O líder que Brilha
David Kornfield – 29/07/04
A resplandecente Estrela da Manhã nos chama para sermos, também, estrelas a brilhar no meio de uma geração depravada e corrupta (Fp 2.15). Existem muitas estrelas, mas nem todas realmente brilham. Da mesma forma, há bastante líderes bons, porém, raros, os excelentes e que permanecem assim.
O líder realmente grande demonstra sua grandeza na habilidade de vivênciar o Grande Mandamento de amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.36-40). Quer dizer, essa pessoa é fantástica em se relacionar, até consigo mesma, tendo uma harmonia interna que se reflete em suas relações externas. A Grande Comissão de fazer discípulos (Mt 28.18-20) também se pode entender como profundamente relacional, uma vez que define o discipulado como Jesus o definiu: uma relação comprometida e pessoal.
Sete relacionamentos são fundamentais para nos transportar da condição de bons para excelentes.
Ninguém será líder que verdadeiramente brilha se não se sobressair em cada um deles, se relacionando bem com:
Visualizaremos os sete itens acima através de uma estrela. O centro dela é Jesus Cristo e nada pode tomar o seu lugar de destaque. Devemos estar e permanecer n’Ele para fazermos a diferença e brilharmos. Por isso os apóstolos falaram que outras pessoas poderiam cuidar das mesas, mas que eles precisavam se dedicar à Palavra e à oração (At 6.4), as duas maiores formas de manter intimidade com Deus.

Em segundo lugar, o líder estrela se relaciona bem consigo mesmo. Gosta de si mesmo, sem ser orgulhoso. Leva a sério a advertência de Paulo para Timóteo "Cuide de si mesmo ..." (1Tm 4.16). cuida de sua saúde física, emocional e espiritual. Ele se entende. Conhece seu chamado, dons e pontos fortes, como também suas vulnerabilidades e fraquezas. Ele se esforça em crescer, em se afiar e não se acomodar, ao mesmo tempo que fica patente que isso é a graça de Deus agindo nele e não apenas o seu próprio esforço (1Co 15.10).
Uma terceira prioridade, após Deus e o cuidado consigo mesmo, é ter uma família que brilha, onde o mistério do amor entre Cristo e a Igreja se revela no amor entre marido e mulher. Refletir o Reino de Deus e desfrutar disso em casa é fundamental para a vida e ministério de qualquer líder pastoral (1 Tm 3.2; 4-5; 10; 5.8).
A família é como um farol que não pode ser escondido, sua saúde e alegria ( ou a falta do mesmo ) sendo evidente. Se ela não está bem, levanta sérias perguntas quanto à integridade e validade do ministério do líder. Quando brilhamos nisto, as pessoas são atraídas a nosso casamento e família, vendo-o como um exemplo num mundo que carece terrivelmente disso.
Em quarto lugar, o líder estrela precisa de um grupo pastoral que o ame, o aceite e nutra; que o ajude na prestação de contas e ande junto dele no dia-a-dia, encorajando-o, fortalecendo-o e, quando preciso, confrontando-o em amor. Esse grupo cumpre as palavras de Paulo quando ele diz aos presbíteros de Éfeso "Cuidem de si mesmos ..." Para funcionar bem é interessante que o grupo seja pequeno mesmo, um grupinho de 3 a 4 pessoas, onde todos realmente se conhecem, abrem seus corações e cuidam uns dos outros, até de forma preventiva para que problemas maiores nem apareçam.
Em quinto lugar, todos temos um chamado e precisamos de uma equipe para realizá-lo. Ninguém vai longe sozinho. Precisamos de parceiros, aliados, com o mesmo chamado e que nos provocam, estimulam e complementam; aliados que nos apoiam nos momentos em que o desânimo nos acomete e nos protegem de nossos pontos fracos. Um grande segredo para o sucesso como líder é ter um co-líder, um sucessor, um escudeiro que o acompanha, o seu braço direito. Através desta equipe realmente estendemos o Reino de Deus para os outros.
Em sexto lugar, o líder estrela tem um mentor que se importa com ele. Um mentor ou líder pastoral é alguém que fornece um ambiente de amor e aceitação, onde ele incentiva, exorta, desafia e provoca uma transposição do ordinário para o extraordinário. Ele acredita profundamente em nós e tem uma graça especial para ministrar à nossa vida. Encontros com tais pessoas são freqüentemente divinos, quando Deus revela o Seu poder, sabedoria ou presença de forma especial.
E em sétimo e último lugar, um excelente líder tem amigos íntimos, cuja relação não se baseia no ministério. Esses amigos esclarecem e ressaltam que existe uma vida além do ministério que é preciosa e precisa ser desfrutada. Amigos são pessoas com as quais abrimos nossos corações; que tem liberdade especial para nos corrigir ou confrontar em amor, especialmente quando somos tentados a exagerar em nossos envolvimentos ministeriais. O ideal é termos um ou dois amigos íntimos do mesmo sexo e, se for casado, um casal com quem você e seu cônjuge tenham uma amizade especial. Se puder ter um bom amigo do sexo oposto (além do seu cônjuge), como também alguém não crente, isso acrescenta à sua capacidade de ser uma pessoa equilibrada. Esses amigos nos ajudam a lembrar-nos de que somos "gente" e que precisamos ter momentos de simplesmente desfrutar disso!
Quantos, desses sete relacionamentos, funcionam bem em sua vida ? Realmente vale a pena investir nestas áreas; o retorno será sempre bem maior que nosso investimento. Se houver alguma ponta da estrela que nem existe em sua vida, corra atrás dela! Não fique acomodado, não se contente em ser apenas bom. Pesquisas mostram que a área onde pastores e líderes sentem mais carência é em sua relação com Deus. Além disso, a maioria dos líderes tem fraqueza na área da família e, muitas vezes, as outras cinco pontas sequer existem!
Se estes relacionamentos não existem ou não andam em nossa vida, é porque não investimos seriamente neles. A bíblia diz que se buscarmos, encontraremos. Se procurarmos, acharemos. Se batermos na porta, abrir-se-no-à (Mt 7.7). Se não desistirmos, se realmente formos sérios em nossa procura, Deus acabará revelando-nos quem deve preencher a lacuna que existir nessa estrela.
Perguntas para reflexão ( possivelmente em grupo pequeno )