Manual do sexo tântrico

 

 

Manual de sexo tântrico

por Cláudia Silva

Segundo essa filosofia oriental milenar, o sexo não é uma maneira rápida de encontrar o prazer, mas um caminho para o crescimento espiritual. O tantrismo prega que, com tempo e paciência, o homem pode aprender a ter orgasmos múltiplos sem precisar ejacular -- ou seja, sem ficar esgotado. Acredite! Para os estudiosos do assunto, não ejacular significa guardar energia, o que se reverte em mais saúde e longevidade para os homens.

As posições são comuns, sem nenhuma acrobacia. As quatro maneiras básicas são: ele por cima, ela por cima, os dois de lado (frente a frente) e ele por trás. Para cada uma delas há inúmeras variações, que vocês devem escolher de acordo com suas preferências. Agora que está tudo ótimo, vem a parte mais importante -- e mais difícil para quem está começando: não deixar que o homem goze. É preciso muita calma e paciência. Pode ser que os homens tenham de interromper a penetração algumas vezes. Mas pensem que com isso ele vai manter a energia elevada, não se sentirá cansado e estará pronto para experimentar sensações maravilhosas. Então, vamos lá.

Se for complicado conseguir que ele se controle no começo, aqui vão algumas dicas práticas de experts: Mantak Chia e Jolan Chang. Todas foram testadas e aprovadas por muita gente. Há milênios.
  1. Ele deve ficar atento e parar um pouco de se mexer quando sentir que está perto de ejacular. Se for preciso, interrompam todos os estímulos por 10 ou 20 segundos e só então recomecem, já mais calmos.

  2. Diga para ele respirar fundo e prender a respiração por alguns instantes. Outra técnica é fazer exatamente o contrário: respirar bem rápido para dissipar a energia sexual. Experimentem as duas para ver que funciona melhor.

  3. Ele deve fazer a energia sexual circular pelo corpo, em vez de ficar concentrada na pélvis. A mulher pode ajudar passando as mãos pela espinha dorsal dele, do cóccix para a cabeça, trazendo essa energia para cima.

  4. Uma das técnicas mais "efetivas" é apertar o pênis. Antes que ele sinta que vai ejacular, ela deve segurar o pênis e pressionar a ponta com o polegar e o indicador. Exige muita força de vontade interromper, a não ser que ela tenha praticado 200 séries de exercícios com os músculos vaginais e consiga apertar a glande sem que ele precise tirar -- o que é uma arte.

  5. Outra opção é pressionar o que os tantristas chamam de Ponto Rafe. Localizado no períneo (região entre o saco escrotal e o ânus), esse ponto corresponde à próstata, que é a glândula que expele o sêmen. Pressioná-lo pode impedir o processo.

  6. Existe também um coquetel de técnicas: respirando profunda e controladamente, ele olha para cima, toca o céu da boca com a língua e visualiza a energia sexual subindo dos genitais para o resto do corpo. Tudo para dissipar a energia.

   Só dá sexo tântrico

Se um hippie dos anos 60, recém-chegado de uma daquelas luminosas peregrinações à Índia, voltasse, num gap de tempo, ao Rio de Janeiro do ano 2000, ele não acreditaria. Além dos cabelos compridos, dos colares de contas e das batas que desfilam pelas ruas da cidade, voltou a se falar - e a se praticar, o que é mais importante - de sexo tântrico e de taoísta. Ou melhor, o sexo sacralizado. No primeiro domingo de março, o popular jornal O Dia deu uma longa reportagem sobre o assunto. Nas páginas de outras revistas, figuras tão díspares quanto o autor Eduardo Bueno (de A Viagem do Descobrimento) e o galã Marcelo Anthony declararam que são praticantes do tao ou do tantra na hora de ir para a cama. Nas disputadas palestras da psicóloga e sexóloga Regina Navarro Lins (colunista de O Jornal do Brasil) discute-se o assunto com impressionantes depoimentos ao vivo da platéia iniciada. O mestre de yôga De Rose viu seu público se mutiplicar como nunca: "Nos anos 60, eu dava um curso de sexo tântrico por ano, agora é um por semana".

O que é esse tal de sexo sacralizado?
Para a maioria, sexo sacralizado é aquele em que se fica horas sem fim, dias até, transando. O telefone toca, as crianças passam fome e o casal em êxtase não está nem aí. Não é bem assim. Quando conheceu o ator Carlos Couto, a paisagista Heloísa Costa o presenteou com o livro The Tao of Love and Sex, de Jolan Chang. Poderia ter sido o recém-reeditado O Orgasmo Múltiplo do Homem, de Mantak Chia, em português mesmo, entre outros que surgem nas livrarias e na internet. "Eu já tinha passado por dois casamentos e estava cansada daquelas relações rápidas. Aos 43 anos, queria qualidade, e não quantidade no sexo", diz. O livro é um manual objetivo, ilustrado com desenhos. Explica que os princípios desse antigo tipo de sexo oriental são: entender que prazer e ejaculação não são necessariamente a mesma coisa e que adiar a ejaculação do homem e o orgasmo da mulher aumenta o prazer de ambos. E ainda sugere exercícios de contração da pélvis e de respiração.

