Por um acaso do destino

Disclaimer:O universo de Harry Potter pertence à JK Rowling.
Resumo:Durante a guerra contra Voldemort, Gina Weasley perde o contato com a família
e com seu grande amor. Agora, depois da derrocada do dito, um encontro casual pode mudar toda sua história
Aviso:
Bem, essa é uma mini fic que é assim,
tipo um especial de natal já que se desenrola no dia 24 de dezembro.As poesias
contidas são todas de minha autoria se você quiser conferi-las inteiras passe
na seção de poesias.
CAPÍTULO
ÚNICO
A neve caía em grandes flocos brancos pelo chão. Gina olhou pela janela do
trem com a melancolia que lhe era familiar.Nem sempre havia sido assim,ela já
trouxera nos olhos alegria e esperança. Mas isso foi antes dele ir embora.
“ Ainda hoje me pergunto por que ele não me disse. Acho que nunca saberei.”
Ela pensou com um suspiro. Entediada com a viagem, ela resolveu ler alguma
coisa.Pegou um livro da bolsa e começou a ler. Era um livro de poesias trouxas
que ela amava. Então ela começou a ler sua preferida.
"Não consigo esquecer aquelas horas
As
lembranças ainda estão nítidas demais
Por favor me perdoe por deixar você ir
Mas você foi levado de mim muito de repente
E eu simplesmente não consegui te arrancar do meu peito.”
Como sempre acontecia quando ela lia aqueles versos,as lembranças começaram a
fluir na sua mente em flashes ora lentos, ora rápidos. Ela reviu o dia em que
se conheceram , quando ela entrou em Hogwarts, o dia em que começaram a
namorar,na formatura de Rony e finalmente o dia em ele foi embora, há
exatamente 5 anos. Desde então os natais se tornaram dias tristes. Hoje ela era
uma medibruxa muito renomada apesar dos seus 23 anos. O renome era fruto de uma
guerra que aconteceu a partir do seu 7º ano na qual o bem venceu com duras
perdas. E no final foi ela quem salvou Harry Potter de morrer depois de ter
derrotado você-sabe-quem no último duelo. Agora ela morava em um confortável
apartamento que ficava em frente ao Central Park e tinha pouco contato com a família.
Ficaram suas fotos nos porta-retratos.
E suas cartas numa caixa de bombons
Estes se foram juntos contigo
Eu fiquei...
E às vezes a madrugada me visita
Mas
você já se foi e não há mais o que levar.
O trem chegou à estação. Ela fechou o livro, pondo dentro da bolsa, e
desembarcou. O ar frio do lugar bateu no seu rosto e bagunçou seus cabelos
ruivos que chegavam aos ombros. Com um sorriso ela andou pela rua sentindo o
vento acariciar-lhe. Ela amava o vento ; lembrava ele.
Depois de subir a rua, Gina parou em frente a uma porta. A casa continuava torta
mas já não era tão encantadora sem os gêmeos fazendo bagunça.Antes que ela
pudesse tocar a campainha a mãe abriu a porta e a abraçou. Seus olhos molhados
denunciavam a saudade. Afinal já fazia cinco anos que ela não aparecia.
A noite foi dotada de uma suave melancolia. Gina distribuiu presentes a todos os
Weasley( a família crescera bastante nesses últimos tempos) e se divertiu
vendo as peripécias dos gêmeos de Rony e Hermione e os quatro filhos de Gui e
Fleur. Ela lamentou apenas que Carlinhos e os gêmeos não estivessem alí.
Apesar da reunião e do clima de volta ao passado, ninguém tocou no nome dele e
Gina ficou feliz com essa atitude. Afinal já era tempo de recomeçar.
Nós éramos pessoas diferentes
Nós tínhamos uma vida diferente
E hoje eu pergunto: “ Qual a diferença?”
Nós estamos longe agora
Vivendo amargos e infelizes.
— Gina, meu bem fique aqui essa noite. Você dorme aqui e amanhã volta para
Londres.
— Não mamãe. Obrigada, mas eu prefiro ir para casa. Estarei esperando vocês
lá neste domingo. – ela riu e completou – Foi uma noite maravilhosa.
— Que bom, filha que você gostou. Ficamos muito felizes em ter você de volta
a esta casa.E não se preocupe que nós iremos lá no domingo. – a senhora
Weasley respondeu.
— Que bom. Bem, eu já vou.- Gina se despediu da mãe e aparatou na estação.
