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O   p o e m a   d e   h o j e

 

Tua presença fez-se em minha mente;
Rompeu, inexorável, a barreira
Que arquitetara para que o afluente
De mim não desaguasse em cachoeira.

Meu olhar te mirara descontente
Porquanto te encontrou, bem verdadeira,
Negando um parco olhar a mim, doente,
Que, aflito, te buscara à Terra inteira.

Lugentes olhos cercam teu olhar;
Constantes eles são ao reclamar
A migalha do céu que tu ofertas.

Desisto vagamente de utopias,
De reter os risos que sorrias.
Eu sou daquelas almas já desertas.


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