Como segurar o tchan?
O conselho básico aos recém-iniciados, que ainda não conseguem se segurar, é ambos pararem de respirar por alguns segundos quando o desejo atingir o auge. Heloísa e Carlos contam que isso não é difícil. A dupla já namora assim há oito anos e está cada vez mais satisfeita. "Você vai ficando tão sensível que uma espécie de eletricidade começa a percorrer seu corpo. Depois de uns 20 minutos, é como se você estive tendo um orgasmo o tempo todo e, se você não ejacular ou gozar, sai dali cheio de energia." Pode-se imaginar que Carlos e Heloísa tenham um porte atlético ou sejam versados em yôga, mas não. Os dois são gordinhos, e não dispensam um chope antes desses encontros. "Mas um só", ressaltam. "As pessoas estão falando em outras formas de sexo porque perceberam que os modelos tradicionais de casamento e sexo não são satisfatórios", explica Regina Navarro. "Quando a liberação sexual dos anos 70 deu lugar a esta pseudoliberação em que os meios de comunicação passaram a exibir um sexo vulgar e barato 24 horas por dia, todo mundo ficou frustrado." Regina conta que 70% dos curiosos sobre o assunto são homens. "Eles andam muito ansiosos, massacrados mesmo. Há trinta anos, nós mulheres questionamos e lemos sobre nossos relacionamentos e eles não", explica.

Quem inventou o tao e o tantra?
Os hindus já se deleitavam há 5.000 anos e os chineses, há 3.000. Parte desses ensinamentos chegou ao mundo ocidental via Freud, Jung e Reich. Muitos orientais descreveram em manuais (o mais antigo foi feito no século VI) a filosofia do tao e do tantra para o encontro amoroso. O tantra surgiu na Índia, por meio da simples observação das leis da natureza. Vale lembrar que, naquela época, não havia religiões institucionalizadas, leis ou dogmas. "Os hindus perceberam que a natureza é coletiva. Um grupo de formigas, por exemplo, pode se sacrificar para que outras atravessem um rio", explica Vanessa de Holanda, 25 anos, instrutora de yôga. "Então eles concluíram que, em vez de colocar a energia do orgasmo em função de você mesmo, o casal deve doar essa energia ao outro ininterruptamente. Não é à toa que os franceses chamam a ejaculação de la petite mort (a pequena morte). Depois do hiperorgasmo fica-se mais vivo, mais produtivo."

Sem pressa para o prazer
Vanessa pratica o sexo tântrico há cinco anos e diz que, para ela e o marido, o mestre de yôga De Rose, 57 anos - que há quarenta anos estuda e ensina o assunto -, um encontro rápido demora umas 2 horas. Importante dizer que Vanessa e De Rose não consideram o relacionamento de Carlos e Heloísa como tântrico. "Para agüentar a carga de energia que se obtém com essa prática, não se pode comer carne, beber ou se drogar. Há que se praticar yôga também e ter flexibilidade, caso contrário pode-se ficar doente ou morrer", avisa De Rose. De Rose e Vanessa são mestres em explorar seus corpos. Já Carlos e Heloísa procuram um caminho diferente do habitual. Em vez de ver 2 horas de vídeo todos os sábados e transar por 20 minutos, eles querem transar por 2 horas e deixar o vídeo de lado.

O corpo é um playground
A atriz Ítala Nandi diz ter tido uma experiência inesquecível com um hindu, que descreve no livro Conversas na Varanda, de Regina Navarro: "Ele lavou meus pés, passou óleo no meu corpo. Quando chegou à cabeça, eu já estava louca. Detinha-se em lugares do meu corpo que eu nunca tinha imaginado que fossem tão interessantes, como embaixo do braço. Atrás do tornozelo, então, é incrível. Aprendi que tinha que fazer o mesmo com ele". Todos de alguma forma estão tentando se aprofundar nos mistérios do corpo que, como diz o psicoterapeuta José Ângelo Gaiarsa, é "o maior playground do universo". Nossa pele tem mais de 600.000 pontos sensíveis, somos movidos por 300.000 neurônios motores medulares e quase nunca nos lembramos disso. Setenta por cento dos americanos (não há estatísticas brasileiras), por exemplo, ejaculam 2 minutos ou menos depois da penetração.

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1