ISLAMISMO

Ramadã: no epicentro da guerra

Ramadã, o mês sagrado para o Islã, começa em novembro. A celebração saiu da esfera religiosa e entrou nas reuniões de cúpula de grandes potências do planeta. Os Estados Unidos vão ou não fazer uma trégua? Os terroristas vão respeitar Ramadã?

Quando se aproxima a lua nova entre os meses de novembro e dezembro, os muçulmanos do mundo todo começam a olhar ansiosamente para o céu. É que de acordo com os preceitos islâmicos, os meses só iniciam quando o crescente da lua nova, chamado hilal, pode ser visto a olho nu. E, pelo menos uma vez por ano, isso vira tarefa sagrada, porque esse hilal marca o início exato de Ramadã, o mês que os muçulmanos consagram a Deus.

Um mês de jejum.
Durante todo o Ramadã, fumar, comer e manter relações sexuais durante o dia estão proibidos. O jejum é quebrado ao pôr-do-sol, com orações e uma refeição, conhecida como iftar. Depois de iftar, é costume visitar a família e os amigos. Em muitos lugares, a noite vira uma verdadeira festa. O jejum recomeça ao alvorecer, assim que a luz do dia for suficiente para se "distinguir um fio branco de um negro". É nessa linguagem cheia de poesia que estão registradas as leis no Alcorão, o livro sagrado do islamismo, ditado pelo arcanjo Gabriel (o mesmo que anunciou o nascimento de Jesus Cristo para a Virgem Maria) para Mohamad, o profeta iletrado, que todo mundo no Brasil chama de Maomé, devido a uma tradução equivocada.

O jejum de Ramadã "é um curso intensivo de adoração, que dura um mês", ensina o xeque Ali Abdouni, um líder religioso ligado a World Assembly of Muslim Youth. "A fome deixa a pessoa mais humilde diante de Deus e diante do próximo. É um exercício de disciplina e de solidariedade. No jejum, todos -- ricos ou pobres, árabes e não árabes-- são iguais. A solidariedade é o grande ensinamento de Ramadã."

A palavra Ramadã,
que vem do árabe ar-ramad e significa calor intenso, indica a sensação de calor no estômago como resultado da fome. Assinala, também, o fato de que durante esse tempo os corações e as almas dos homens estão mais receptivos aos ensinamentos e à lembrança de Deus, da mesma forma que a areia e as pedras do deserto são sensíveis ao calor do sol. E por isso, além de jejuar, os muçulmanos passam esses dias orando em casa e nas mesquitas, em profunda sintonia com Alah, o único deus.

O jejum acaba quando a lua nova seguinte for visível no céu ou ao final de trinta dias, caso a neblina ou a chuva impeçam sua observação. Ramadã termina em Eid Al Fitr, uma festa de alegria e ação de graças, na qual os muçulmanos trocam presentes, esquecem as ofensas e celebram juntos a alegria de terem enfrentado mais um Ramadã.


Por Adília Belotti
Fonte: Árvore do Bem

1