Sete Níveis de Desenvolvimento Espiritual

Introdução

1.      Tome cinco minutos para escrever uma oração no verso desta página.  Use todo o tempo.

2.      Após eu falar certa palavra, anote as três primeiras palavras que vem a sua mente, sem nem pensar sobre elas (Deus).

3.      O conceito de níveis ou estágios de desenvolvimento humano é algo bem trabalhado através de décadas no sentido físico como também no sentido emocional.  O Apêndice 1 dá alguns detalhes para quem quiser aprofundar isto.  Neste estudo aplicaremos esse conceito ao desenvolvimento espiritual. Alguns versículos que apóiam o conceito de estágios ou níveis de desenvolvimento espiritual incluem.

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.  Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face.  Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.”          1 Co 13.11-12

Quanto a isso, temos muito que dizer, coisas difíceis de explicar, porque vocês se tornaram lentos para aprender. Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus.  Estão precisando de leite, e não de alimento sólido!  Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça.  Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornarem-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal”  Hb 5.11-14.

Filhinhos, eu lhes escrevo porque os seus pecados foram perdoados, graças ao nome de Jesus.  Pais, eu lhes escrevo porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio.  Jovens, eu lhes escrevo porque venceram o Maligno.  Filhinhos, eu lhes escrevi porque vocês conhecem o Pai.  Pais, eu lhes escrevi porque vocês conhecem aquele que é Desde o princípio.  Jovens, eu lhes escrevi, porque vocês são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece e vocês venceram o Maligno.  1 João 2.12-14

4.      O paradigma ou modelo que usaremos trabalha encima de sete conceitos de Deus.[1]  Os sete conceitos expressam facetas da Pessoa de Deus e ao mesmo tempo podem também ser entendidos como níveis de amadurecimento espiritual.

 

7. O Deus Missionário

6. O Deus que se dá

5. O Deus Formoso

4. O Deus Compassivo

3. O Deus Amigão

2. O Deus Justo

1. O Deus esclarecedor


1. O Deus Esclarecedor

A.     O Deus Esclarecedor é visto como um Deus distante, um referencial positivo externo, bom, mas não chegado. 

B.     O perfil da pessoa que enxerga Deus assim. 

Ø      Lida com confusão, não entende o que Deus está fazendo ou como está agindo.

Ø      Se for não crente, pode ser agnóstica; se for crente, acredita que Deus existe, mas tem dificuldades em acreditar que realmente se importa e que corresponde plenamente à Deus da Bíblia. 

Ø      Lida com dúvida passiva ou ativa

Ø      Lida com dúvida segundo o mundo (afastando-o de Deus) ou segundo Deus (motivando-o a ir atrás de Deus)

Ø      Possivelmente lidando com trauma, feridas profundas, relacionamentos estragados, grandes perdas ou luto.

Ø      Possivelmente lidando com auto-depreciação e sentido de inferioridade ou superioridade.

Ø      Não consegue se entregar de verdade

C.     Tipos de oração mais comuns: oração rotineira, preocupação consigo mesmo, oração investigativa (curioso, sondador).  No caso de estar próximo de uma mudança de nível, desespero (santo ou não).

D.     Exemplos bíblicos: Salmos de depressão (Sl 6; 31,9-13; 42; 69.1-3, 20; 77.1-9; 88; 102; 107; 109.22-25), de desespero santo se estiver mudando de nível (Sl 13.1-2; 22.1, 2; 42.9, 10; 69.3, 4).

E.      Exemplos contemporâneos: denominações e igrejas liberais.

F.      Chaves específicas para o crescimento:

Ø      Dúvida ativa ou pró-ativa, deixando para trás a dúvida passiva

Ø      Tristeza segundo Deus – arrependimento


2. O Deus Justo

A.     O Deus Justo é conhecido como juiz (julgando e condenando), severo, duro e rígido; legalista e desmancha-prazeres; o Deus da disciplina e às vezes o Deus sufocante.

