Exibidos pela primeira vez na televisão brasileira em 1988, dentro do programa Clube da Criança (que era comandado pela hoje global Angélica), da extinta Rede Manchete, Jaspion e Changeman se transformaram em verdadeiros fenômenos. O responsável pela vinda dos programas ao Brasil foi o empresário Toshihiko Egashira, fundador da Everest Vídeo (que depois mudou o nome para Tikara Filmes). Ele já trabalhava com filmes antes de licenciar séries para a TV. Era dono de uma locadora, a Golden Fox, que tinha em seu acervo fitas com programas que eram gravados diretamente da televisão japonesa - um serviço voltado para a colônia nipônica existente no bairro Liberdade, em São Paulo.
Os dois seriados pertencem ao gênero Tokusatsu (efeitos especiais), termo utilizado para categorizar séries do Japão. Existem vários sub-gêneros. Jaspion, por exemplo, pertence ao Metal Hero, que apresenta personagens com armaduras metálicas, enquanto Changeman é integrante do Super Sentai, constituído por equipes de super-heróis, geralmente com cinco membros, que se vestem com colantes coloridos. A primeira parada dos justiceiros em solo nacional foi nas vídeo locadoras. As fitas sumiam rapidamente das prateleiras, e as produções abriram o mercado brasileiro para a chegada de outras séries da mesma linhagem.
Mais tarde, no comércio...
A febre de Jaspion e Changeman lotou o comércio com produtos inspirados nos heróis. No mercado editorial, a primeira investida foi da extinta Editora Brasil-América (EBAL). As bancas do Brasil foram invadidas por diversos gibis que reproduziam os episódios da TV e revistas com atividades recreativas.
Logo vieram as
figurinhas da Bloch Editores (que também preparou uma fotonovela do herói
de metal). O álbum, denominado Jaspion/Changeman era dividido, metade
para figurinhas de Jaspion, e a outra para Changeman. Porém, uma parte
era impressa ao contrário da outra. Era preciso virar o livro de ponta
cabeça para colar os cromos.
Em todo o Brasil, o Circo Show fazia apresentações. O espetáculo
onde atores encarnavam os personagens da televisão também foi
impresso em figurinhas pela editora Santa Cromy, no livro ilustrado O Fantástico
Show do Jaspion.
Houve ainda outros três álbuns: Hiper-man e os defensores da galáxia, da editora Agage, que apresentava os heróis com nomes trocados para não pagar direito autoral; Jaspion, (publicação pirata) que premiava os colecionadores que encontravam figurinhas premiadas nos envelopes e incluía na coleção, cromos de Changeman e outros personagens que não tinham qualquer ligação com estes, como He-Man e Thundercats; e um último, Jaspion / Changeman / Flashman, da Fábula Editorial.
Nos camelôs e padarias do país, o chiclete Bubblets, que vinha com figurinhas da turma (e também tinha álbum) era a sensação. E para completar a coleção de produtos - fantasias, máscaras, bonecos, armas de brinquedo, discos com as trilhas sonoras em português e até apontadores de lápis que reproduziam o capacete dos heróis. O Trem da Alegria, principal grupo infantil da época, aproveitou a onda e gravou música inspirada nos guerreiros da TV. Já na década de 90, Jaspion ganhou gibi pela editora Abril. Com o cancelamento da publicação, passou a bater ponto com os Changeman e outros personagens na revista Heróis da TV. Também teve os quadrinhos dos Change Kids, versão infantil do esquadrão colorido.