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4 de fevereiro de 2008. marli, linha direta confesso que ao assistir o clipe "linha direta", grande pérola do cancioneiro popular brasileiro, de marli, a rainha absoluta da beldade na américa latina, me senti numa situação de tamanho terror, na qual não me situava há anos, comparável, em nível de pavor, à primeira vez que eu ouvi "god hateus us all", do slayer ou quando eu assisti ao exorcista, também pela primeira vez, ambos episódios que foram demasiadamente traumáticos para a vida uma criança de 12 anos, na época. o nível de complexidade psicanalítica que envolve esse maravilhosíssimo e original som brasuca é muito superior ao julgamento prévio que pode ser despertado ao ouvir pela primeira vez, sem a devida atenção à mensagem que essa sublime literatura musicalizada tem a passar. não sei se é a marli que compõe suas letras. alguns dizem que é seu produtor musical e patrão, um tal de "witched", de uma tal de "furacu records". de fato, se é marli ou witched que escreve as músicas, não importa, o que vale é o tamanho potencial contextual que elas apresentam. o refrão "não tem linha direta", consegue estabelecer um nível tão profundo de anti-musicalidade (o objetivo original da obra), que o macabro e o soturno são mais evidenciados do que em composições tenebrosas de bandas como dos noruegueses do burzum, do nargaroth ou de tati quebra barraco, e seu fogão dako em excelente forma. sem contar que a atuação teatral de marli no clipe, que concilia a beleza e delicadeza do phoenicopterus spp com a fusão entre conde drácula e varg vikernes, evidencia a exaltação da (in)capacidade artística da cantora. e a cena do parto? é dificílimo achar uma artista com tanta sensibilidade para invocar o espírito materno com tamanha delicadeza e pureza. e tem mais. se você pensa que é só mais uma composição tecno-brega de péssima qualidade, reflita um pouco mais sobre a letra: "não quero sua urucubaca / dilatação é um estado de graça / a conexão caiu / eu tirei a tomada". você já ouviu um brega utilizando um vocabulário tão requintado e metafórico para relatar um possível rompimento de um relacionamento? ou em "estou paralizada sobre as estrelas / não quero subir no pau de sebo / deslizar fácil não tem graça / tem que ter veia", em que não existe lingüística para analisar a complexidade da real mensagem passada por marli nesse trecho da música? estudos históricos da primeira metade do século 20 também marcaram presença no gigante repertório de marli, confessando que "me sinto profunda depois de ter rasputin dentro de mim". RASPUTIN?!?!? sim, senhor@s, griori rasputin, o místico renomado na rússia, no período da primeira guerra mundial, que foi quase invencível às emboscadas fatais armadas contra ele. num jantar, rasputin fora envenenado, porém sua úlcera o fez vomitar todas as toxinas. algum tempo depois, foi fuzilado com um total de onze tiros, sobrevivendo. posteriormente foi castrado. continuou vivinho. só depois de ter sido agredido e atirado inconsciente no rio neva que ele morreu, não pelos ferimentos ou afogado, mas sim de frio. teria marli se sentido profundamente indestrutível e onipotente, como uma deusa, apresentando outra faceta subliminar da música, tal como o russo duro de matar, num insight profético? e nos versos seguintes, que desabafa "não sou como ela e sua boceta lânguida", mostrando sensivelmente sua bagagem intelectual a um homem cujo sentimento e cultura são comparáveis ao zero absoluto , equivalente ao "0 grau" na escala kelvin? LÂNGUIDA?? quem, além de marli referiria-se a uma "boceta alheia", adjetivando-a como "LÂNGUIDA"? na parte final da música, tem-se registrado outra marca da extrema cultura e capacidade musical da cantora, os versos "minha boca está cheia de pêlos / estou santificando o iconoclasta". SANTIFICAR O ICONOCLASTA??? essa é a confirmação máxima das evidências que marli não é adepta de religiões, com seu senso objetivo o mais direto possível, apresenta sua opinião contrária aos ícones da igreja católica, tais como santidades, ou até líderes políticos, como mao tse-tung ou adolf hitler, estabelecendo uma militância anti-fanatismo em suas músicas, em que "santificando o iconoclasta" se refere à ascensão do pensamento revolucionário anti-ideológico. fiquei com tais versos na cabeça durante algum tempo, refletindo sobre seu poder contextual. seria impossível não fazer essa crítica a tal obra-prima. com uma gramática e bagagem cultural tão invejáveis, fundindo-se com encenações de tamanha grandeza teatral e interpretações shakespearianas, passando pela crítica social e a revolta da artista aos valores de grupos fundamentalistas e às premissas repressoras da sociedade de consumo, seria marli a resgatadora dos pensamentos contraculturais da década de 60 e nova gênia da música popular brasileira? seria ela a reencarnação feminina do espírito de raul seixas? de fato, não se sabe. que ela é a pior cantora do mundo, isso é evidente. porém com tantas qualidades, quem ligaria para detalhes tão pequenos, como a voz da cantora ou a composição musical nos seus aspectos instrumentais? péssimo de ouvir ou não, "linha direta" é uma obra-prima. "marli" vai na contramão do padrão "hollywoodiano" de se fazer música, o que falta muito na cultura ocidental, para finalmente romper-se a ditadura da cultura "fífiti cêntis" como monopolizadora do main stream musical do novo milênio. VIVA A CONTRACULTURA! VIVA O TECNOBREGA-ANTI-MUSICAL! SALVE O ESPÍRITO DE LUTA DA ARTE (ANTI)REVOLUCIONÁRIA! UHULL!!! se quiser, tem mais vídeos da marli aqui. me vois!! bom carnaval, pátria amada!
pedro
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