ISSUNBOCHI - PARTE II
De
tanto suplicarem à divindade Zenmyo Nyoshin, um casal de velhinhos finalmente
teve seu pedido atendido: um filho, mesmo que pequenino, que veio a ser o centro
das atenções dos dois idosos. Ao garoto foi dado o nome de Issunboshi. Issun
significa uma unidade de medida japonesa, e também era usada como força de
expressão para definir coisas pequenas, e Hoshi (ouboshi) que significa monge.
Isso com referência aofato de que o garoto nasceu em um altar com o formato de
templo.
Uma
certa época, o garoto resolveu ir até a capital Quioto para estudar. Lá,
conheceu a princesa e conquistou sua amizade. Um belo dia a princesa atravessou
a cidade e foi rezar no templo principal acompanhado de seu séquito e de
Issunboshi. Terminado as orações, enquanto atravessavam o enorme bosque do
templo, apareceram três enormes oni (demônios)¹ que apavo-raram os guardas de
segurança da princesa, fazendo-os fugiram apavorados.
Os oni eram seres temidos no Japão antigo, tidos como demônios de chifre²,
porque os japoneses nunca tinham visto pessoas de outra raça, que não fosse a
amarela. Consta nos antigos escritos que esses demônios viviam em grupos, onde
todos eram do sexo masculino. Eram humanóides, fisicamente avantajados,
gigantescos guerreiros, de cabelos louros encaracolados e de pele vermelha (ou
branca queimada de sol ?). Tinham o péssimo hábito de raptar as japonesas,
principalmente as mais bonitas (filhas de nobres), para fazê-las de escravas.
Usavam como arma o machado, o bastão de ferro e as vezes uma espada grossa e
pesada.
O chefe dos oni, avançou em direção da princesa e tentando agarrá-la enquanto
esta fugia desesperadamente. Issun Boshi avançou com coragem para defender a
princesa das garras do gigante vermelho.
-De onde surgiu esse mosquito?! Dissse o Oni em tom de gozação. Vou
destruí-lo com um sopro.
O pequeno herói saltou para desviar do sopro, pendurou-se no nariz do
brutamonte e cutucou seu olho com a espada agulha. Irado o monstrengo abriu a
bocarra para dar uma dentada e cortar Issun Boshi com seu pontiagudo dente
canino ³. O heroizinho então, desviando dos dentes, pulou para o fundo da
garganta e saiu espetando tudo que via pela frente, até chegar no demoníaco
estômago, onde continuou as espetadas nas paredes do mesmo.
As pontadas eram tão dilacerantes que o velho demônio começou a dançar de dor,
enquanto apertava a barriga com as mãos e soltava urros de pavor. Entre gritos
de agonia Issunboshi foi expelido para fora, ao mesmo tempo em que o gigante
perdeu o equilíbrio e caia barranco a baixo. Os outros oni, vendo o estrago que
Issunboshi fez ao seu chefe, fugiram apavorados.
A princesa caída no chão assistiu todo ocorrido, levantou-se para agradecer seu
herói e percebeu que os oni deixaram cair um martelo mágico.
- Veja! Perderam o martelo mágico do deeus dos oni 4 . Dizendo
isso a princesa ergueu o objeto e flexionou em direção doamigo dizendo:
-Cresça Issunboshi, fique bem alto.
A cidade de Quioto não fazia outra coisa se não comentar a valentia de
Issunboshi. A notícia chegou ao palácio e o imperador quis conhecer o herói que
havia derrotado os oni. Quando o imperador viu Issunboshi, pelo seu modo
distinto e feição afinada, suspeitou que era descendente de uma família nobre.
Diante disso, ordenou que investigasse sua árvore genealógica, enviando
pesquisadores para Naniwa onde residiam os pais de Issun. Pouco tempo depois os
pesquisadores descobriram que o avô do herói, era da família nobre Horikawa, que
ocupou cargo importante no palácio imperial e foi vítima de uma intriga de
invejosos,sendo exilado para a zona rural injustamente.
Com a documentação levantada, o imperador concedeu o título de nobreza para
Issunboshi, e deu um cargo no palácio imperial. Desde então ele passou a usar o
sobrenome de seus antepassados: Horikawa.
Diante dessa nova situação em sua vida, Horikawa Issun comprou uma bela casa,
chamou seus pais de Naniwa para morar com ele em Quioto e pediu a mão da
princesa em casamento ao ministro Sanjo, que concedeu com satisfação. Assim o
casal viveu feliz para sempre.