
O mar e o fim
Ela estava sentada olhando para o horizonte sentindo seu cabelo balançar com o
vento. Nenhuma lágrima insistia em descer pela sua pele morena. Ela abriu a
boca para falar algo mas as palavras não saíram e ela desistiu. Droga, como
era difícil!
Ela virou o rosto para o lado e o
espiou sentado ,as mãos enfiadas no bolso da calça jeans surrada para
esquentar as mãos ou para não ter que tocar nas dela, ela não sabia. Ela
endireitou o corpo soltando um suspiro de impaciência. Deus, aquilo era
frustrante, eles estavam constrangidos! Sem perceber seu olhar desviou para o chão
e ela pensou em como pudera deixar as coisas chegarem àquele ponto. Ela também
não tinha resposta para esta questão...
Reunindo um pouco de coragem ela
abriu a boca novamente e as palavras saíram. "Como você se sente?"
ela se viu perguntar e encarou o olhar dele sem expectativas pela resposta.
"Bem." a voz meio rouca dele respondeu e ela falou mais para si que
para ele: "Então é isso." Foi a vez dele baixar o olhar e suspirar
para logo depois falar como se completasse o pensamento. "É, é
isso." Ela disse "tudo bem" enquanto ele se levantava e o viu
sair da amurada caminhando na direção do calçamento com as mãos no bolso.
"devia ser frio mesmo." ela constatou em um humor um tanto amargo.
Uma onda um pouco mais forte lançou-se contra o quebra-mar e ela resolveu caminhar pela praia. O vento havia amainado e o Sol se punha tingindo o céu de violeta. Ela pensou que o Sol sempre se punha, dia após dia, em seu ciclo inexorável. Talvez as pessoas também fossem assim...