A o p a i d a s o s t r a s
(para Marcelo Tosta 10 / XII / 1998)
Tão doce é correr estrelas!
Doce é tocá-las, é vê-las
nos sonhos em profusão.
Todas elas, ao meu lado,
vêm-me trazer o pecado
na forma de contrição.
Doces são esses teus olhos
que vêm banhados com óleos
de sagrada inspiração.
Quero retirar das lavras
que são as tuas palavras
os sonhos que me virão.
Cada ato, cada cena
dessa vida é um poema
perdido na viração.
Do proscênio à ribalta
tua vida verde salta;
vermelhos, teus sonhos vão...
Das ostras que pelos mares
ou rios tu espalhares
(filhas de padre elas são!)
as histórias quero ouvir.
Com as ostras desejo ir
conduzido pela mão.
Ouvir tuas filhas nuas
segredando-me, nas ruas,
alguma suave canção
é ver que o teu vasto orgasmo
e com isso é que eu me pasmo
semeia a tua criação.
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