Lágrimas rolam da face de teus filhos
O choro aflito da fome e do frio
Pés descalços, corpo magrinho
Realidade do dia-a-dia.
Latas
de óleo que se transformam
em morada
O orgulho da casa pronta
A tristeza na destruição.
A
chuva forte
A tempestade que arrasa
As latas que, frágeis,
sucumbem ao chão.
O
peso da cruel condição
A alma dilacerada
O corpo a arrefecer.
E
tu, homem
De repente te reergues
E voltas a sonhar,
A acreditar em dias melhores.
Teu
semblante resplandece de esperança
As crianças brincam
Na inocência da infância.
Teu
espírito está repleto de
garra e coragem
És um novo homem,
pronto para a luta da vida.
E se a perversidade do mundo
insiste em nocautear tuas forças
Encontras no sorriso de teus filhos
a luz que penetra em tuas entranhas
e te reveste com a armadura do amor.
Ao
longo do caminho
a armadura pode perder o viço,
a fé titubear
Mas o amor jamais acaba.
E
tu homem
Analfabeto
Desnudo
Desdentado
Exemplo de fé,
amor e esperança
Ajuda-me
a perceber a mão
que me levanta quando eu, já
desisti de mim
Homem
de muita fé, a ti
o céu pertence.
Érika
Domingues Marques
Jornalista Professora, e Poetisa