Logo ela estava de volta ao trem que levava à Londres. Sem ter nada para fazer
ela voltou a se concentrar no livro que carregava. O trem parou em uma estação
e um rapaz embarcou. Era um jovem esbelto de aproximadamente 28 anos. Tinha um
porte atlético e cabelos castanhos. Ele andou até a cabine em que Gina estava
e perguntou com um sorriso:
— Com licença, senhorita, eu posso me sentar aqui?
Gina levantou os olhos do livro e o choque quase a fez desmaiar. Ali, na sua
frente estava ele, o rapaz que ela amava e que não via há cinco anos , não
fazendo idéia de onde estaria. E ele não havia mudado nada, era o mesmo
cabelo, os olhos , o sorriso. Era o seu Olívio Wood.
— Olívio, é você? – ela não pôde conter um grito de surpresa.
— Sim, sou eu. – ele respondeu com voz cansada. Afinal era um importante
jogador de quadribol da Bulgária e estava acostumado a ser reconhecido.
Eu levanto a cabeça e sinto meus olhos turvos
Limpo as lágrimas que teimam em escorrer
Como se tivessem vida própria
E ela tem: a minha.
Mesmo quando finjo que não existem.
E te vejo impressivo à minha presença
Oh, apatia que teimo em aparentar!
Oh,
lágrimas que teimam em escorrer!
Diante da reação fria dele, ela não disse mais nada. Simplesmente tirou a
bolsa do assento e e baixou os olhos para o livro a fim de esconder as lágrimas
que começavam a se formar em seus olhos. “Ele nem me reconheceu! Deve ter
construído uma família e esquecido que eu existia enquanto eu sofria por
ele.” O pensamento martelava em sua cabeça. De repente a voz dele soou
baixinho perto dela. Ele estava fazendo uma pergunta:
— Desculpe, esse livro é por acaso um livro de poesias trouxas?
— É sim. – ela respondeu sem levantar os olhos.
— Você gosta? – ele perguntou e ela percebeu que ele queria conversar. Mas
limitou-se a responder:
— Muito.
— Eu conheci alguém que adorava poesia trouxa.Faz uns cinco anos que não a
vejo e até hoje eu tenho certeza que ela é o amor da minha vida. – ele
comentou cabisbaixo – Gostaria de vê-la.
— Duvido. – Gina falou com raiva mas no mesmo instante se arrependeu pois Olívio
perguntou com irritação:
— Por que você disse isso? Como você pode saber? Ela era tudo pra mim.
— Se você a amava tanto por que não está casado com ela agora? – Gina
perguntou tentando tornar a voz amistosa.
— Eu tive que deixá-la para protegê-la.Você-sabe-quem havia jurado destruir
a minha família e todos que eu amava. – percebendo o rumo que a conversa
tomara ele mudou de assunto
— Como você se chama? – perguntou
— Virgínia. – ela respondeu torcendo para que ele não atentasse para a cor
do seu cabelo.
Fez-se silêncio na cabine e Gina pensou “ Ainda disse que eu era a mulher a
vida dele. Não sabe nem o meu nome.” Então ela teve o livro arrancado
bruscamente de sua mão. Olívio estava ajoelhado à sua frente. Sua expressão
demonstrava incredulidade e ele balbuciou:
— Por Merlim, Gina, é você?
Não quero que você me esqueça
Por favor não faça isso
Você sabe, eu nunca te esquecerei.
— Eu mesma. – ela respondeu seca
— Você está muito diferente. Quase não te reconheci. – ele falou como
quem pede desculpas e voltou a sentar-se ao lado dela.
— Já você não mudou nada – ela respondeu com um leve sorriso.- Continua
do mesmo jeito distraído.
— E você faz o que da vida? – ele sorriu e perguntou a ela.
— Sou uma medibruxa. Tenho uma clínica em Londres.
— E continua a gostar de poesia trouxa – ele completou rindo.
— É, continuo. – ela respondeu um pouco sem-graça. “ É inacreditável
eu encontrá-lo depois de tantos anos!”
— Você mora em Londres também ou continua morando com seus pais? – ele
perguntou
— Moro em Londres, em frente ao Central Park. Vai fazer cinco anos amanhã.
— Ah! Eu mudei para Londres essa semana. Estou indo levar as últimas coisas.
Vou morar perto do Central Park também pois é perto da sede dos Chudley
Canyons.
— E você resolveu se mudar justo no dia de Natal. – ela falou irônica .
