Desejos

A vontade que se revela no íntimo de cada existência,
Os gritos que se mostram no olhar de cada vontade,
Insuprimível vontade de minha própria inexistência.
E eu me vejo e não me vejo em meu espelho
Nada a não ser o desejo que me consome...
Me corto na superfície do meu vidro quebrado,
E sinto o gosto de sangue das feridas que não tive.
O toque sublime em minha pele,
O suor arquejante e sedoso,
Avassaladores desejos e vontades.
Lentamente a tua volúpia me possui
Com o meu próprio desejo deseperado
Tão pleno de defeitos e contradições,
Tão perfeito em suas imperfeições!
Os sentidos se aguçam a sons silenciosos
Silenciados...
Que se encontram na plenitude
De teus dedos percorrendo minh`alma num toque selvagem
A paixão despedaçada e desesperada
O teu ar que enche o meu peito arfante...
Preenche os sentidos,
Grita o silêncio.
Esvão-se as vontades que suplicam os desejos
Desejos de uma inexistência.