|
A Águia e a Galinha
Leonardo
Boff.
Todo ponto de vista é avista de um ponto
Ler significa reler
e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a
partir de onde os pés pisam.
Todo ponto de vista
é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como
são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma
releitura.
A cabeça pensa a
partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar
social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que
experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os
dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão
sempre uma interpretação.
Sendo assim, fica
evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos
que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.
Com estes
pressupostos vamos contar a história de uma águia, criada como galinha.
Essa
história será lida e compreendida como uma metáfora da condição humana. Cada
um lerá e relerá conforme forem seus olhos. Compreenderá e interpretará
conforme for o chão que seus pés pisam.
Os antigos bem
diziam: habent sua fata libelli, os
livros têm seu próprio destino. Tinham razão, porque o destino dos livros
está ligado ao destino dos leitores. E aí entram em cena a águia e a galinha,
carregadas de significação, como veremos ao longo da nossa história.
Esperamos que para
você a águia e a galinha se transformem também em símbolos e sacramentos da
busca humana por integração e por equilíbrio dinâmico.
Desejamos que a
águia sepultada desperte e voe, ganhando altura e ampliando os horizontes de
sua releitura e compreensão de você mesmo e do mundo.
Convidamos você a
fazer-se, junto com as forças diretivas do universo, co-criador/co-criadora
do mundo criado e por criar.
L.B.
Próxima
Boff,
Leonardo. A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana. 34. ed.
Petrópolis: Vozes, 2000.
|