ON THE ROAD AGAIN!

Tudo começou com o contrato que tem de ser lavrado na presença das duas partes, contratante e contratado, mas fazer mil quilômetros atrás desse papel é caro e desgastante. E o fax? Ha, mas precisa autenticar! Resta o correio. O pergaminho viaja com várias vias pra depois de acostumado com a companhia deixar parte da família e retornar ao remetente que, por sua vez assina o papiro. O problema é quem assina primeiro e envia tudo denovo? A essa altura o cra já comeu um saco de milho antes de provar que não é cavalo!

Sábado quente além do normal. A van saiu de "Cachoeira City" por volta das 13hs e atravessou boa parte do Estado até que se chegasse a Erechim. O asfalto liberava um calor impressionante e a banda cuidava da hidratação com prioridade. Foram várias paradas atrás de vários litros de água mineral.Os dois roadies que acompanham a banda tiveram mais trabalho com a hidráulica do que com a manutenção de palco. E assim nos mantemos hidratados durante todo o trajeto dos longos 503 quilômetros percorridos ao som de Jeff Healey, The Brothers Vaughan, André Christóvan, Satrianni e Vai... ha, e o Samuel que aprendeu a tocar violão!

Um sentimento estradeiro nos assalta quando jogados de cara e coração numa aventura dessas. A viagem de ida foi bonita e sabatina, pois na volta, já na segunda de manhã, não vimos nada, entregues à exaustão do retorno à "Cachoeira City Next To Jacui River".

Aqueles postos e paradas à beira-estrada ficavam no meio do nada apenas cortado pela rodovia. O planalto médio é alto e dono de um horizonte sem fim. Enchí os olhos naquela empreitada sabatina que nos deu Santa Maria, Itaara e a garaganta do diabo com um nome tão feio para um lugar tão bonito, Julho De castilhos, Cruz Alta, Ijuí, Salto, Passo Fundo que de fundo não tem nada e enfim Erechim com o pessoal te chamando de "piá"!

Chegamos ao "Estância Caipira" às 20:00hs escaldados pelo calor da estrada, mas trajando típicamente uma indumentária muito bem adequada: bermudas e chinelos de dedo.

O lugar é cinematográfico: Sapé, pedra caixambú, piscina, vidraçarias com película predial, camarins espelhados, saguães amplos com churrasqueira, dois palcos (externo e interno), salas de bilhar, um labirinto de corredores que intreligam tudo, uma copa um tanto exótica e muita, mas muita luz...muita mesmo!Tudo bem tropical. Reza a lenda que tal paraíso até bem pouco tempo o bordel mais chique do Alto Uruguai onde só fazendeiros adentravam com suas caminhonetas para pagar mil e duzentos por uma noitada. E dizem ainda que a casa trazia só capas da playboy!

Os caras da BLAZER tiveram tratamento de reis e tudo era monitorado por uma equipe bem vestida de seguranças chefiada pelo simpático Beto, que mais parecia o Bil Murray.

Até achei que depois daquela o baterista iria repensar sua tour de despedida!!!

BACKSTAGE

Na passagem de som do sábado (ainda de chinelinho!) veio todo mundo espiar a banda. Os seguranças, a equipe de som, os outros músicos e toda a tripulação da nave diziam que RAUL havia encarnado. E o show não deixou dúvidas. No camarin a bebida chegava em baldinhos prata sem parar e havia churrasco o tempo todo. Nos informaram depois que fôra devorado dois bois entre músicos e produção técnica. O fato de passar o tempo todo juntos nesses dois dias convivendo entre palco e bastidores gerou um introsamento muito grande entre todos. Uns músicos assistiam aos outros e só eles já garantiam uma boa platéia.

A essas alturas já me chamavam apenas de "Raul" e até o assador me chamva dizendo que havia separado "uma carne da boa" pro "Raul".

O show de domingo foi emocionado entre os músicos que se despediam no palco ao microfone com a certeza de que o que acontecera alí fôra uma grande comunhão!

