Soneto ao Vento

 

Na madrugada o frio vento volta a indagar

Por que estou tão sozinha sempre e tanto

Às vezes grito o silêncio que não canto

Atroz caminho, este vento a me levar

 

E digo: vento não afague meu cabelo

Por favor, não me encha de saudade

Pois 'inda assim será que apenas eu mereço

A dor de insano amor em tua vontade?

 

Eu me pergunto o que pode haver de errado

Já não bastam tantos espelhos quebrados,

Já não basta tantos sangue pelas mãos?

 

Mas falta ainda as tais lágrimas salgadas

Vertendo lentas desses meus olhos cerrados

Água viscosa que pinga do coração...

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