerebral. Não existe nenhum caso descrito na literatura que contra-indique seu uso.

 O Marcapasso Cerebral pode ser usado em crianças?
    Sim. O aparelho usado pelo paciente infantil pode ser adaptado, prendendo-se os eletrodos na cabeça por meio de fita adesiva. No caso do paciente pediátrico, é recomendado o uso precoce do aparelho, para não prejudicar o desenvolvimento neuro-psico-motor.

     Não há até o presente momento uma comprovação de que a dieta traga eficácia ao tratamento, entretanto são as condições nas epilepsias ligadas ao metabolismo, as quais, em geral, respondem bem a uma dieta epiléptica, orientada contra os distúrbios metabólicos em causa.
Para algumas crianças sujeitas a ataques não tratáveis que não respondem aos anticonvulsionantes constatou-se o valor de uma dieta rica em gordura.
    Uma dieta rica em lipídios e óleos, más pobre em proteínas e carboidratos é chamada dieta ketogênica. A grande ingestão de lipídios e óleos cria uma condição no corpo conhecida como “ ketosis” . A mudança metabólica que é criada aumenta o limiar convulsivo tornando o indivíduo mais resistente à crises. Esta dieta também é calórica e retentora de água e eficaz principalmente em crianças. Requer uma preparação cuidadosa e muita dedicação.
    Apesar de implicar uma dedicação elevada para que haja sucesso, muitas crianças com casos graves e sem um foco de origem localizada tiveram maior controle das crises com essa dieta do que com terapias tradicionais ( a base de medicamentos). Algumas conseguem reduzir ou até eliminar os medicamentos contra as crises, porém é imperativo o acompanhamento médico quando se utiliza essa dieta como terapia.
    Conclui-se que bons hábitos nutricionais e uma vida saudável podem auxiliar na manutenção de um ótimo controle sobre as crises. Uma mudança drástica no peso pode significar que houve um desbalanceamento metabólico ou químico e, portanto, deve-se consultar um médico. Além disso, uma dieta balanceada previne as deficiências nutricionais que alguns convulsivos podem causar.
 

 ASSISTÊNCIA HOSPITALAR E INSTITUCIONALIZAÇÃO

 Quando nada se conhecia ou se podia fazer com os epilépticos, acreditava-se ser a institucionalização o possível tratamento nos seguintes casos:

    Estas instituições deveriam dispor de oficinas, pessoal adequado e tratamento médico e pedagógico para atender as necessidades dos pacientes.
    Não sendo essa a realidade desses locais observamos que além do não atendimento das necessidades específicas, veta-se ao indivíduos as relações sociais e familiares.
    A mais, as estatísticas mostram que apenas 10% dos epilépticos necessitam tratamento permanente, sendo esse possível de ser atendido em assistência hospitalar com equipes multidisciplinares; assim, não restringirá-se ainda mais as relações sociais dos indivíduos.
 
 

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