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D e   L u z e s   e   d e   S o m b r a s


A lua que se exibe no céu pela manhã é de um amarelo pálido que resfria meus olhos febris. É uma lua estranhamente outra. Uma lua dos não-amantes.

Uma lua que não dormiu!

Cheia de si! Redonda do começo ao fim. Grávida dos sonhos do ontem. Ressentida. Amarelecida pelo amanhecer.

A lua da manhã não tem sabor de prata, tampouco ofusca o afeto. É mais um acessório do céu, que se brinda de seu todo-azul pintado à mão.

Alvas damas de companhia bailam tempestades enquanto a luz enluarada da manhã permanece imóvel num foco entorpecido e oculto.

Ninguém a vislumbra ante o clamor das torrentes celestes. Pela manhã, é mais uma a gritar, escurecida na luz de tanta luz!

Já não é a suposta-estrela-satélite que brilha, infinita, numa noite de sensação!

Morre à medida que o dia desperta seus acordes de manhã.

E a mesma donzela que há horas poucas arrebatava-se do brilho lunar e das curvas que ambas admitiam pro amor, acorda tão amarela e seca quanto a própria lua por quem suspirara!

Caminha a passos tão terrenos que nem lembra de olhar para a outra donzela agonizante no céu, estendida por piedade no topo de um prédio vizinho.

Lua e menina morrem no sonho do poeta, a espera da noite próxima, onde, enfim, amanhecerão seus anoiteceres de luzes e de sombras...

E mais uma lua perdeu-se no meu céu!

(Em 19 de Janeiro de 2003)

Roberta Tostes


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