ISSUNBOCHI - PARTE I
No
tempo em que Naniwa (atual região de Osaka) era um bairro rural, existiu um
casal de idosos cuja ocupação principal era rezar diariamente diante do altar
caseiro. Durante as orações pediam invariavelmente à divindade Zenmyo Nyoshin
que lhes concedesse a graça de ter um filho.
Depois de tantos anos pedindo sem ser atendido, foram aos poucos fazendo
descontos quanto as especificações desse objeto de desejo chamado filho e já nem
falavam em ter uma criança forte, bonita, inteligente e cheia de saúde. Qualquer
que fosse o filho servia. Chegou um dia em que pediram um menino, mesmo que
fosse pequeno, do tamanho de um issun. A divindade Nyoshin, que já não aguentava
o casal pegando diariamente no seu pé, resolveu então atender as súplicas dos
velhinhos.
Depois de tantos anos pedindo sem ser atendido, foram aos poucos fazendo
descontos quanto as especificações desse objeto de desejo chamado filho e já nem
falavam em ter uma criança forte, bonita, inteligente e cheia de saúde. Qualquer
que fosse o filho servia. Chegou um dia em que pediram um menino, mesmo que
fosse pequeno, do tamanho de um issun. A divindade Nyoshin, que já não aguentava
o casal pegando diariamente no seu pé, resolveu então atender as súplicas dos
velhinhos.
Nesse mesmo dia, quando o casal terminou as oraççoes foi surpreendido com o
aparecimento de um minúsculo menino, na tigela de oferendas.
-Veja, Nyoshin-sama atendeu nosso pedido! Disse a velhinha apontando para
o altar.
O velhinho vendo o tamanho da criança observou:
-Puxa que maravilha, mas pensando bem, Nyoshin-sama, não precisava seguir tão
à risca o nosso pedido.
-Isso não importa, disse a esposa. Esse meenino é uma graça divina. É a
realização de nosso sonho de vários anos de espera. Vamos criar para que seja um
grande homem.
Ao garoto foi dado onome de Issunboshi. Issun significa uma unidade de medida
japonesa, e também era usada como força de expressão para definir coisas
pequenas, e Hoshi (ou boshi) que significa monge. Isso com refência ao fato de
que o garoto nasceu em um altar com o formato de tamplo.
Issunboshi começou a andar, falar, e crescer como qualquer criança.O único
problema é que seu crescimento era proporcional ao tamanho em que nasceu,
portanto mesmo com 7 anos de idade, não chegava a os 20 centímetros.
Quando saia para brincar tornava-se motivo de chacota de outras crianças. Por
isso preferia ir ao campo e ficava brincando à sombra das árvores enquanto seus
pais trabalhavam na plantação. Mas o que ele adorava era cultivar bonsai, que
tinha muito a ver com seu tamanho. Esse tipo de vida fez dele um observador da
natureza. Por isso, a qualquer mudança no meio ambiente, Issun logo percebia e
cantava junto com os passarinhos:
|
Haru ga kita
haru ga kita doko ni kita? Yama ni kita hara ni kita no ni mo kita |
A primavera chegou
a primavera chegou em que lugar chegou? Chegou na montanha chegou nos campos e também na colina |
Quando completou 16 anos, vendo que as crianças de sua idade ajudavam os pais na
lavoura e ele não podia fazer o mesmo, devido ao seu tamanho, concluiu que
deveria estudar para poder ajudar a família, dedicando-se ao trabalho de
escriba, já que não podia puxar uma enxada, mas conseguia manusear o pincel. E
assim resolveu partir para Miyako, a capital do Japão (Atual cidade de Quioto).
Seus pais ficaram com os corações partidos, porém concordaramq ue caminho das
artes era a única possibilidade de futuro para Issonboshi. Assim, usando uma
tigela como barco e um hashi (pauzinho de comer) como remo, Issun
embarcou em Yodokawa (rio Yodo) em direção à capital.
Foi uma viagem emocionante. Entre belas paisagens e perigos naturais como as
corredeiras e a possibilidade de chocar-se com uma pedra. Houve até uma carpa
enorme que tentou engolí-lo pensado que fosse um inseto. Só não aconteceu o pior
porque Isso sacou de sua espada (agulha tendo como bainha palha de arroz) e
espetou a boca do peixe.
Dias depois chegou em Quioto. Ao desembarcar (ou seria destigelar?) ficou
surpreso pela quantidade de gente que transitava pelas ruas da cidade. Subiu no
corrimão do renomado Gojô no hashi (Ponte Gojô) e ficou horas apreciando
o movimento. Na verdade, Issun também ficou com medo de descer e andar pelas
ruas com receio de ser pisoteado.
Ao cair da noite, foi procuraruma pousada dirigindo-se para uma bela mansão. Na
entrada gritou chamando as pessoas da casa e o pr´prio dono, que era um
importante ministro da corte imperial, veio atendê-lo.
-Pareceu-me ter ouvido uma voz mas não vejo ninguém... Disse o ministro
Sanjo.
-Com licença senhor. Disse Issun.
Novamente ouvindo a voz, o ministro pensou que vinha do jardim e resolveu calçar
o gueta (tamaco) para ir ver quem era.
-Cuidado senhor, estou aqui no seu gueta. Gritou Issun que quase foi
pisoteado.
-Nossa como você é pequeno! O que desejja? Disso o ministro admirado com o
tamanho do rapaz.
Sou Issunboshi, vim de Naniwa para trabalhar e estudar aqui na capital.
Será que o senhor não tem um trabalho pra mim aqui?
Nesse momento apareceu a filha do ministro, uma bela garota de 13 anos e achou
muito interessante o minúsculo jovem. Então a princesinha foi logo dizendo:
- Dá um emprego pra ele papai.
-Ora filha, o que um minúsculo homemzinho como ele pode fazer? Com esse tamanho
sequer conseguirá pegar na vassoura para varrer o quintal.
Mal o ministro acabou de falar uma enorme abelha veio voando em direção da
princesa e Issunboshi sacando da sua espada-agulha espetou o inseto, salvando a
menina de uma feroz picada.
-Vejo que apesar de pequeno é valente. Seu trabalho será o de proteger minha
filha ajudá-la nos estudos. Assim você poderá também aprender enquanto acompanha
as lições.
Issunboshi sentia-se muito feliz, estudando enquanto ajudava a princesa em
pequenas tarefas, como produzir tinta preta (sumi) esfregando a barra de carvão
na água.
Assim os dois se tornaram amigos inseparáveis.