— Os natais perderam a importância desde que eu saí da Inglaterra. Eu não
tenho o que comemorar. – ele falou um pouco amargo.
Novamente o silêncio dominou o vagão. Podia-se ouvir até o som da chuva
torrencial que caía. Olívio passou a mão nos cabelos e suspirou dizendo:
— Você continua linda. Tão linda quanto no dia em que começamos a namorar.-
o tom era nostálgico – Você lembra? – ele completou.
— Lembro. – Gina disse rindo. – Formatura do Rony. Nós dançamos a noite
inteira. Quer dizer, você massacrou meus pés.
— E quando eu te pedi em namoro você disse que eu tinha que aprender a dançar
antes. – Olívio riu e continuou – E então você começou a me ensinar...
— No fim, você acabou dançando melhor que eu. – Gina completou.
Os dois se calaram, cada qual envolto em suas próprias lembranças. E em meio
aos flashes, Gina reviu o dia da separação, 5 anos atrás. A guerra já
estourara. Gina cursava a faculdade de medicina bruxa. Tinha 18 anos na época e
Olívio ainda jogava pelo pudlemere United como goleiro. Então no dia 24 de
dezembro,sentados em uma mesa do Caldeirão Furado, Olívio lhe disse que iria
sair do país para jogar em um time da Bulgária e que eles não deviam mais se
ver. Depois ela soube que ele saiu da Inglaterra fugindo de Voldemort o que não
adiantou já que este acabou matando os pais dele da mesma forma. Ainda no dia
24 ela saiu da casa dos pais e se alistou para a guerra como medibruxa estagiária
e acabou perdendo o contato com a família já que estava sempre em locais
distantes e não podia mandar corujas. Depois de dois anos a guerra terminou e
ela se fixou em Londres abrindo uma clínica mas não tivera mais coragem de
voltar para casa. Somente Harry sabia onde ela morava pois foram da mesma tropa.
As lembranças eram tristes e ela sentiu lágrimas se formando em seus
olhos.Levantando a cabeça ela encostou-se no assento tentando impedir que as lágrimas
corressem.
— Você estava pensando no dia em que nós nos separamos, não é? – Olívio
perguntou baixinho.
— Como você sabe? – Gina perguntou assustada.
— Seus olhos ficaram nebulosos. Eu ainda te conheço, Gina. Sei quando você
está triste. – Gina permaneceu em silêncio e por isso Olívio perguntou:
— Você vai me perdoar algum dia?
— Eu não quero falar sobre isso, Olívio. – ela respondeu seca.
“ Por que você apareceu logo agora? Justo agora que eu estava disposta a
recomeçar? Por que abrir uma ferida que já estava cicatrizando?” pensou.
O trem parou na estação de Londres. A chuva continuava a cair forte. Gina
levantou-se pegando a bolsa e saiu do trem. Olívio a seguiu andando até o
final da estação. Então ela parou e virou para ele, perguntando:
— Você agora gosta de poesia trouxa, é?
— Não. Por que ? – ele retrucou.
— Você não me devolveu o livro. – ela falou divertida, apontando o livro
que ainda estava na mão dele.
— Ah, desculpe. – ele falou levemente embaraçado estendendo o livro para
ela. – Eu esqueci.
— Não tem problema. – ela respondeu pegando o livro de volta e virou-se
para sair da estação pensando “Ah, Olívio. Você continua distraído!”
— Por que você está saindo? Não vai aparatar? – ele perguntou
— Não se pode aparatar na minha casa. Além disso é perto daqui. Eu gosto de
caminhar. – ela respondeu.
— Então eu vou andando com você. Não vou deixá-la andar sozinha em plena
noite. – Olívio retrucou ficando ao lado dela.
— Certo. Se você não se importar com a chuva... – ela falou divertida
lembrando que ele odiava chuva.
Ele fez uma careta e começou a andar ao lado dela.O caminho para o Central Park
foi feito em completo silêncio. Quando eles chegaram em frente a casa dela,
eles pararam e ele apontou a casa em frente dizendo:
— Bem, chegamos. Eu moro ali.
— Então tchau! – ela disse relutante. – Obrigada por ter vindo me
trazer.Se quiser aparecer fique a vontade. Você será muito bem vindo.
— Ah, eu aparecerei, pode deixar. Então... boa noite – ele respondeu sem
jeito.Devolveu a bolsa dela e saiu.
