Queijo

Passo o dia sentado às margens de minha insegurança.
E choro para que minhas lágrimas lavem a sujeira de minha morbidez.
Faço perguntas em verbetes que jamais aprendi
E me espanto com as respostas que jamais proferi.
Descanso a cabeça no travesseiro e sei que não conseguirei dormir
Mas as horas da noite se esvaem e eu não poderei acordar.
Enfim sorrio e me reviro na cama
Talvez eu já esteja sonhando...
Ou então essa inquietação é fruto do calor insuportável desse fim de verão.
Eu desisto de entender.
Troco o CD e uma banda canta "Patience"
São todos vidros quebrados...
Eu me impaciento e tento passar a canção mas o som não me obedece.
Um suspiro leva a angústia e remete meus pensamentos a meu algoz.
A música volta a pedir paciência
Até quando poderei esperar?
E, sem poder, até quando esse sentimento me arrebatará?
Talvez seja o fim.
Mas eu sei que tudo não passa de uma saudade absurda
Daquelas que chegam inesperadas e relembram história de pessoas
Gente que amei sem poder e conheci sem entender
Que não me amou nem conheceu.
Ainda amo...
Mas afinal a lua é um grande queijo.