Segundo pesquisas feitas pelo Centro Rhodia de Estudos Médicos Sociais em 1997, 80% das pessoas sofre de sintomas atribuídos à coluna vertebral, cujos males atacam homens e mulheres de todas as classes, em todos os países do mundo, trazendo-lhe dor e sofrimento.
    Ainda de acordo com as estatísticas mundiais, as dores que mais atacam os sofredores crônicos são: l
ombalgia, 65,9%; dores de cabeça, 60,2%; enxaqueca, 48,2%; dores de estômago, 43,2%; dores nas costas, 41,2%.
    A afirmação mais infeliz e completamente falsa sobre as dores crônicas, é a de que não existe qualquer tratamento eficaz para elas e que a pessoa precisa aprender a conviver com esse incômodo físico, fazendo uso constante de analgésicos e aintinflamatórios, e  tolerando seus efeitos colaterais indesejáveis, como doenças do estômago e fígado.
   Toda dor representa um bloqueio ao fluxo da vida; onde a dor se manifesta, o prazer deixa de existir. No entanto, é preciso lembrar que a dor é um aviso do nosso organismo, querendo nos informar de que algo não está bem. DOR é, por isso mesmo um importante mecanismo de defesa e de preservação da nossa vida. Esse é o papel da Dor Aguda, que precisa ser devidamente valorizada e interpretada, para que se possa procurar e eliminar a sua origem.
    Mas há situações em que o fenômeno dor não apresenta uma causa identificável, ou em que a causa já deixou de existir há muito tempo, mas a dor permanece, tendo se tornado por assim dizer independente e crônica.
    É a dor crônica que acaba com a qualidade de vida, limitando a movimentação, a agilidade, a atividade e o bem estar das pessoas.
DORES NAS COSTAS E DE CABEÇA

    A grande maioria das dores de coluna e de cabeça é decorrente do estresse do dia-a-dia, que ao se acumular, torna-se crônico. O corpo registra o estresse crônico na forma de rigidez em certos grupos musculares - face, nuca, ombros, região lombar e base da coluna, pernas e diafragma.
    Nossas costas parecem funcionar como uma grande antena parabólica, capaz de captar os nossos problemas e tensões, e descarregá-los sob a forma de rigidez muscular.
   Cada músculo contraído, bloqueia a circulação da energia vital debilitando o sistema imunológico, diminui a vitalidade e a resistência física, limitando a auto-expressão. Com o tempo a musculatura tensa vai exercendo pressão sobre a coluna vertebral, provocando o desalinhamento das vértebras, que perdem sua amplitude normal de movimentos, irritando ou pressionando os nervos locais e principalmente, causando desconforto corporal na forma de processos dolorosos como enxaquecas e dores de cabeça, lordose, escoliose, artritismo e artrose, bursite, torcicolos e cãimbras, distensões musculares, fibromialgia, dores no peito e ciática, cervicais, lombares, formigamento nas extremidades, etc.
TRATAMENTOS NATURAIS PARA
DORES CRÔNICAS
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Olga Maria Mendonça
CNT:8103/PE
"...por isso, em todas as civilizações, em todos os países e em todos os momentos históricos, tentou-se explicar o que é e porque sentimos a dor e a forma de combatê-la, daí por que ela foi o motivo mais importante e decisivo para o desenvolvimento da arte de curar" Prof. Antonio Ojugas, "A dor através da história e da arte"
     À medida que os avanços da ciência aumentam nosso tempo de vida e permite que sobrevivamos aos traumas provocados por acidentes de trânsito e doenças como o câncer ou a Aids, cresce o número de pessoas com dores na coluna, articulações, doenças reumáticas, degenerações ou inflamações nos órgãos internos e outros problemas que podem provocar dores crônicas.
Admite-se a prevalência das dores crônicas, em aproximadamente 30% da população em um país. Transpondo esses dados para o Brasil, teríamos aproximadamente 50 milhões de pessoas com dores crônicas.
      Calcula-se que sejam gastos por ano, nos Estados Unidos, cerca de 150 bilhões de dólares no tratamento das dores: em custos médicos, incluindo despesas médicas, diminuição da produtividade e de arrecadação.
Um estudo realizado pela Escola de Postura da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das  Clínicas/FMUSP, mostrou que, dores na coluna atingem entre 65% e 80% das pessoas com menos de 45 anos e são a principal causa de afastamento do trabalho. A pesquisa mostrou que, além das alterações corporais, a dor crônica afeta o paciente psicologicamente, provocando depressão e ansiedade. "A dor limita as ações no trabalho, e essa incapacidade traz problemas psicológicos", afirma o médico Carlos Alexandrino de Brito Júnior, coordenador da Escola de Postura.
O QUE É  DOR?

