| TERAPIAS ALTERNATIVAS QUE FUNCIONAM O instinto da cura Com a id�ia de corpo e mente conectados, a �medicina das emo��es� prop�e tratamentos naturais para reequilibrar o organismo Camila Artoni Ilustra��es: Atomica Studio Enquanto os centros avan�ados de pesquisa procuram tratamentos cada vez mais sofisticados para as doen�as que amea�am nossa sa�de, uma ala da medicina decidiu dar um basta. Para esses "transgressores" da escola tradicional, h�bitos saud�veis, que sempre estiveram � m�o, podem ser o caminho para organismos mais sadios. Um dos defensores dessa linha � o neuropsiquiatra franc�s David Servan-Schreiber, autor do livro "Curar". Segundo ele, o corpo possui um instinto de sobreviv�ncia agu�ado que tratamentos naturais seriam capazes de ativar. Ele admite que isso n�o serve para todos os problemas - se voc� corta um dedo o corpo ir� cicatrizar sozinho, mas se o corte for profundo ser� necess�rio dar pontos. N�o hesita, por�m, em afirmar que estamos simplesmente tomando rem�dios demais. A culpa pode estar no nosso estilo de vida. "Muitas coisas mudaram e nos deixaram mais vulner�veis a doen�as", disse Servan-Schreiber, em entrevista a Galileu. "Hoje estamos muito menos sincronizados com nossos ritmos naturais do que costum�vamos estar. Sabemos que a exposi��o � luz � importante para o nosso sistema emocional, por exemplo, mas n�o fazemos mais isso. A nossa nutri��o tamb�m mudou e isso teve um impacto profundo sobre nosso bem-estar ps�quico. As organiza��es sociais n�o s�o mais as mesmas. As pessoas em geral n�o moram na mesma cidade que seus pais e perdem o contato com a comunidade, o que tamb�m afeta a sa�de emocional. S�o diversos fatores combinados que nos afastaram do ideal." Muitas coisas, tamb�m, sa�ram do nosso controle, como a qualidade da nossa comida. Ningu�m reparou que, 50 anos atr�s, os animais eram alimentados com pasto. Com isso o �mega-3, um dos constituintes mais importantes do c�rebro, fazia parte da nossa dieta. Hoje damos a eles soja e milho, que n�o cont�m o nutriente. A carne, o leite, os ovos e queijos que comemos s�o piores, portanto. O que isso tem de novo? Nada, absolutamente. A grande virada � que a gente percebeu o que perdeu ao deixar tudo isso de lado e agora est� sendo obrigado a voltar atr�s. Os m�dicos tamb�m. Uma pesquisa defendida na Faculdade de Medicina da USP, de dezembro de 2004, mostra que 52% dos m�dicos brasileiros prescrevem ou endossam algum tipo de medicina complementar ou alternativa para seus pacientes atualmente, e 91% declaram querer saber mais. O que muitos est�o descobrindo � que usar o equil�brio da mente para curar o corpo n�o � nada esot�rico, como pensavam, mas puramente fisiol�gico. O poder de auto-regenera��o que vemos no corpo afetado por um resfriado existe, da mesma forma, dentro do nosso c�rebro. Nem tudo precisa de uma forcinha externa. Em muitas situa��es do cotidiano, a mente se encarrega do trauma sozinha. "Se voc� briga com seus filhos ou com seu chefe, voc� vai ficar chateado com isso por um tempo", diz Servan-Schreiber. "Pode ter pesadelos, pode n�o conseguir se concentrar no dia seguinte. Mas normalmente depois de alguns dias, uma semana, no m�ximo, isso vai embora." Em outros casos, a doen�a � persistente, como depress�o ou s�ndrome do p�nico. A maioria dos problemas que v�o parar nos consult�rios m�dicos n�o � mesmo capaz de se curar sozinha. Quando isso ocorre, o organismo precisa de ajuda. A quest�o � que caminho seguir. "Nosso corpo tem instinto de cura. Se aprendermos a us�-lo de uma forma melhor, podemos reparar as coisas