O Espírto Santo – Gerador de Saúde e Vida

Como encher-se do Espírito – Efésios 5.15-21

O fator mais importante, o ponto mais forte da igreja em Atos, era a presença marcante e abundante do Espírito Santo.

Ele dá sentido, conteúdo, aplicabilidade ao ensino, promove a comunhão, dá significado aos gestos litúrgicos, estimula, intervém, exprime e responde às orações. Ele influi e liberta o louvor, extrapola e rompe com as amarras religiosas, faz acontecer os prodígios; promove a transparência e informalidade comunitária.

O Espírito Santo é responsável pelas alegrias e empatias que envolvem a igreja, pela simplicidade de coração, pelos numerosos prodígios e sinais e pelo crescimento natural da igreja.

Nesta direção está a orientação de Paulo em Efésios 5.15-21. Neste texto, Paulo aponta o caminho e o processo pelo qual a igreja pode se encher do Espírito Santo. O pastor Caio Fábio DAraújo Filho, numa de suas aulas (aula n.° 02 — A Plenitude do Espírito Santo — Vinde-Sat) refere-se a este texto de Efésios como o ciclo da plenitude do Espírito Santo. Esse processo é um ciclo completo.

Se uma igreja quiser ser cheia do Espírito Santo, a primeira necessidade evidente é a de conhecimento e submissão absoluta à vontade de Deus (v. 15,17); segundo, precisa ter uma linguagem, nova, criativa construtiva, geradora de vida, "falando entre vós com salmos". Não se trata, neste caso, de recitarmos salmos uns para os outros ou de utilizarmos uma linguagem conhecida apenas dos nossos irmãos mais próximos, mas de termos na nossa conversa diária uma linguagem tão bonita, rica, saudável, amorosa, que não provoque em nós nenhum temor de falar para Deus as mesmas palavras que trocamos com os nossos irmãos.

Em terceiro lugar, precisamos estar "louvando ao Senhor de todo o coração com hinos e cânticos espirituais". Aqui, a questão não é somente de conteúdo, mas de onde procede o louvor. Paulo diz que o louvor e cânticos espirituais não deve sair somente dos nossos lábios, mas também do coração. O coração, do ponto de vista bíblico, é o centro da vida nos seus múltiplos aspectos. Em outras palavras, o louvor precisa ser cardíaco, cordial, revelador de nossa paixão e intimidade com Deus. Deve ir além das palavras, dos lábios, da formalidade, da exterioridade. Em muitos outros textos bíblicos há instruções semelhantes à proposta de Paulo, como em Isaías 29.13: "... este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu". Jesus também chamou a atenção para esta realidade dizendo: "Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". (Jo 4.23-24)

O louvor deve nos envolver profunda, íntima e apaixonadamente. Todos os nossos hinos e cânticos espirituais devem passar pelo mais profundo do nosso ser, para que sejamos cheios do Espírito Santo.

O Espírito Santo não estará onde houver autoritarismo exacerbado, muito menos onde houver submissão por obrigação. Torna-se necessário que haja liberdade. Como afirmamos inicialmente, trata-se de um movimento cíclico, gerador de vida: quanto mais cheio do Espírito, mais a nossa linguagem será criativamente espiritual; quanto mais a nossa linguagem estiver adequada ao padrão de Deus, mais o Espírito se manifestará sobre e em nós. Este movimento também se dá com relação às demais propostas de Paulo, como veremos a seguir, conforme diagrama.

Finalmente, se os participantes de uma igreja quiserem uma vida cheia do Espírito Santo devem viver "dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo".

Sem dúvida, este não é um caminho fácil. Dar graças quando tudo vai bem é muito fácil e bom. A dificuldade se estabelece quando há sofrimento pessoal, quando há crises, quando há perdas significativas. Cabe esclarecer também que não se trata de menosprezarmos a nós mesmos, numa espécie de masoquismo; mas de termos uma atitude resignada, de compreendermos a ação de Deus, de aprendermos a disciplina do Pai que nos ama em meio aos sofrimentos, dores, perdas e dificuldades. Paulo aprendera com Jesus e, de modo especial, com Estêvão, a tirar dos momentos mais difíceis da vida, razões inesperadas para agradecer a Deus. Basta vermos como ele reagiu às situações mais adversas conforme Lucas narra em Atos 16.24.25: "Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam".

Como consequência desta atitude de gratidão e louvor de Paulo em meio ao sofrimento, o Espírito Santo se manifestou intensamente, as cadeias se romperam, o carcereiro creu em Jesus, e ele e toda a sua família foram salvos (At 16.27-34).

Esta ação efusiva do Espírito Santo se repete muitas vezes nas mesmas circunstâncias; quando há gratidão, louvor, oração, Deus move sua mão sobre nós, através do Espírito Santo, e acrescenta em nós mais gratidão, louvor, oração. A gratidão "em tudo" provoca um derramar de Deus sobre nós, sobre as circunstâncias que nos rodeiam e sobre a história na qual estamos inseridos, conforme os relatos de Atos 4.21-31; 5.33-42; 7.54-60; 12.1,19.

Paulo nos aponta o caminho para uma vida cheia do Espírito Santo: gratidão em tudo. Gratidão até no sofrimento.

Finalmente, Paulo aponta o último caminho para a igreja ' tornar-se cheia do Espírito Santo: "Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo". Não há possibilidade de o Espírito Santo tornar-se pleno numa comunidade se os seus participantes não estiverem dispostos a praticar a submissão uns aos outros.

A submissão parece-me, na proposta bíblica, algo diferente daquilo que costumeiramente pensamos ser, ou que normalmente chamamos de submissão. Paulo, ao propor submissão, nos mostra um caminho que vai além da obediência por obrigação, e nos deixa entender que a submissão deve ser praticada pela fé, pela confiança absoluta em Deus, pelo desejo de um modo de vida superior.

Esta submissão implica em relacionamentos corretos a nível familiar, e a nível profissional. Neste sentido, Paulo propõe que as pessoas que exercem autoridade (maridos, patrões, pais) tenham uma postura que gere o desejo de submissão naqueles sobre quem se exerce a autoridade.

Aos maridos ele diz "amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja". (Ef 5.25.)

Aos pais, Paulo aconselha "não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor". (Ef 6.4.)

Aos patrões e empregados, ele diz para "servirem como ao Senhor", sem coações, pressões, ameaças (Ef 6.7-9). Esta submissão que Paulo propõe é um movimento de ida e volta; submetemo-nos para que outros (maridos, pais, patrões) nos amem, respeitem; por outro lado, amamos, respeitamos, consideramos nossos filhos, esposa e empregados, para que eles se submetam em amor.

O exercício da autoridade e da submissão, do ponto de vista bíblico, coexistem. Um sem o outro não sobrevive.

Igreja sem a presença geradora e intensa do Espírito Santo é uma igreja enferma, apodrecida, a caminho da morte. O Espírito Santo faz a vida de Cristo que está em cada um de nós sair pelo nosso viver, manifestar-se nos lábios, brotar nos poros e deixar de ser algo pessoal para ser uma realidade comum que alcança a todos.

Extraído: livro "Igreja, lugar de vida", por Naamã Mendes – ed. Betânia.

 Imprimir esta página

 

Hosted by www.Geocities.ws

1