As missões se militarizam
Brasil Indígena - 500 anos de Resistência

Missão jesuítica do povoado
de São João Batista, um dos
Sete Povos das Missões,
situado no atual Rio Grande
so Sul, fundado em 1697.
Todos os povoados seguiam a
mesma estrutura urbanística.
Após a demarcação da igreja e
da praça central eram traçadas
as demais construções.
De um lado da igreja, ficava a
casa dos padres e as oficinas
de arte e de trabalho. No outro
lado, o cemitério e o cotiguaçu,
a casa que abrigava as viúvas.
Essa planta de 1755 foi
ilustrada com uma festa
religiosa.

O rei de Espanha sempre apoiou os jesuítas, pois vias as missões como uma forma de defesa das fronteiras espanholas, impedindo o avanço dos bandeirantes. Assim, quando eles pediram a revogação da proibição do uso de armas pelos indígenas, o rei acedeu.

A fim de enfrentar novos ataques paulistas, resolveu-se formar um exército guarani. Todas as pessoas receberam treinamento militar. Um dos jesuítas que mais se destacou nesta tarefa foi Domingos de Torres, chamado de “mestre dos índios no manejo das armas de fogo”. Os guarani já não eram os inofensivos indígenas, presas fáceis dos caçadores paulistas. Com tropas treinadas, puderam vencê-los em duas batalhas importantes, a de Caaçapa-mirim, em 1638, e a de Caaçapaguaçu, em 1639.

Dois anos depois já tinham um verdadeiro exército de 4 mil homens, comandados pelo cacique Inácio Abiaru, que derrotou a bandeira de Jerônimo de Barros na famosa batalha de Mbororé. Outras vitórias foram alcançadas em 1642, 1651 e 1657. Também o grupo de Antônio Pereira, da bandeira de Raposo Tavares, foi atacado pelos Guarani do Itatim.

Com o tempo tornaram-se os “guerreiros do rei da Espanha”, não só na defesa de suas fronteiras contra as invasões portuguesas, mas também contra outras nações indígenas rebeldes, como os Charrua, os Yaró e os Minuano, que viviam nos pampas. Em 1757 havia 32 reduções, agregando uma população de 100 mil habitantes, por isso algumas vezes foi chamado de "império" ou "república" jesuítica.

Os bandeirantes, após as derrotas, diminuíram as atividades de apresamento e intensificaram as expedições de busca do ouro que havia sido descoberto na região das Minas no final do século XVII.

Líderes das reduções guaranis do Tape:

Nicolau Nhenguiru - Cacique de Caaró, que derrotou a bandeira de Domingos Cordeiro em Caaçapaguaçu, em 1639.

Inácio Abiaru - Cacique da redução de La Cruz, que, após a morte de Nhenguiru, assumiu o cargo de Capitão-Geral de Guerra e Justiça Maior. Derrotou a bandeira de Jerônimo Pedroso de Barros na batalha de Mbororé. Em 1641.

Antônio Uracatu e Matias Beramini - Caciques da redução de Yapeju, que, em 1657, derrotaram a bandeira de Manoel Preto e Francisco Cordeiro.


Brasil Indígena: 500 anos de resistência / Benedito Prezia, Eduardo Hoomaert. - São Paulo: FTD, 2000.
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