e voltar ao estado de sa�de. �s vezes rem�dios intrusivos s�o necess�rios para estimular esse mecanismo. Outras vezes, caminhos naturais conseguem o mesmo efeito", diz o neuropsiquiatra. A hip�tese de que o corpo � naturalmente orientado para a cura � vista com reservas. "N�o acredito em m�gica. Isso me parece simplista demais", avalia Marcelo Marcos Morales, presidente da Sociedade Brasileira de Biof�sica e professor da UFRJ. "Mas acredito, sim, que o equil�brio de nossas fun��es fisiol�gicas, proporcionado pelo equil�brio emocional, alimenta��o saud�vel e uma vida regrada, possa propiciar o bom funcionamento do nosso organismo. Assim ele poder� responder mais adequadamente a inj�rias a que estamos subordinados." �mega-3: alimento para o c�rebro emocional A falta de peixe � mesa pode ser a causa de diversas doen�as, inclusive depress�o p�s-parto. � o que indicam estudos sobre o papel dos �cidos graxos essenciais �mega-3 na sa�de. Esses �cidos, que o corpo n�o consegue fabricar, s�o um dos mais importantes constituintes do c�rebro. Por isso s�o a principal nutri��o que o feto recebe pela placenta, fazendo com que as reservas da m�e caiam drasticamente nas �ltimas semanas da gravidez. Na Europa e nos EUA, esse quadro � at� 20 vezes mais freq�ente do que nos pa�ses asi�ticos, gra�as � diferen�a no consumo de peixe e marisco. A subst�ncia pode ser encontrada tamb�m em sementes ou �leo de linha�a. N�o s�o apenas as gestantes que ganham com a subst�ncia. Quando os �cidos �mega-3 s�o eliminados da dieta de ratos de laborat�rio, o comportamento dos animais muda rapidamente em poucas semanas. Eles se tornam ansiosos, param de aprender novas tarefas e entram em p�nico em situa��es de estresse. Uma alimenta��o com baixo teor dessas gorduras tamb�m reduz a capacidade para o prazer. Em artigo publicado na revista "Lancet", pesquisadores franceses mostraram que pacientes card�acos seguidores de uma dieta rica em �cidos graxos �mega-3 tinham uma chance 76% menor de morrer nos dois anos seguintes de enfarte do mioc�rdio do que aqueles que seguiam uma dieta recomendada pela Associa��o Americana do Cora��o. Outras pesquisas documentaram que os �mega-3 protegem contra arritmias. M�s passado, novos trabalhos demonstraram os efeitos desse nutriente em �reas ainda mais diversas, como a oncologia (o �mega-3 pode vir a ser utilizado no desenvolvimento de drogas para tratar o c�ncer de mama, por sua capacidade de inibir a a��o das c�lulas cancerosas), a neurologia (ajuda a evitar a perda de mem�ria associada ao mal de Alzheimer) e a osteologia (participa da forma��o e do crescimento dos ossos). Fun��es interligadas O c�rebro humano continua sendo uma inc�gnita, mas � fato que as fun��es cerebrais desempenham papel fundamental na homeostase (equil�brio das diversas fun��es e composi��es qu�micas do corpo). "Os dist�rbios psicol�gicos podem levar a altera��es end�crinas que alteram o metabolismo e a neurofisiologia", diz Morales. "Alguns horm�nios, como os produzidos pela gl�ndula adrenal nos casos de estresse, podem diminuir a imunidade do organismo, levando ao aparecimento de doen�as. Esse � apenas um exemplo, entre v�rios. Ao mesmo tempo, quando os dist�rbios emocionais s�o evitados, preservamos o funcionamento adequado do organismo. Enfermidades podem at� ocorrer, mas com chances menores", afirma. A verdade � que o corpo tem mecanismos de cura que a gente desconhece. Pacientes com doen�as ditas incur�veis se recuperam e a ci�ncia ainda n�o tem resposta para isso. Sabe-se que determinados m�todos naturais e alternativos