B.     O perfil da pessoa que enxerga Deus assim. 

Ø      Se a pessoa for não crente, rejeita a um Deus que sente que rejeita a ele.  Se parar de ser “crente” pode sentir-se convertido ao inverso – liberto, alegre ou feliz, liberdade interna, nova esperança, crescente auto-respeito.  Ao mesmo tempo é profundamente egocêntrico, se colocando no centro do universo e julgando a Deus.

Ø      Se for crente, pode ter o perfil da imagem de Deus citada no item A, sendo super dedicado, mas severo e legalista.

Ø      Pode viver rejeitando a outros como mecanismo de defesa

Ø      Pode viver em medo constante de ser rejeitado, condenado, julgado por Deus e por outras pessoas.

Ø      Pode ser disciplinado e rápido em disciplinar a outros

Ø      Vive com medo ou raiva, às vezes controlada, às vezes não.

Ø      Máscara de ser justo ou certo

Ø      Agindo em sua própria força

C.     Tipos de oração mais comuns: orações eloqüentes públicas, cheia de frases religiosas, bíblicas e linguajar evangélico; orações de remorso, arrependimento e culpa falsa ou verdadeira – que volta sempre.  Orações orgulhosas, que chamam atenção à pessoa que está orando.  Orações de consagração e promessas. 

D.     Exemplos bíblicos: orações de hipócritas (Mt 6.5), dos fariseus (Lc 18.9-14), do terceiro mordomo que sabia que seu senhor era severo (Mt 25.26-27); possivelmente Salmos de medo ou raiva.

E.      Exemplos contemporâneos: denominações comprometidas com usos e costumes e legalismo, especialmente algumas denominações pentecostais ou bem tradicionais.

F.      Chaves específicas para o crescimento:

Ø      Descobrir a graça na realidade, como no livro de Gálatas

Ø      Caminhar num ministério de libertação e restauração, quebrando as fortalezas de medo e raiva.


3. O Deus Amigão

A.     O Deus Amigão é visto como um Deus de amor, presentes, graça, bondade, um Deus resolve-tudo, Deus paizão, Deus bonzinho.

B.     O perfil da pessoa que enxerga Deus assim. 

Ø      Feliz, próspero, “filho do Rei” que merece tudo, cheio de direitos.

Ø      A vontade com Deus, seu grande amigo.

Ø      Super otimista, confiante, a vida é boa demais.

Ø      Todos os problemas e males são externos, nenhum interno.  Consequentemente pensa muito bem de si mesmo.  Auto-avaliações bem positivas, até exageradamente.

Ø      Desconectado de seu lado sombrio

Ø      Quando não consegue manter todo o perfil acima, cria máscaras já que sua teologia ou visão de Deus não permite outra opção.

C.     Tipos de oração mais comuns: oração rotineira, preocupação consigo mesmo, oração investigativa (curioso, sondador).  No caso de estar próximo de uma mudança de nível, desespero (santo ou não).

D.     Exemplos bíblicos: O “cântico de Moisés” (Ex 15 – o povo vendo apenas as vitórias externas e não sabendo como lidar uns dias depois com circunstâncias ruins, por exemplo, quando não tinham mais água).  Possivelmente alguns salmos de pura alegria.

E.      Exemplos contemporâneos: denominações e igrejas na linha da prosperidade, especialmente na linha neo-pentecostal.  Ministérios rápidos de cura e libertação.

F.      Chaves específicas para o crescimento:

Ø      Passar por sofrimento sério e deixar-se sentir a dor

Ø      Mergulhar na santidade de Deus para perceber que somos bem aquém dele

Ø      Leitura de livros de auto-conhecimento, sendo sensível ao lado fraco, negativo ou vulnerável de sua personalidade (por exemplo, no DISC).

Ø      Aprender a compartilhar seus pontos fracos e entender que seus pontos fortes facilmente se tornam fracos; e que suas fraquezas podem ser grandemente usado por Deus (2 Co 12.7-10)

Ø      Possivelmente terapia!


