Estilhaço

Eu
me sinto tão cansada e sem vida
Quebrada,
Estilhaçada.
E me pergunto o que há de estranho em mim
Porque não posso eu também suscitar paixão.
Já não aparecem lágrimas em minha face
Minha pele está dura e congelada
Coberta por uma crosta de cicatrizes
No peito apenas dejetos de minha insanidade
Na pele apenas sangue dos estilhaços de minha alma
Porque não posso eu também incorrer na lascívia?
Devo dormir por mil anos?
Sei que ao acordar estarei só...
Depois de tudo meu coração encheu-se de sentimentos pulsantes
Sinto falta do calor dos seus braços desconhecidos
Deus, por que insisto em me deixar enganar?
Por que `inda grito o que ninguém quer ouvir?
E por que vivo, se é pra ser assim?