Memorial de
Tatiana Nascimento
A minha primeira professora se chamava Umbelina, ela era
uma senhora de quase 80 anos e mesmo tendo sido criada, ensinada e formada por um m�todo
conservador e muito tradicional tinha uma vis�o muito al�m do seu tempo. Tinha um jeito
de nos fazer entender que at� hoje, estudando a nossa Pedagogia e comparando com a velha, me
pergunto como foi poss�vel algu�m ter sido t�o evolu�da e especial num per�odo um
tanto quanto antiquado.
Da segunda professora n�o me lembro bem, tenho apenas
alguns flashes na cabe�a de momentos que n�o
foram muito agrad�veis. Minha m�e foi uma pessoa muito severa e talvez por isso me
lembro desta professora que implicava com seus alunos e n�o tinha o menor jeito para
falar com os alunos, me lembro bem quando ela brigava com os alunos e at� dava uns
bilisc�es, era sua filha e isso nos deixava bastante constrangidos e com medo...enfim foi
um segundo ano prim�rio ruim mas que j� passou.
No terceiro ano as coisas
come�aram a melhorar, fiz muitos amigos e tinha uma professora muito legal que me fazia
rir. O �nico problema foi quando comecei a fazer algumas artes e minha m�e
come�ou a ser chamada na escola...levei muita surra de vara de goiabeira. Eu lembrei
disso agora e comecei a rir, n�o sei nem porque, pois apanhava muito...
Na quinta s�rie mudei de
escola e ai tudo desabou, novos amigos, nova vizinhan�a, novos professores, tudo era t�o
diferente.
Quando meu corpo come�ou a
mudar fiquei decepcionada, me achava gorda, desajeitada e feia, me lembro que haviam
muitas mo�as bonitas e me retra�a por isso.
J� na sexta s�rie tive que
come�ar a trabalhar pois perdi meu pai, e
minha m�e n�o tinha condi��es de manter eu e meus irm�os numa escola t�o boa quanto
aquela. Sem contar as aulas de ingl�s que minha m�e insistia que eu fizesse, ent�o
comecei a trabalhar muito cedo para ajudar nesses problemas.
Foi um per�odo muito duro
para mim, pois entrar na adolec�ncia com a responsabilidade de pagar meus estudos e
abdicar de coisas t�o importantes para a adolec�ncia quanto caminhar, namorar, dan�ar,
sair, etc n�o foi f�cil.
O golpe mais duro foi quanto
aos dezesseis anos minha m�e tamb�m se foi...como chorei pois percebi naquele instante
que estava sozinha no mundo.
Irm�os? Estes nem contam
pois quando papai se foi nem quizeram saber de mim ou de minha m�e, caminhamos juntas
at� quando deu.
Na �poca que perdi minha
m�e percebi que sua severidade nada mais eram do que prote��o e sua rigidez
demonstravam nas entrelinhas que o amor era maior do que qualquer palavra fria. Percebi
que a honestidade e responsabilidade que herdei foram repassadas com muito suor e
sacrificio e hoje percebo o quanto minha m�e foi e � importante na minha vida di�ria.
Hoje trabalho em uma
multinacional, j� fiu reconhecida v�rias vezes pelo meu esfor�o e dedica��o.
Estou terminando a faculdade
e com a gra�a de Deus chegarei a p�s - gradua��o que minha m�e tanto sonhou!
Ah o ingl�s; aquele que
minha m�e me obrigava e que depois virou paix�o? Pois � foi por causa da dedica��o
aos estudos que consegui um emprego bom que me proporciona coisas t�o boas quanto a
faculdade de Pedagogia.