APÓS A PARTIDA DE FUTEBOL

 

Todos entram juntos no vestiário.

Todos já sem camisas, de peitos nus.

Todos falam juntos ao mesmo tempo.

Pá, meu, tá!

Pô, meu, tô!

Isso e mais aquilo.

Uma passadinha de mão na bunda de um.

Uma passadinha de mão na bunda de outro.

- Epa! Seu viado!

Um dá um soco de brincadeira no ombro de outro.

Tiram as chuteiras, as meias, os shorts.

Todos tomam banho juntos.

Corpos molhados e ensaboados.

Dois ou três pintos ficam meio duros.

Um comentário sobre a bundinha de fulano.

Outro comentário sobre a pica de beltrano.

Zoeira geral ecoa nos ladrilhos do vestiário.

Um joga a cueca usada de outro no rosto de um outro.

Vestem-se e penteiam os cabelos.

Dividem o mesmo tubo de desodorante.

Todos vão para a mesa de um bar.

Bebem seis cervejas geladíssimas.

Bebem doze, bebem vinte.

O papo começa a esquentar.

Piadinhas a respeito de bichas e viados

Entre comentários sobre mulheres gostosas.

Bebem trinta.

Um coloca  a mão no ombro de outro.

Bebem trinta e cinco.

Declarações de amizade.

- Pô, cara, eu gosto de ti pra caralho. Tu

Mora bem aqui (e bate a mão no coração).

Depois dá um beijo no rosto do amigo do peito.

Hora de ir para casa.

Um dá carona para outro.

Mais sete latinhas na geladeira.

- Vamos subir e tomar mais uma?

- Beleza! Vamos...

Entram no apartamento.

Ligam a TV em qualquer canal.

Sentam-se no sofá.

Bebem suas cervejas.

Quatro latinhas.

- Cara, que calor! (tira a camiseta).

- Pô! É mesmo (tirando a sua também).

Seis latinhas.

Sem querer querendo a perna

De um encosta-se na perna de outro.

Nem um, nem outro afastam as pernas.

Silêncio...

Silêncio...

Silêncio...

Um passa a mão no seu pau.

O outro coça o seu saco.

Silêncio...

Levantam-se para pegar a última latinha.

Voltam para o sofá.

Pernas novamente coladas.

Silêncio...

TV continua ligada.

Mas nem um, nem outro prestam atenção.

Um passa a mão no seu pau duro.

- Cara, tô sentindo um tesão (diz o outro).

Um coça-se daqui.

Outro coça-se dali.

De repente, uma mão acaricia a coxa do amigo.

O amigo já põe a mão na benga do companheiro.

Respirações alteradas.

Abraçam-se.

Afagos no cabelo.

O primeiro beijo na boca.

Zíperes de jeans abertos

Por mãos loucas de tesão.

Cacetes duros para fora.

Cabeças de caralhos meladas.

Mais beijos e abraços.

Calças no chão.

Mais beijos e abraços.

Cuecas arrancadas desajeitadamente

De corpos suados e cheios de tesão.

Punhetas mútuas.

Chupões no pescoço.

Lambidas nas tetinhas.

Boquete, beijos, boquete.

Sessenta e nove.

Um deita-se de bruços no sofá

O outro, sem titubear, mete vara.

Mete, mete, mete.

Urra, urra, urra.

Puxões no cabelo.

Mordidas na nuca.

Gemidos de prazer.

Tira o pau pulsando do cu

E goza nas costas do amigo.

Algumas gotas de porra mancham o sofá.

Sentam-se.

Mais punhetas.

Mais beijos.

Mais punhetas.

Gozadas.

Leite de macho na barriga

No peito, no carpet, no sofá.

Dois homens estarram-se,

Um de cada lado,

Com as pernas ainda enganchadas.

Acendem um cigarro.

Fumam juntos em silêncio.

Dois pintos moles e satisfeitos.

 

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