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VOV� ESTAVA COM A RAZ�O...

Rem�dios caseiros � base de plantas ganham aval cient�fico.

Quem nunca ouviu falar � ou n�o receitou � chazinhos e comprimidinhos naturais infal�veis para acalmar, cicatrizar ou aliviar problemas de est�mago? Pois saiba que grande parte desses conhecimentos medicinais populares, que h� s�culos s�o utilizados e transmitidos por pessoas leigas, agora t�m efic�cia comprovada por pesquisas desenvolvidas em universidades e at� em grandes laborat�rios farmac�uticos. A utiliza��o de plantas e ervas para o tratamento de doen�as chama-se fitoterapia, e apesar de n�o ser considerada uma especialidade m�dica pelo Conselho Federal de Medicina, n�o faz parte das chamadas terapias alternativas.
Cal�ndula
Nome cient�fico: Calendula officinalis

Indica��o: Doen�as hep�ticas, c�licas menstruais, feridas, �lceras, acnes, inflama��es purulentas, dores musculares, contus�es, reumatismo e eczemas

Observa��es: Seu uso n�o � recomendado para mulheres gr�vidas ou que estejam amamentando.

Esses medicamentos s�o classificados como alopatia de origem vegetal, e tamb�m n�o t�m nenhuma semelhan�a com a homeopatia. Segundo o farmac�utico Luis Carlos Marques, professor de farmacognosia da Universidade Estadual de Maring�, em tese, os rem�dios fitoter�picos podem tratar qualquer tipo de doen�a. No entanto, devido �s suas caracter�sticas qu�micas � mistura de in�meros ingredientes, o que diminui a concentra��o de cada subst�ncia �, s�o recomendados, principalmente, para patologias leves, na fase inicial. Nesses casos, al�m de combater a enfermidade, poupam os pacientes dos fortes efeitos colaterais provocados pelos medicamentos sint�ticos.
Maconha tamb�m � fitoter�pico

Em 1964, o pesquisador israelense Raphael Mechoulan isolou o THC, principal respons�vel pelos efeitos da Cannabis sativa (nome cient�fico da maconha). A subst�ncia deu origem a medicamentos indicados para aliviar a n�usea de pacientes submetidos � quimioterapia. O THC tamb�m aumenta o apetite em portadores do HIV e em doentes com Aids e reduz dores decorrentes da esclerose. A China tem a mais antiga descri��o do uso terap�utico da maconha. Entre 1840 e 1900, foram publicados centenas de artigos sobre suas propriedades medicinais. No s�culo 20, os estudos foram abandonados, e em 1937, o consumo definitivamente proibido por um decreto (americano). O primeiro pa�s a legalizar o uso terap�utico da planta foi o Canad�, no ano passado. O Departamento de Sa�de do Reino Unido anunciou, em fevereiro, que pretende fazer o mesmo, dentro de dois ou tr�s anos, para pacientes com esclerose m�ltipla.

O-mito-do-natural

Apesar de serem mais suaves quando dilu�das, as subst�ncias presentes nos rem�dios � base de vegetais podem ter seu efeito potencializado quando s�o usadas isoladamente. "A morfina, por exemplo, quando dilu�da � vendida como medicamento para diarr�ias n�o infecciosas. Quando isolada, � um eficaz analg�sico, usado em casos de c�ncer visceral, e se n�o for consumida na dose estabelecida, vicia", explica Marques.

O exemplo serve para desmistificar a cren�a de que tudo o que � natural pode ser consumido � vontade, sem risco � sa�de. Como qualquer medicamento, aqueles feitos de plantas podem provocar s�rios efeitos colaterais. Um caso bastante ilustrativo � o da buchinha. Popularmente usada para sinusite, a planta tem forte efeito hemorr�gico e � usada como abortivo. O kava-kava, famoso por suas propriedades calmantes, foi recentemente associado � ocorr�ncia de diversos casos de hepatite e por isso foi inclu�do entre os medicamentos com tarja vermelha (venda sob prescri��o m�dica). A associa��o do hip�rico, ou erva-de-s�o-jo�o � um dos antidepressivos mais populares �, com anticoncepcionais pode reduzir os efeitos e interferir no tratamento e tamb�m foi inclu�do entre-os-de-tarja-vermelha.

Muitos rem�dios ainda s�o vendidos sem controle, em farm�cias e barracas de ambulantes. Um exemplo � a porangaba, cujo consumo virou moda no ano passado, sendo amplamente divulgada e vendida em redes de televis�o como um emagrecedor natural. De acordo com os especialistas, n�o h� nada que comprove sua efic�cia.
Homeopatia: a cura pelos semelhantes
Existe uma grande confus�o entre os conceitos de rem�dios homeop�ticos e fitoter�picos. Assim como os medicamentos sint�ticos, os fitoter�picos fazem parte da alopatia, mas de origem vegetal. A medicina alop�tica combate a doen�a diretamente, agindo no lugar do organismo, enquanto a homeop�tica procura estimular defesas naturais.
Al�m disso, os rem�dios homeop�ticos s�o preparados a partir de fontes de origem vegetal, animal ou mineral, enquanto os fitoter�picos s�o feitos exclusivamente � base de plantas. Os princ�pios da homeopatia est�o na cura das enfermidades pelos seus semelhantes. O paciente recebe doses infinitesimais de uma subst�ncia que, dada em grande quantidade para uma pessoa saud�vel, provocaria sintomas semelhantes �queles causados pela doen�a que est� sendo tratada. Ao contr�rio do que acontece na medicina ortodoxa, os medicamentos homeop�ticos acentuam os sintomas, para estimular o processo natural de cura pelo organismo.
O princ�pio b�sico da homeopatia surgiu na Antiguidade, a partir da m�xima 'os semelhantes curam os semelhantes', atribu�da a Hip�crates. Tamb�m foi utilizado pelo alquimista su��o Paracelso, no Renascimento. No s�culo 17, o qu�mico holand�s Hermann Boerhave foi o primeiro a empregar os medicamentos em doses infinitesimais. Mas foi no final desse mesmo s�culo, que o m�dico alem�o Samuel Hahnemann (1755�1843), na foto, fundou a homeopatia conhecida hoje.
Se��o: Aspectos gerais :: Vov� estava com a raz�o
Revista GALILEU � Edi��o. 129 � Abril 2002.
Olga Maria Mendon�a
CNT:8103/PE
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