4. O Deus da Compaixão

A.     O Deus da compaixão é visto como o Deus da misericórdia, da graça, do amor e aceitação, do renovo e restauração.

B.     O perfil da pessoa que enxerga Deus assim. 

Ø      Cansado ou até esgotado pela correria ou por carregar dores e problemas.

Ø      Consciente de suas carências e necessidades.

Ø      Livre para expressar seus sentimentos, alegres como tristes.

Ø      Crescendo em humildade e em pedir perdão.

Ø      Percebendo que a vida espiritual é interna não externa.

Ø      Crescendo em sua dependência de Deus.

C.     Tipos de oração mais comuns: confissão, quebrantamento, cura e libertação; expressando seu coração.  Mudando de orações superficiais e egocêntricos para orações profundas e dependentes de Deus.

Os primeiros três níveis são egocêntricos. Nesta fase a pessoa começa a virar o jogo saindo do pleno egocentrismo. Ainda lida com um mistura de egocentrismo e teocentrismo já que seus problemas, carências e dores são fundamentais para uma aproximação maior a Deus.

D.     Exemplos bíblicos: Os sete choros de José; Lamentações; Isaías 40-66 (sobre renovo e restauração); “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” Mc 9.23-24. 

E.      Exemplos contemporâneos: comunidades; ministérios sérios e profundos de restauração; igrejas que ressaltam a santificação; igrejas que enfatizam relacionamentos e grupos pequenos como a chave para isso.

F.      Chaves específicas para o crescimento:

Ø      Procurar Deus não apenas dentro de si, mas fora de si mesmo

Ø      Ganhar olhos espirituais para enxergar Deus nas pessoas, na criação e nas circunstâncias


5. O Deus Formoso

A.     O Deus Formoso é visto como majestoso, glorioso, misterioso, maravilhoso, expressivo e criativo. 

B.     O perfil da pessoa que enxerga Deus assim. 

Ø      Mais uma vez a pessoa revela sua visão de Deus por viver de forma parecida.

Ø      Criatividade se revela, possivelmente através de desenhar, arte, música, teatro, coreografia, etc.

Ø      Experimentando Deus através dos sentidos e/ou de forma intuitiva ou mística

Ø      Apreciação toda especial das pessoas

Ø      Apreciação toda especial da criação

Ø      Profundamente teocêntrico, abandonando o egocentrismo

C.     Tipos de oração mais comuns: louvor; cânticos, poesias, orações expressando seus sentimentos como resposta ao caráter de Deus.  Profunda reverência; às vezes ambientes usando todos os sentidos.

D.     Exemplos bíblicos: “Os céus declaram a glória de Deus...” (Sl 19).  Os livros poéticos de forma geral – , Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantar dos Cantares.  Efésios 1, 3.14-21; 5.21-33; Fp 2.6-11; Cl 1.15-20; 1 Tm 6.15, 16; orações em Apocalipse capítulos 4, 5 e 7.  Não é uma oração, mas a gloriosa apresentação da Noiva e no Noivo no final de Apocalipse ressalta o Deus formoso.

E.      Exemplos contemporâneos: muitas vezes os velhos hinos da igreja.  Ministérios de dança, coreografia, arte e teatro na igreja.  As muitas vertentes de composição e louvor contemporâneo.

F.      Chaves específicas para o crescimento:

Ø      Passar de olhar para o caráter de Deus para olhar para Ele como pessoa que tem mente, vontade e emoções, igual a nós.

Ø      Passar de ser adorador para ser também alguém que se relaciona pessoal e intimamente com Deus como pessoa.


6. O Deus que Se Dá

A.     O Deus que se dá é visto como um Deus que tem vontade própria; é soberano, não é domesticado.  Deus da graça – favor não merecido.  Deus como pessoa.

B.     O perfil da pessoa que enxerga Deus assim. 

Ø      Genuinamente agradecido

Ø      Sensível

Ø      Também se dá; generoso, gracioso

Ø      Consegue se colocar no lugar do outro, seja Deus, seja outras pessoas

Ø      Sua espiritualidade não é apenas vertical (o Deus formoso) mas também horizontal, não apenas individual mas também coletiva.

