Você
se descabela quando seus filhos pintam a parede com giz
de cera? Perde o controle se eles fazem guerra de salgadinho
na sala? Adora quando eles ficam quietinhos em silêncio?
Pois é, nem tudo que parece bagunça para
os adultos é bagunça para as crianças...Ao
contrário, muitos pais e mães desconhecem
o real valor da brincadeira de seus filhos. Agora
não é hora de brincar! ou Pare
já com a brincadeira! são frases muito
comuns na rotina de quem cuida de crianças. Porém,
mais do que uma distração, brincar pode
ser uma ótima terapia e até ajudar na educação
infantil.
O pediatra Leonardo Posternak, especialista em atividades
lúdicas, explica que brincar é fundamental
para o desenvolvimento psicológico e físico
da criança: Por meio de uma brincadeira,
ela elabora situações do cotidiano que ainda
não estão muito claras na sua vida. Brincando,
a criança expressa sentimentos e ao mesmo tempo
se prepara para o trabalho.
Ele
brinca demais!
Segundo dr. Posternak, brincar nunca é demais. Brincadeiras
saudáveis podem durar por tempo indeterminado. Enquanto
uma criança brinca ou faz esportes, seu corpo libera
endorfinas, substâncias que trazem sensação
de bem-estar. Além disso, muitas brincadeiras - principalmente
as em grupo - colocam a criança em movimento, o que
é muito saudável.
TV
+ Internet
Ocupar todo o tempo livre com atividades passivas - como
assistir televisão - não faz muito bem, já
sabemos. No caso das crianças, a atenção
deve ser redobrada e mais de uma hora por dia em frente
à televisão, jogando videogame ou se
divertindo na internet já pode ser considerado
muito. Em excesso, estas atividades podem ajudar a provocar
problemas de obesidade ou até prejudicar o desenvolvimento
escolar. Controle os horários do seu filho e incentive-o
a usar brinquedos não eletrônicos.
Vamos
brincar do que?
Os brinquedos eletrônicos de alta tecnologia e os
últimos lançamentos do mercado são
legais, mas não são essenciais na nossa teoria
do brincar. Jogos como quebra-cabeça, memória,
dama, dominó, blocos de montar, entre outros são
muito indicados, pois estimulam o raciocínio da criança.
Bola, bicicleta, patins e brincadeiras como esconde-esconde
e pega-pega também vão muito bem. Crianças
pequenas devem ter brinquedos que possam empurrar ou puxar,
para estimular a função motora. O dr. Posternak
lembra: As coisas com as quais eles brincam hoje pode
determinar o que eles serão amanhã. Uma criança
que não brinca, não se desenvolve como deveria
e pode enfrentar dificuldades no aprendizado e na vida social
futuramente.
Na sala não!
Criança brincando dentro de casa pode ser perigoso
para a mobília! Mas se seu filho pega a caneta e
risca a parede, não é só para incomodar
você! A falta de espaço acaba fazendo a criança
perder o limite. Se a mãe não gosta
que o filho brinque dentro de casa, que arrume outro lugar
para ele! diz Dr. Posternak. Um pátio, uma
pracinha ou um parque de preferência onde haja
outras crianças é ideal.
Dr. Posternak alerta também para a importância
de brincar dentro do quarto. O quarto não pode
ser visto como um lugar de reclusão, aonde a criança
só vai para dormir ou ficar de castigo. Se algumas
brincadeiras puderem ser feitas no quarto, ele vai tornar-se
um lugar mais agradável e a criança pode até
dormir melhor.
Cuidado,
vai se machucar!
Fique perto do seu filho e fiscalize se o que ele está
fazendo é perigoso ou não. Porém, nada
de exageros. Ser uma mãe super protetora não
está com nada, você acaba preparando mal o
seu filho para a vida. Deixe a sua fofura correr, cair,
ralar o joelho, brigar com o coleguinha por causa de um
brinquedo...Você não deve intrometer-se. Aliás,
só se intrometa na brincadeira quando for convidada.
Seu filho não é a sua marionete. Segundo Dr.
Posternak, é até interessante que a partir
dos dois anos a criança acostume-se a passar um tempo
longe de casa, com os avós, tios, amigos... Ela precisa
acostumar-se a interagir em ambientes diferentes.
Então,
agora nada de ser uma mãe chata e trate de deixar
seu filho brincar! De vez em quando, brinque junto com ele.
Algumas dicas legais para você entretê-lo são:
ensiná-lo a fazer bolhas de sabão, incentivá-lo
a escrever uma música ou uma história, mostrar
como se faz fantoches com embalagens recicláveis...
O livro 365 Atividades para fazer com seus Filhos após
as Aulas, de Cynthia MacGregor, Editora Madras, tem sugestões
muito interessantes para divertir os pimpolhos e educá-los
simultaneamente. Você vai se lembrar de como é
bom ser criança!
Thaís
Corrêa (IG)
Dr.
Leonardo Posternak é pediatra há 30 anos,
Presidente do Instituto da Família e autor do livro
O direito à verdade. Carta para uma criança
Ed. Globo ganhador do Prêmio Jabuti de Psicologia
em 2003.