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S
Rodrigo
Cerqueira Lopes
Ciência
No futuro,
quando desistirem de inventar os
seres humanos
Os robôs, com suas racionais lógicas
Irracionarão suas ciências
Misturando Probabilidade com
clarividência
Ou Bioquímica com filologia dos
latins
Das filosofias orientais e as
sabedorias populares,
Matemáticas de amanhã e a história
do mundo
E, cibernéticos, sentirão.
Sentirão como sentem os
apaixonados,
Os bêbados, os poetas, os
comerciantes,
Sentirão, pois deixarão de se
importar
Que a questão está em ser ou não
ser.
Eis que nas ruas, Pequenos
tamagoshis
Puxarão cientistas pela coleira.
Eis que, de repente, Deus está
olhando pro seu tabuleiro vivo,
E vê os seus tolos filhinhos
brincando de Papai.
E Papai, com sua triste lágrima,
lamentará
A involução em pilhas destes
apressados...
A lenta queda destes alpinistas
de montanhas infinitas,
A burrice que há no excesso de
inteligência,
A imobilidade dos carros mais
velozes,
A fatalidade habitante nas mais
perfeitas curas,
Os olhos dos sábios cegos, As
cegueiras dos microscópios...
Os robôs gargalharão até nas
memórias secundárias.
No futuro,
Quando não sobrar um grão de
viveiro
Quando não chover um pingo de
direito
E o tabuleiro vivo ficar morto
feito pedra,
Virá o seu Dono, dizer aos seus
filhos,
"eu não disse? Eu não
avisei?
Porque essas fronteiras, já que
as derrubei?
Porque essas correntes, se eu já
lhes livrei?
Porque os fardos, se eu já os
carreguei?
Porque vocês não vêem com os
olhos que lhes dei?"
Rodrigo C. Lopes (Mar/2003)

Os
Bandeirantes
"conhece-te
a ti mesmo"
As naus deste país navegaram
Os mares não navegados da paixão.
Porém, os capitães jamais
pensaram
Seguir os horizontes do próprio
chão
E viram, aterrorizados, monstros
Guerras, ódios, receios de
persistir...
Que marujos são esses, medrosos,
Que querem voltar pra de onde se
quis partir?
Nem tudo se descobriu ou se
relatou,
Nada se produziu, muito se
consumou...
Jamais mapearão o próprio
oceano,
Porque os relatórios
classificaram:
"Os fracos lutaram, os
fortes debandaram
E quem não lutou, perdeu-se
esquecido".
Rodrigo Cerqueira Lopes (2003)

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