Ø      O Corpo de Cristo se torna real, como também a paixão por ele.

Ø      A pessoa experimenta o verdadeiro amor de Deus através de verdadeiramente se dar em amor.

Ø      Passa a ser pleno filho e pleno discípulo.

Ø      Trata a Deus como verdadeira pessoa

Ø      Trata as outras pessoas da mesma forma, percebendo a maravilha delas serem criadas na imagem de Deus e terem Cristo nelas se forem crentes.

Ø      Se conhece de forma profunda à luz de conhecer a Deus de forma profunda.

Ø      Ganha um sentido claro de identidade e de limites, de independência que faz opção de ser interdependente.

Ø      Sai do egocentrismo, não pensando e se preocupando consigo mesmo

Ø      Tem uma esperança inabalável

C.     Tipos de oração mais comuns: agradecido de verdade; coração aberta, conectado ao coração de Deus e de outros, sem peso.  Cheio de amor, fé e esperança.  Cheio do fruto do Espírito começando por amor e alegria e terminando com mansidão e domínio próprio (Gl 5.22).

D.     Exemplos bíblicos: Cântico de Maria (Lc 1.46-55); Ef 3.14-21; 6.19-20.

E.      Exemplos contemporâneos: raros, possivelmente sendo grupos e igrejas específicas e não denominações inteiras.

F.      Chaves específicas para o crescimento:

Ø      Absorver em sua DNA a visão de vida com propósito, Deus com propósito, igreja com propósito, história com propósito.


7. O Deus Missionário

A.     O Deus Missionário é visto como Deus relacional e Enviador; um Deus pro-ativo em chegar em nós individualmente e de forma coletiva.  Deus de propósitos; Deus de visão; Deus de esperança.  Deus da história; Deus soberano.

B.     O perfil da pessoa que enxerga Deus assim. 

Ø      Sentido claro de chamado, de visão, de paixão e de destino

Ø      Sentido claro de relacionamento com Deus que está o levando para algum lugar

Ø      Visão clara que eleva outros para crescerem em sua visão e chamado

Ø      Profundo auto-conhecimento e auto-aceitação, mas sempre disponível para crescer, para redefinição (1 Co 15.10).

C.     Tipos de oração mais comuns: diálogo criativo, se expressando plenamente e ouvindo a Deus plenamente; orações missionárias; oração com propósito; oração ungida, oração profética.

D.     Exemplos bíblicos:

Ø      A comissão de Isaías (Is 6)

Ø      A oração profética de Zacarias (Lucas 1.67-79)

Ø      Jesus orando a noite todo e depois escolhendo os Doze para estarem com ele, para os enviar a pregar e para terem autoridade para expulsar demônios (Mc 3.13-14)

Ø      Jesus chamando os discípulos a orarem por obreiros e então os enviando como apóstolos (Mt 9.35-10.5)

Ø      O envio dos setenta, também no contexto de pedir o Pai para enviar obreiros (Lc 10.1-4)

Ø      A oração sacerdotal de Jesus ou do discipulador (João 17)

Ø      Jesus em Getsêmani (Mt 26.36-46)

Ø      A separação e envio da primeira equipe missionária de Antioquia (At 13.2-3).

Ø      Deus enchendo tudo e agindo através de sua igreja (Ef 1. 17-23)

E.      Exemplos contemporâneos: missões, igrejas missionárias, a Igreja em Células (“Cada membro um ministro; cada lar uma igreja)

F.      Perigo deste nível:

Ø      Se não ficar bem ligado ao Deus dos níveis anteriores, este nível cai no ativismo com a possibilidade de agir mais de forma organizacional do que de forma orgânica.



[1] O cerne deste estudo foi adaptado do Henri Nouwen, Intimidade, Capítulo três: “Intimidade e oração – Orações de estudantes: entre confusão e esperança”, Harper Collins, Publ., NY, NY, EUA, 1969.

 

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