      Dor é uma sensação que surge quando há ameaça de dano aos tecidos. Senti-la é fundamental para manter a integridade do organismo. Quando um tecido é traumatizado ocorre liberação local de substâncias químicas, imediatamente detectadas pelas terminações nervosas, que disparam um impulso elétrico direcionado à parte posterior da medula espinal. Nessa região, um grupo especial de neurônios se encarrega de transmiti-lo para o córtex cerebral, área responsável pela cognição. Aí o impulso será percebido, localizado e interpretado.
      Com a finalidade de impedir que a dor persista mais tempo do que o necessário, os sinais que chegam ao cérebro e se tornam conscientes, vão estimular a liberação de substâncias chamadas endorfinas (por sua semelhança à morfina) e encefalinas, que inibem a propagação do impulso elétrico.
      O mecanismo de inibição da dor é tão importante para a sobrevivência do organismo, quanto o circuito responsável pela percepção dela. Se não fosse ele, a dor de um pequeno corte persistiria enquanto durasse o processo de cicatrização.
DORES  CRÔNICAS

A dor, tanto aguda como crônica tem recebido a atenção dos profissionais de saúde a milênios. Hipócrates na Grécia antiga, já referia que aliviar a dor é uma obra divina.
Existem diferenças básicas, quanto às dores agudas e crônicas. As agudas são de curta duração, tem finalidade biológica, servindo como sinal de alerta. As dores crônicas são as que persistem após a cura da lesão/fator desencadeador inicial e, não tem finalidade biológica de alarme, passando a  ser consideradas  como doença e não como sintoma. Geralmente são devidas a desordens do sistema responsável pela inibição da dor.
Pode ter havido um problema inicial - uma torção nas costas, uma infecção séria, ou pode haver uma causa em andamento - artrite, câncer, infecção auditiva, etc. Mas os sinais de dor continuam sendo disparados no sistema nervoso por semanas, meses, até por anos
“A dor  é uma doença crônica, como o são o diabetes, a hipertensão arterial e outras doenças que não curamos", diz a anestesista brasileira Suelane do Ouro, especialista em dores.
Reclamações comuns de dor crônica incluem dores de cabeça, dores na parte inferior das costas, dor de câncer, dor de atrites, dor neurogênica (dor resultante do dano de nervos periféricos ou do próprio sistema nervoso central), dor psicogênica (dor não relativa a doenças anteriores ou machucados ou qualquer sinal de dano dentro ou fora do sistema nervoso).
CONSEQUÊNCIA EMOCIONAIS  DAS DORES CRÔNICAS

"A dor é uma experiência íntima, privada, muito pouco compartilhável. É causa de isolamento, de desesperança, de tristeza", diz o psicoterapeuta especialista em dor João Figueiró.
      A dor crônica é uma doença debilitante com conseqüências nefastas para a condição física, psicológica e o comportamento. Seus portadores desenvolvem depressão, deficiências psicomotoras, aumento da irritabilidade, preocupação com o corpo e afastamento dos interesses externos, das pessoas mais próximas e apresentar incapacidade ocupacional.
      Outros sintomas comumente relatados são insônia, diminuição do desejo sexual e alteração do apetite. Um fato importante é que muitos desses pacientes podem ser relativamente não responsivos às medicações analgésicas.
A dor crônica freqüentemente exerce influência negativa na auto-estima e pode afetar a capacidade de uma pessoa realizar tarefas associadas à vida diária , ao trabalho e à sua função como membro da comunidade.
Ansiedade e depressão são observadas freqüentemente em pacientes com artrite reumatóide, lombalgia crônica e dor crônica no pescoço; fora isso, o grau de incapacidade associado à doença é fortemente influenciado pela atitude do paciente. Algumas entregam-se, resignadas, e se habituam com a previsão de sentir dor pelo resto de suas vidas.       Outras encaram a dor, procuram ajuda médica, combatem a dor, e muitas vezes a vencem, ou pelo menos minimizam sua dor a ponto de levarem uma vida bastante normal e emocionalmente equilibrada.
"Todo indivíduo com dor deve ter conhecimento dos recursos existentes para o seu tratamento e saber que ele tem o direito de ter esses recursos à sua disposição. A não existência dessa disponibilidade de recursos nos parece uma atitude absolutamente desumana", constata o psicoterapeuta especialista em dor João Figueiró.
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