N o e s p e l h o d o r e l i c á r i o
(ao amigo maluco Marcelo Tosta
o título e o poema)
Eu cansei de ser um personagem secundário,
E justo dentro desta minha própria vida!
Já me cansei de ter a essência corroída
Sempre por mim, em meu espírito sectário.
Não mais desejo eu habitar meu relicário,
Já tão vazio de meu rosto e da querida
Lembrança física de um tempo em que ferida
Era somente um anormal vocabulário.
O que é tristeza e o que é meu peito eu já
não sei.
O meu sorriso é tão sincero quanto a lei
Que, nos meus olhos, rege límpida maré.
Há secas lágrimas, furtivas esta noite!...
Desde a epigênese que sofro este açoite:
Estou sozinho desde a Arca de Noé.
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