Gina respirou fundo e abriu a porta da casa com um feitiço. Em seguida entrou e
colocou a bolsa sob o sofá. A sala tinha uma decoração bastante despojada em
um misto de coisas bruxas e trouxas. No centro da sala havia uma lareira e em
frente um conjunto de estofado azul escuro. No chão havia um tapete branco e
algumas almofadas coloridas. Nas janelas cortinas brancas garantiam privacidade
e um aparador garantia conforto.Nas paredes haviam quadros bruxos e trouxas e em
cima da mesa de vidro com detalhes cromados e cadeiras azuis, o grande tesouro
de Gina: uma pequena escultura de Rodin.
Com um feitiço Accio ela pegou uma garrafa de vinho branco da cozinha.Depois pôs
um pouco em uma taça e botou a garrafa em um balde de gelo. Sentindo fome, ela
fez uma lasanha segundo o novo livro de Lockart e pôs em cima da mesa arrumando
o prato e os talheres do modo trouxa. Feito isso, ela acendeu a lareira e se
encaminhou para o banheiro onde acendeu velas perfumadas e mergulhou em uma
banheira de espuma, magicamente aquecida. Ela precisava pensar, digerir todo
aquele baque de encontrá-lo.
Estava no meio do banho quando uma coruja cinzenta bateu na janela do
aposento.ela se enxaguou rapidamente e vestiu um roupão de seda, branco. Depois
pegou o bilhete que dizia assim “Estou esperando há meia hora que essa porta
imbecil me deixe entrar. Olívio Wood.” e leu com interesse.Com um sorriso
confuso ela pôs a carta em cima da bancada e foi para a sala.Pegando a taça de
vinho que estava em cima da mesa, ela abriu a porta.
Olívio estava na soleira da porta todo molhado. Não parecia ter ido para a
casa pois estava com a mesma roupa.Como ele não fez menção de entrar,
limitando-se apenas a observá-la atentamente , ela perguntou:
— Não vai entrar?
Ele entrou, fazendo um rápdo feitiço para se secar e ela fechou a porta,
refazendo o feitiço. Então, como ele permaneceu calado, ela resolveu puxar
conversa perguntando:
— Não quer um pouco de vinho? É uma bebida trouxa deliciosa. – ela passou
por ele e seguiu até a mesa exibindo a garafa.
Ele, no entanto, não respondeu. Caminhou até a mesa também e tomou-a nos braços
em um beijo desejado e apaixonado. Gina sentiu a familiar sensação de pernas
bambas e o frio na barriga que o toque dele lhe proporcionava. Então
abruptamente o beijo terminou e Olívio disse ofegante:
— Eu ainda te amo, Gina. Preciso dos seus braços. Vim saber se você me quer
de volta na sua vida.
Gina permaneceu em silêncio tentando coordenar os pensamentos. “ Ele está me
pedindo pra voltar, é isso?Merlim, cinco anos se passaram e eu jamais consegui
esquecê-lo” Então percebendo que ele esperava por uma resposta sua ela
perguntou:
— Por que, Olívio? Por que você não me disse o real motivo de sua partida?
Eu teria ido com você!Não teria pensado duas vezes. Então por que você
preferiu terminar covardemente comigo Você não confiava em mim? – ela se
soltou e virou para o outro lado.
— Eu tive medo, Gina. Temi por você. Que Você-sabe-quem te machucasse como
ele fez com meus pais. Afinal, ele jurou destruir minha família.- ele caminhou
até ela e virou-a de modo que ela o encarasse.
— Eu fiquei arrasada, Olívio. Não sabia o que fazer. Todos os nossos
planos... Então eu me aliei na resistência bruxa. Perdi o contato com minha
família.Foram cinco anos! – ela baixou os olhos para esconder as lágrimas.
— Eu sei, Gina. Cinco anos de tormento, desespero em que eu me arrependi
amargamente de não ter te contado. Eu te procurei assim que a guerra acabou mas
nem mesmo sua família sabia onde você estava. Sabiam apenas que você estava
viva.
— Como nós pudemos ser tão idiotas, Olívio? – ela perguntou levantando os
olhos molhados. – Perdemos tanto tempo...
Eles continuaram a se olhar. Então ele a abraçou e a beijou novamente
murmurando:
— Não perderemos mais, meu amor. Nunca mais.
“Agora eu e você
Teus olhos....meus
Minha boca.....tua
Minha pele......nua
Nossa história...crua
Um
desejo sem fim.
Paixão abstrata, sensual,
Surreal.
Praensio meum
Fatum suum.”