TANABATA HIME - PARTE III
Dois dias se passaram
sem que Oni aparecesse na casa do filho. No terceiro dia, enquanto o casal
namorava tranqüilamente pensando que ele havia desistido de procurar alguma
presença humana, o demônio apareceu repentinamente e surpreendeu o casal.
-Ah! eu sabia que havia uma ser humano porr aqui. Meu velho faro é infalível!
O Oní agarrou os braços da princesa que tremia de medo.
-Espere pai – interveio Wakahiko – esta joovem humana é minha esposa, por favor
não a maltrate. Em seguida Wakahiko contou todo ocorrido na terra ao seu pai.
-Mas que história maluca meu filho! Casameento é coisa de seres humanos e não
para nós. Sua viagem ao Mizuho no Kuni (hoje Japão) lhe
afetou a mente, mas não se preocupe, fique descansando que resolvo isso para
você.
Na seqüência o demônio levou a princesa Tanabata para sua casa que era uma
enorme fazenda celeste.
-Nesta
fazenda existem mil cabeças de gado. Quando a noite estiver chegando quero que
recolha todas ao curral. Após amanhecer, leve-as de volta aos campos celestes.
Esse será seu dever enquanto penso o fim que darei a você.
Tanabata ficou aflita, nunca tinha cuidado de gado e de repente mil cabeças
estavam sob sua responsabilidade. Assim que o velho oní foi tirar sua soneca
matutina, a princesa coreu até a casa de Wakahiko para pedir ajuda. Seu marido
então arrancou a manga de seu traje e entregou a ela com a seguinte
recomendação:
- Sempre que estiver em apuro abane esta mmanga dizendo repetidamente: Zenchi On
no Mikoto, Deus da Graça Divina, esta manga é a manga das vestes da Ama no
Wakahiko, o Divino Jovem Celeste.
Retornando a fazenda celeste antes que o demônio despertasse, Tanabata abanou a
manga conforme orientou seu amado e o gado entrou comportadamente no curral.
Quando o Oni chegou ávido para castigar a princesa por não ter cumprido sua
missão, ficou surpreendido em ver que o gado já repousava no curral.
Na manhã seguinte ela novamente abanou a manga da veste de Wakahiko e o gado
seguiu obediente para pastagem.
O Oní não entendeu como ela conseguia fazer tudo direitinho e inconformado
resolveu passar outra missão impossível. Ordenou que Tanabata carregasse todo
arroz armazenado no celeiro leste para o celeiro oeste, com a condição de que
não derramasse sequer, um grão de arroz pelo trajeto. Caso contrário seria
severamente castigada.
A princesa foi até o celeiro leste e abanou a manga recitando as palavras
mágicas: Zenchi On no Mikoto, Deus da Graça Divina, esta manga é a manga das
vestes de Ama no Wakahiko, o Divino Jovem Celeste. De repente milhões de
formigas apareceram e começaram a transportar os grãos de arroz para o armazém
oeste.
A tarde quando o demônio chegou no local ficou surpreendido com a tarefa que
estava perfeitamente cumprida.

- Tenho que admitir apesar de humana você é uma moça trabalhadeira por isso
merece um descanso. Dizendo isso o Oní levou a princesa
para um chalé e trancou a porta pelo lado de fora. Quando Tanabata olhou para o
assoalho ficou petrificada de pavor. O chão estava forrado de mukade (centopéia
venenosa) que começaram a subir em suas pernas.
Mais uma vez a princesa abanou a manga proferindo as palavras mágicas e as
centopéias fugiram apavoradas do chalé. No dia seguinte, ao saber que Tanabata
tivera uma ótima noite de sono, o demônio inconformado trancou a princesa num
quarto cheio de cobras.
Quando retornou o sétimo dia e ao vê-la cheia de vida, o demônio teve que
reconhecer:
- Você não é um ser humano qualquer. Por ssuas qualidades especiais merece ser
esposa do meu filho. Porém só poderá ficar com ele uma vez por mês.
A princesa que não ouviu direito a última palavra do demônio perguntou:
- Só uma vez por ano?
- Sim uma vez por ano, no dia 7 do mês 7. Respondeu o demônio atirando um komo
(esteira de palha) no chão e criou o Amanogawa (Rio Estrelar) ou Via Láctea.
Esse enorme rio celeste separou o casal porque cada um ficou em uma das suas
margens.
Desde então, uma vez por ano, uma enorme quantidade de tsuru (garça grou) em
época de migração, forma uma enorme ponte branca sobre o “Rio Estrelar” (Via
Láctea) e a princesa Tanababa atravessa correndo para encontrar-se com seu
grande amor, o deus Ama no Wakahiko. Por isso até hoje, o dia 7 do mês 7, Dia de
Tanabata é uma espécie de Dia dos Namorados no Japão, ou melhor, dia de tornar
realidade um amor impossível.