funcionam, mas muitos dos caminhos em si n�o s�o claros, porque n�o foram estudados. S� que na medicina tradicional acontece exatamente a mesma coisa. Por muitos anos a aspirina foi prescrita pelos m�dicos s� porque surtia efeito, embora ningu�m soubesse como. Exerc�cios: antidepressivos feitos "em casa. Atividades f�sicas nunca estiveram t�o em alta. A epidemia mundial de obesidade levou a gin�stica ao patamar de item indispens�vel para a qualidade de vida. Mas suar a camiseta traz mais benef�cios do que aqueles relacionados � redu��o da gordura. O exerc�cio � um tratamento eficaz para a ansiedade, por exemplo. Na Universidade de Miami, um estudo examinou os efeitos do exerc�cio em situa��es dif�ceis. Para o teste, foram avaliados pacientes na hora em que ficavam sabendo que eram HIV positivo. O que se observou foi que aqueles que se exercitavam regularmente eram mais imunes ao medo e ao desespero, o que segurou n�o apenas o seu equil�brio emocional, mas seu sistema imunol�gico. Nessas pessoas, as c�lulas de defesa, que s�o altamente sens�veis �s nossas emo��es, continuaram trabalhando com for�a ou at� mais agressivamente, ao contr�rio do que foi observado nos sedent�rios, que sofreram uma imediata paralisa��o na multiplica��o dessas c�lulas. Corridas tamb�m fazem bem a pessoas com depress�o. Pesquisadores da Universidade Duke realizaram um estudo comparando os efeitos do jogging com os de um antidepressivo conhecido e descobriram que, ap�s quatro meses, pacientes tratados com as duas abordagens estavam indo igualmente bem. A medica��o n�o oferecia nenhuma vantagem particular sobre a pr�tica da corrida. Um ano depois, mais de um ter�o dos pacientes que estavam tomando o rem�dio teve reca�das, contra 92% dos que se exercitavam. Pessoas que se exercitam demonstram menor predisposi��o a doen�as cardiovasculares e diabetes. Pacientes de c�ncer que participam de um programa desse tipo t�m melhoras "robustas e clinicamente significativas" em sua sa�de f�sica e mental, de acordo com pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canad�. A pr�tica ajuda na recupera��o de depend�ncia de subst�ncias qu�micas e at� na regula��o da atividade intestinal. Em um dos estudos mais surpreendentes, m�dicos afirmaram que a pr�tica de esportes potencializa efeitos da quimioterapia, reduzindo o �ndice de mortalidade entre mulheres com c�ncer de mama. Efeito da f�? Na opini�o de Renato Sabbatini, professor da Faculdade de Ci�ncias M�dicas da Unicamp, o que est� por tr�s desse sucesso � um velho conhecido: "O efeito placebo � muito mais poderoso do que as emo��es, mas n�o tem nada a ver com as emo��es em si. � um condicionamento cerebral. A maioria dos resultados da tal medicina emocional pode ser explicada pelo efeito placebo, que acontece at� com crian�as pequenas e precisa ser melhor estudado, diz o neurofisiologista. Vale ressaltar, no entanto, que o efeito placebo existe em qualquer tratamento. Em rem�dios convencionais, esse �ndice pode chegar a 40%. Em alguns casos, o efeito do placebo de acupuntura � de apenas 7%. Por que, ent�o, essas pr�ticas ainda s�o vistas com tanta desconfian�a? "A rea��o negativa � quase religiosa", acredita Paulo Luiz Farber, presidente da Associa��o Brasileira de Medicina Complementar. "Vem de profissionais que n�o estudam o assunto porque ele vai contra suas convic��es pessoais. Ceticismo diante de evid�ncias � uma quest�o de cren�a." Quando o ingl�s Alexander Fleming publicou seu estudo sobre a penicilina no British Journal of Experimental Pathology, em 1929, ningu�m o levou a s�rio. Por 12 