ontem o riso, hoje os escombros.


1º de fevereiro de 2008.
a herança e os escombros

cultivemos a guerra!
na escola, no parquinho,
no ônibus, na fila,
na família, durante o jantar.

cultivemos a dor.
na opinião, na televisão,
no quarto, no diálogo,
diante o espelho, o retrato.

poleiro de monstros cruéis.
no peito a herança inquietante,
nas mãos o poder cortante.

cultivemos a traição!
ao instinto, à visão,
ao prazer, à noção,
frente ao abismo, coação.

por quê?
a herança dita o futuro?
a tradição nega essas vozes?
o grito foi calado pelo tapa?
não olhou no rosto deles?

poleiro de vertigem.
nos olhos a covardia,
reação, calada entre os escombros.

cadê o ombro amigo?
prometido aos consumidos?
abaixo dos escombros.
e à terra se retorna.

ovos do futuro,
sementes plantadas no esgoto.

cultivemos a guerra!
o anti-amor, a prisão.
na grade, as mãos.
o ar cessa, os olhos fecham.

cárcere da vida.
abaixo aos escombros,
prisão perpétua.
regime fechado
à luz e ao afeto.

quanto vale um olhar?
um sorriso,
um despertar e dizendo: "bom dia!"?
pedro


abrirdes:
pinte meu nariz, dê-me um sorriso.
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