TANABATA HIME - PARTE II

  Para amenizar um pouco sua solidão, a princesa Tanabata enviou uma comitiva de criados para trazer suas irmãs a passarem um temporada com ela. Quando as duas chegaram aceitando o convite, a princesa ficou muito contente, pois estava sentindo muitas saudades de seus familiares. As irmãs, que foram recepcionadas com um almoço suntuoso, preparado pelos cozinheiros do palácio, estavam admiradas com tanto luxo lá existente.
                                      - Puxa que surpresa! Pensávamos que você eestivesse casada com uma cobra horrível e nunca com um deus jovem e maravilhoso. E por cima morando num palácio com tanta riqueza e inúmeros criados, disse a irmã mais velha.
                                      - Somos a família mais rica da província, porém nossa casa comparado a este palácio não passa de uma cabana, e nós não passamos de duas pobretonas perto de você, observou a segunda irmã.
                                      - Podem levar de presente o que quiserem, objetos não valem nada comparando com o amor que sinto pelo meu marido, disse Tanabata.
                                      As duas irmãs ficaram tão felizes pela oferta da caçula e saíram pelo palácio recolhendo pedras preciosas, tecidos de fina seda, perfumes, cristais e tudo que viam pela frente. Já estavam sobrecarregadas de presentes, mas não estavam satisfeitas porque também queriam a caixinha enfeitada de pérolas que Tanabata guardava com todo cuidado.
                                     - Essa caixinha não posso dar, é muito impportante, nem sequer posso abri-la.
                                     Com a curiosidade aguçada, uma das irmã tirou a caixinha das mãos de Tanabata e correu com ela em tom de brincadeira. Quando Tanabata conseguiu alcançá-la, ela atirou a caixinha para outra e caíram na risada. Enquanto a princesa corria entre as duas, elas se divertiam vendo o desespero da irmã caçula.
                                    - Por favor, antes de Wakahiko viajar, elee pediu que não abrisse essa caixinha em hipótese alguma.
                                    Sem dar ouvidos a ela, as irmãs continuaram com a brincadeira, até que a caixinha caiu sobre o assoalho de mármore no pátio e se abriu com a pancada. De dentro saiu uma pequena fumaça branca que subiu para o céu diante os olhares atônitos das três.
                                   - Tanto mistério e não tinha nada dentro aa não ser uma fumacinha, disse uma delas, fazendo pouco caso.
                                   Assim as duas foram embora levando um monte de presentes com a ajuda dos servos.
                                   A princesa Otohime caiu em prantos vendo aquela caixinha vazia. Wakahiko avisou que sua volta à Terra tornaria impossível se a caixinha fosse aberta. Passaram-se 14 dias que ele se ausentara mas a divindade não voltou. Ela continuou esperando até o vigésimo primeiro dia e antes que a lua completasse um ciclo, partiu para o lado leste do lago a procura da casa descrita pelo divino marido. Lá chegando, pediu para a mulher que ali residia o objeto chamado itiya hissagoto. Era um objeto relativamente simples em forma circular. Bastou ela subir no objeto que este começou a levitar em direção ao céu. Pouco depois estava num local de incrível claridade. Como tudo era maravilhosamente cintilante e belo, Tanabata concluiu que estava em Takama no Hara (Alta Planície Celeste).
                                   Após sobrevoar nuvens reluzentes a princesa começou a ficar preocupada, pois o céu era tão grande, tão grande, que não tinha começo nem fim. “Jamais conseguirei encontrar meu divino Wakahiko nessa planície infinita”, pensou Tanabata. Nesse momento um deus de barba branca e cabelo grisalho chamado Zenchi no Mikoto surgiu montado num cavalo branco de asas e indicou a localização da residência de Wakahiko através de um jogo de adivinhar:
                                    - O macrocosmo é igual o microcosmo, portaanto o céu não é tão grande como você imagina. Sinto que você ama Wakahiko, portanto ele mora no seu coração.
                                    - Meu coração? Não entendi, pode me expliccar melhor?
                                    - Entenderá, respondeu Zenchi no Mikoto coom simpático sorriso nos olhos, despediu-se dela e desapareceu tão misteriosamente quanto apareceu. Tanabata começou a pensar...”kokoro (coração) também pode se pronunciar shin (centro, origem, mente, essência)...então é isso, ele mora no centro da Alta Planície Celeste, que deve ficar perto do palácio de Amaterassu, a Augusta Deusa Sol”.
                                    Assim concluindo a princesa voou em direção do brilho do sol e quando chegou bem próximo do palácio solar, ouviu uma vez tão conhecida chamando por ela:
                                    - Tanabata! Tanaba! que bom que você veio..
                                    Era o deus Ama no Wakahiko que corria em sua direção para abraça-la.
                                    - Eu estava tão triste por não poder mais voltar a Terra, temia que não tornaria a vê-la.
                                    A princesa Tanabata ficou muito feliz ao encontrar seu marido e os dois foram ao palácio onde ele morava para matar a saudade. Na manhã seguinte Tanabata disse a Wakahiko que não queria nunca mais se separar dele.
                                    "- É exatamente nisso que eu estava pensando e algo me preocupa. Lá na Terra isso não tinha importância, porém aqui no céu, nossa união pode trazer problemas.
                                    - O quê tanto te preocupa, meu amor?
                                    - Meu pai detesta seres humanos, e costumaa maltratá-los, pois ele é um oní (demônio). Não sei se conseguirei esconder você dele por muito tempo. Pois temo que sofra eternamente seus mal tratos.
                                    - Te amo muito e jamais o abandonarei por mais cruel que sejam os maltratos inflingidos pelo seu pai.
                                    Nesse momento o casal ouviu pesados passos. Era o demônio que atraído pelo cheiro de ser humano veio em direção deles. Wakahiko usando seus poderes mágicos transformou Tanabata num travesseiro. O oní entrou no quarto do filho e saiu cheirando tudo.
                                    - Esse travesseiro é estranho, tem cheiro de ser humano.
                                    - O senhor deve estar enganado – disse Wakkahiko. Os dois ficaram discutindo horas a respeito do cheiro dos seres humanos. Até que o velho demônio ficou com sono e resolveu dormir ali mesmo. Enquanto ele puxava o ronco, Wakahiko trocou o travesseiro. Quando despertou de seu sono matinal, cheirou o travesseiro e não sentindo mais o cheiro humano, foi embora.
                                    No dia seguinte o demônio retornou a casa do filho reclamando mais uma vez do cheiro humano. Para esconder a princesa, Wakahiko havia transformado Tanabata em um leque. Após procurar por todo aposento e não encontrar ninguém, o demônio foi embora, porém muito desconfiado.

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