MARTE: O PLANETA VERMELHO

Quando anunciaram o MARCIANO, houve gente pensando que a nave havera recebido um alienígena. Na verdade trata-se do cara que fazia a primeira voz na dupla sertaneja "João Mineiro & Marciano" desde o final dos 70 e que nossos pais eram fãs na época. Marciano me falou de seus contatos com Raul na gravadora e revelou detalhes do fim da dupla no fim dos 80. Contou-me que o Raulzito era "um anjo bom" que só fazia mal a si próprio, que todos o amavam porque era "uma criança", encantava os outros à sua volta. Todos sentiam pena do Raul porque era um cara com um talento incrível que vivia bêbado.

O Marciano (não o de marte!) confidenciou ainda que sua carreira solo começou a ser preparada ainda na presença de João Mineiro. Os produtores disseram que iriam explorar mais sua voz nos discos, escondendo a de João, que pediu o fim da parceria.

Descobrí muitas outras coisas que não cabem ser ditas assim, porque o contato com o ídolo muitas vezes só serve para quebrar o encanto dos fãs.

LEANDRO GOMES the blazer brothers co. (0utubro 2003)

OS NOVOS IRMÃOZINHOS

...a tarefa agora era encontrar um baterista, já que Samuca-Muca deixara a banda. Daí eu tive a idéia de procurar saber se havia "alguma" baterista na cidade, já que sempre achei um charme uma figura feminina tocando algum instrumento numa banda de varões, principalmente bateria. Quem me informou dessa existência foi o Alcir Simões, veterano que há muito deixou a carreira de músico pra lá!

Quando encontrei Gabyzinha, de brinde veio o Vinny, infelizmente par da gatinha, mas felizmente bom guitarrista!(Brincadeirinha!!!)E lá fomos nós estrada à fora com aqueles dois no banco detrás da van fazendo farelo, sempre roendo aquelas bolachinhas recheadas de morango e chocolate que eu sempre acabo experimentando na gula da viagem! Acho até que eles deviam ser comissionados pelo "passa-tempo"!(Se entrar uma grana do patrocínio eu até publico o nome do biscoito!).

LEANDRO GOMES The Blazer Brothers Co. (Março 2004)

AS AVENTURAS DE MIRO-MIRO & THE BLAZER BROTHERS NA CIDADE DE THOR!

...a banda fez um showzasso para quem não ficou em casa olhando aquela merda de ZORRA TOTTAL. O show, como sempre, conquistou a todos com seu classic rock banhado de carisma e simplicidade, mas muita competência e diversão, uma verdadeira celebração ao rock'n'roll! O MIRO-MIRO já estava a meio-pau, apresentou o evento o dia todo e depois foi fazer festa com a galera da BLAZER que desde o 3º CARBOMOTO criou laços muito fortes com o motogrupo. E o Sapo entre um pulo e outro avisou "cuida bem do meu cumpadi!" e lá se foram no ferrari do LEANDRO GOMES vocalista da banda... tudo bem,é um fuskinha 76,mas q a cor é Ferrari é!

Depois de rodar bastante pela night da capital nacional do arroz, e de ouvir o MIRO-MIRO contar umas 4 ou 9 vezes sobre seu cavalo crioulo, eis que o LEANDRO faz uma curvinha na Andrades e o MIRO-MIRO que não fechou a porta direito saiu pela tangente! Nessa hora eu lembrei do aviso do cumpadi Sapo!

O MIRO-MIRO saiu rolando de dentro do Ferrari com o capeta na mão ( aqui não me refiro ao coisa-ruim,mas às batidas do Ivo! )e não largou nem quebrou, e pasmem, nem ao menos virou o capeta de morango que ele tanto babava na borda!

Mas a cena foi de cinema, em câmara-lenta eu vi a nuca do MIRO-MIRO, depois aquela bunda seca dando tchau, e por último os sapatos que ele não troca desde o 1º CARBOMOTO. Do jeito que saiu porta-a-fora, voltou porta-a-dentro agarrado naquele capeta de morango, parecia q tinha um elástico na bunda! Incrível!Até hoje não conseguimos parar de rir!!!

O Miro-Miro repetia desolado “nunca nesses anos todos caí da minha moto,nem do cavalo, e agora venho Cachoeira, a 120 Km do meu chão, pra cair dum fuca 76!”.

Essa merece até ser publicada no site, não acham???

E aí vão as fotos do evento, só não tenho as fotos do MIRO-MIRO porque ele vomitou na máquina!

Leandro Gomes - THE BLAZER BROTHERS co.(Agosto 2004)

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