anos, n�o se produziu uma gota dela. Somente com o in�cio da Segunda Grande Guerra e diante dos milhares de soldados morrendo de infec��es que se lembrariam desse trabalho e dariam o bra�o a torcer. Al�m de ser uma mostra de terapia alternativa (um fungo) que deu certo, a aceita��o p�blica da penicilina tamb�m � marcante porque representou uma revolu��o na medicina, um evento que criou nos m�dicos a esperan�a de que todas as doen�as com que vinham lutando poderiam, sim, ser curadas. Essa id�ia ditou o ritmo da pesquisa cient�fica dos �ltimos 60 anos. O �nimo trazido pela descoberta do antibi�tico deu g�s a trabalhos com drogas antidiabetes e anti-hipertensivas. S� que esse caminho n�o deu muito certo, porque viram que esses rem�dios eram apenas paliativos. At� o fim dos anos 1980, n�o se curou nenhuma doen�a cr�nica que n�o fosse pass�vel de cirurgia. Rotina do sono: o corpo no ritmo certo Os sonhos, a temperatura do corpo, a secre��o hormonal e a digest�o s�o regulados de acordo com um ciclo de 24 horas que depende da hora em que vamos dormir. � ele que causa o "jet lag" de quem cruza fusos hor�rios: o per�odo de sono das primeiras noites n�o corresponde ao ciclo do nosso rel�gio biol�gico. Enquanto isso, todas as fun��es corporais ficam desbalanceadas, o que coloca a sa�de em risco. Uma rotina de sono desregrada afeta o metabolismo. Noites mal dormidas reduzem a capacidade de processar e armazenar carboidratos e mexem com a toler�ncia � glicose e com a fun��o end�crina, mudan�as semelhantes a efeitos da idade avan�ada e dos primeiros est�gios de diabetes. Mulheres que trabalham � noite t�m risco 60% maior de desenvolver c�ncer de mama A maioria desses ciclos internos pode ser diretamente modificada pela exposi��o � luz. Por isso a depress�o de inverno, doen�a sazonal que afeta as popula��es do hemisf�rio norte. A luz influencia, e at� controla, fun��es essenciais do c�rebro emocional (onde s�o processadas as emo��es). Ela penetra no c�rebro pelos olhos e o impulso neural � transmitido a um grupo especial de c�lulas no hipot�lamo, o centro de controle hormonal do corpo. Essa �rea influencia diretamente o apetite, o impulso sexual, os ciclos de sono e de menstrua��o, a regulagem de calor do corpo e o humor. Para acordar com o sol, manter a janela aberta � noite � uma op��o durante o ver�o. No restante do ano o problema pode ser contornado com um despertador que simule a aurora, utilizando luz em vez de som. A ado��o do m�todo estabiliza o ciclo menstrual, melhora a qualidade do sono e reduz a necessidade de carboidratos na dieta. Pesquisadores da Universidade da Calif�rnia descobriram tamb�m que apenas cinco dias de exposi��o matinal � luz poderiam aumentar a secre��o de testosterona em homens saud�veis. Mudan�a de foco A abertura de parte dos m�dicos para esse lado da cura vem desse desencanto. As promessas em que acreditavam n�o foram cumpridas. Alguns apostaram em um erro de avalia��o - come�aram a pensar se, em vez de tratar a doen�a, n�o deveriam estimular o corpo a se regenerar. Outros foram pelo caminho do projeto genoma, vendo as doen�as como defeitos de fabrica��o. Essa linha dita o perfil da medicina moderna, mas n�o agrada quem acredita no potencial bom do corpo humano. "A pesquisa tem que parar de procurar doen�as e procurar sa�de", diz Paulo Farber. Acupuntura: os caminhos misteriosos da energia Com 5 mil anos de pr�tica, a acupuntura � provavelmente a t�cnica m�dica mais antiga do planeta. Carro-chefe da medicina tradicional chinesa, ela trabalha com uma no��o estranha aos princ�pios ocidentais - a id�ia de que sintomas emocionais e f�sicos s�o dois lados da mesma coisa: um desequil�brio da circula��o da energia, o Qi (pronuncia-se "tchi"). Mesmo assim, j� em 1978 a Organiza��o Mundial de Sa�de publicava um relat�rio reconhecendo oficialmente o m�todo como uma pr�tica m�dica eficaz e aceit�vel. Segundo um relat�rio dos Institutos Nacionais de Sa�de que circulou nos meios acad�micos na �poca, a acupuntura era eficiente para casos como dor p�s-operat�ria, n�usea durante a gravidez e quimioterapia. Um documento da Associa��o M�dica Brit�nica, publicado em 2000, chegou a conclus�es semelhantes, e a lista de indica��es aumentou, com a inclus�o, por exemplo, de dores nas costas. Hoje, a especialidade faz parte dos servi�os p�blicos de sa�de dos EUA e de v�rios pa�ses europeus. A literatura cient�fica internacional cont�m diversos exemplos de pesquisas confirmando a efic�cia da acupuntura para uma s�rie de problemas, que incluem depress�o, ansiedade e ins�nia, desordens intestinais, depend�ncia do fumo e da hero�na e at� infertilidade feminina. Uma pesquisa da Universidade Yale concluiu que a acupuntura � bem-sucedida para curar o v�cio de coca�na, transtorno que responde a pouqu�ssimos outros tratamentos. Trabalhos de outros cientistas americanos comprovaram tamb�m que o m�todo consegue baixar a press�o sangu�nea em at� 50%, acalmar os nervos, melhorando a fun��o do cora��o e aumentando a expectativa de vida de indiv�duos com fal�ncia card�aca severa e, ainda, tratar com bons resultados casos de artrite. Mesmo m�dicos mais conservadores hesitam em acusar o m�todo de agir por efeito placebo. O reequil�brio energ�tico proposto pela manipula��o das agulhas afeta tanto animais quanto humanos, como demonstram experi�ncias feitas com coelhos. Tamb�m nos animais testados, a acupuntura induz a secre��o de subst�ncias pelo c�rebro que podem bloquear a dor. Afeto: a cura pelas boas rela��es sociais O amor - de parceiros, familiares, amigos e at� animais - n�o � s� um "colorido" para o dia-a-dia. � tamb�m uma necessidade biol�gica. O dano aos relacionamentos emocionais dos mam�feros desorganiza sua fisiologia. Foi uma experi�ncia em um centro de terapia intensiva para rec�m-nascidos na d�cada de 1980 que demonstrou isso. Os beb�s ficavam em incubadoras fechadas e eram tratados sem a necessidade de cuidados f�sicos, todos teoricamente da mesma maneira, mas alguns pareciam ter um crescimento mais r�pido. Uma investiga��o revelou que os pequenos pacientes privilegiados eram aqueles que a enfermeira respons�vel pegava no colo, apesar das orienta��es contr�rias. Os resultados foram confirmados em experimentos com ratinhos separados da m�e ao nascer. Sem contato f�sico, cada c�lula do animal "se recusa" a se desenvolver. A parte do genoma que produz as enzimas necess�rias para o crescimento dos animais n�o se expressa e todo o corpo entra em um estado semelhante � hiberna��o. Os batimentos card�acos ficam at� 50% abaixo do normal e outras 15 fun��es fisiol�gicas s�o alteradas, do controle da temperatura corporal � imunidade. Em seres humanos, v�rias pesquisas j� estabeleceram que a qualidade do relacionamento entre pais e filhos determina o equil�brio do sistema parassimp�tico (que controla o ritmo card�aco) anos depois. Em orfanatos onde internos n�o recebem afeto h� maior �ndice de mortalidade por doen�as comuns e atrofia cerebral irrevers�vel. Estudos brit�nicos e americanos apontam que a m�dia de tempo de sobreviv�ncia de idosos vi�vos � muito mais curta do que a de homens da mesma idade cuja esposa ainda