| NINGUÉM ME VENHA DAR VIDA Ninguém me venha dar vida, que estou morrendo de amor, que estou feliz de morrer, que não tenho mal nem dor, que estou de sonho ferida, que não me quero curar, que estou deixando de ser e não me quero encontrar, que estou dentro de um navio que sei que vai naufragar, já não falo e ainda sorrio, porque está perto de mim o dono verde do mar que busquei desde o começo, e estava apenas no fim. Coração, por que chorais? Preparei meu arremesso para as algas e corais. Fim ditoso, hora feliz: guardai meu amor sem preço, que só quis a quem não quis. (Cecília Meireles) |
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| MENININHO DOENTE Na minha rua há um menininho doente. Enquanto os outros partem para a escola, Junto à janela, sonhadoramente, Ele ouve o sapateiro bater sola. Ouve também o carpinteiro, em frente, que uma canção napolitana engrola. E pouco a pouco, gradativamente, o sofrimento que ele tem se envola... Mas nesta rua há um operário triste: Não canta nada na manhã sonora E o menino nem sonha que ele existe. Ele trabalha silenciosamente... E está compondo este soneto agora, pra alminha boa do menino doente... (Mário Quintana) |
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