A p a z e o m i s a n t r o p o
Solidão causticante lhe embaraça,
contudo, ele pensa ser um gozo
este silêncio lívido, horroroso,
que despedaça o tímpano e a vidraça.
Temendo toda gente, toda massa,
ele dá-se epitáfio vagaroso,
concluído num dia tão chuvoso
por singelo derrame lá na praça.
Quantas pessoas passam apressadas!
Somente as nuvens plúmbeas desembocam
as lágrimas que a ele são negadas.
Um estranho lhe envia um pensamento.
A paz e o misantropo enfim se tocam,
mas luz alguma flagra tal momento.
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