est� viva, e o mesmo vale para pacientes em recupera��o de c�ncer de pr�stata. At� mesmo a companhia de animais de estima��o � comprovadamente um rem�dio para restabelecer o equil�brio. A favor da sa�de Est� havendo, ent�o, uma mudan�a de posicionamento pela classe m�dica? Renato Sabbatini nega. "Os m�dicos receitam placebos, como sempre receitaram, quando � a melhor alternativa para uma doencinha leve, que vai passar sozinha mesmo. Isso � feito h� s�culos, o pr�prio Hip�crates j� sabia disso. � um efeito terap�utico, pois o paciente n�o se conforma em sair do consult�rio sem uma receita." Marcelo Morales diz que sim, e que essa mudan�a precisa mesmo ocorrer. "Acredito que a ado��o de uma medicina complementar, e que � cientificamente eficaz, seja um procedimento s�bio. Algumas culturas, como as orientais, t�m conhecimento pleno do poder do equil�brio do organismo e praticam isso h� mil�nios. Assim, com a comprova��o cient�fica dos benef�cios que as terapias naturais proporcionam, � nosso dever adicion�-las como parte da chamada medicina tradicional. Quem tem a ganhar s�o os pacientes." Sem os bairrismos habituais, o desafio da medicina, agora, ser� jogar a favor do corpo humano. Seja com o m�todo que for. Medita��o: estresse ao controle da mente Quando o c�rebro emocional n�o est� funcionando bem, o cora��o sofre e se desgasta. Essa rela��o funciona em m�o dupla - o cora��o acaba por influenciar o nosso c�rebro tamb�m. Alguns cardiologistas e neurologistas chegam a se referir a um "sistema card�aco-cerebral", que n�o pode ser dissociado. A harmonia desse sistema pode ser obtida por um m�todo simples, com efeitos que incluem, at�, um retardo parcial do envelhecimento: a regula��o da coer�ncia card�aca. A coer�ncia n�o � um estado de relaxamento no sentido convencional. Ela n�o exige se retirar do mundo, mas balancear a resposta emocional mesmo em face de circunst�ncias exteriores menos do que ideais, usando t�cnicas tradicionais da ioga: aten��o, medita��o e relaxamento. Concentrar seu foco na respira��o, visualizar mentalmente o fluxo do ar dentro do corpo e tomar consci�ncia das rea��es do cora��o (temperatura e bem-estar) s�o os passos para deixar o sistema em harmonia. Na Universidade de Stanford, um estudo demonstrou que o m�todo reduz a incid�ncia de doen�as emocionais, al�m de ser um tratamento indicado para insufici�ncia card�aca. O sistema imunol�gico como um todo se beneficia. O estresse cr�nico produz ansiedade e depress�o, al�m de ter impactos negativos no corpo: ins�nia, rugas, press�o alta, palpita��es, dores nas costas, problemas epid�rmicos e digestivos, infec��es cr�nicas, esterilidade e impot�ncia sexual s�o alguns deles. Aprender t�cnicas de medita��o pode ajudar os praticantes a reduzirem tanto os efeitos psicol�gicos quanto os f�sicos, afirma pesquisa da Universidade West Virginia, nos EUA. A pr�tica tamb�m diminui a press�o sangu�nea pela redu��o da constri��o dos vasos e, em conseq��ncia, diminui o risco de doen�as cardiovasculares. Em maio deste ano, um relat�rio publicado pelo American Journal of Cardiology reporta que a medita��o transcendental aumenta a expectativa de vida e reduz o risco de morte por causas gerais em 23%. Se consideradas apenas as enfermidades card�acas, o n�mero sobe para 30%. Mortes por c�ncer s�o reduzidas em 49%. Para ler � "Curar", David Servan-Schreiber. S�. 2004 � "O Mist�rio da Consci�ncia", Antonio Damasio. Companhia das Letras. 2000 Revista GALILEU � 168 � Julho 2005 |
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| Olga Maria Mendon�a CNT:8103/PE |