AACD lança cadeira motorizada mais barata

Kit permite transformar cadeiras de rodas comuns em motorizadas. Outra novidade é palmilha que melhora o andar de deficientes

Duas invenções de um laboratório brasileiro prometem melhorar a vida dos deficientes físicos. A primeira é um kit que transforma cadeiras de rodas comuns em motorizadas. A outra, uma palmilha que corrige o andar de vítimas de derrame. A palmilha e o kit consumiram três anos de pesquisa e são as duas primeiras invenções do laboratório de bioengenharia da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), criado em 1996. O centro foi criado com o apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDTC), do Ministério da Ciência e Tecnologia. Elas foram apresentadas ontem no congresso comemorativo dos 50 anos da AACD, no Centro de Convenções Rebouças. As cadeiras motorizadas são indicadas para deficientes que perderam o movimento dos braços. A novidade da AACD é um kit que pode ser acoplado a qualquer cadeira de rodas, transformando-a numa cadeira motorizada, comandada pelos movimentos de uma alavanca. O kit, conhecido como Domiciliar, custa R$ 700, enquanto o preço de uma cadeira motorizada gira em torno de R$ 4 mil. "Ainda que o deficiente compre uma nova cadeira comum, seu custo total será de R$ 1.400", explica o engenheiro Milton Oshiro, autor da novidade. A Domiciliar fez a alegria de Fernanda Machado Viana, de 10 anos. Vítima de mal formação congênita, Fernanda sempre precisou da família: não consegue mover as pernas, e suas mãos não podem nem segurar um lápis. "Não preciso mais que meus amigos empurrem minha cadeira na escola", diz. Já à venda O kit deve chegar ao mercado em dois meses, mas já pode ser adquirida junto à AACD. Já a palmilha elétrica, a Dorsi-flex, faz o pé se movimentar através de impulsos elétricos. A invenção, que pesa apenas 35 gramas e custa R$ 410, é indicada para pessoas que arrastam o pé ao andar em conseqüência de problemas neurológicos causados por derrames ou lesão medular. O estudante Aldo Carlos Sousa Oliveira, de 19 anos, sentiu-se aliviado ao usar a nova palmilha no lugar das tradicionais "goteiras", talas de 700 gramas usadas para imobilizar o pé defeituoso, evitando que atrapalhe a marcha. "A `goteira' incomoda e esquenta muito", diz Oliveira.

Fausto Salvadori Filho

Jornal da Tarde São Paulo, 08/12/2000

Fonte Rede SACI

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