
Primavera em valsa de Strauss.
"
Voy a camino de la tarde, entre flores de la huerta, dejando sobre el camino
el agua de mi tristeza". Garcia Lorca.
Quem não tem recordações de Primavera? Da casa do meu
pai, lembro que ele colocava uma valsa de Strauss na velha eletrola e convidava-me
para dançar. Então, rodopiávamos felizes, no embalo da
música, enquanto minha saia godê voava feito ondas do Danubio
Azul... Na juventude, sentia-me como borboleta saltitante, inundando de dourado
as minhas descobertas. Casada, lembro-me dos passeios com nossa filha aos
parques e carroséis, onde ela aprendeu a rir em cascatas cristalinas.
Além disso haviam os tangos que dançava com o meu marido, com
aqueles passos de "show" que invariávelmente errávamos
e caíamos em gargalhadas...
O tempo passou e resta-me cuidar das minhas Artes e do jardim para que ele
esteja florido a partir de setembro para o enlevo de todos que fazem parte
do meu bem-querer. Gosto de florir a casa, de preferência com crisântemos
amarelos, exuberantes de alegria. E na entrada do jardim cultivo sempre amores
perfeitos, homenageando meus pais.
Lembro especialmente de Paris em plena primavera, quando lá estive.
No Parque onde fica a Torre Eyfell, as pessoas repousavam deitadas ou sentadas
na grama, na maior cumplicidade amorosa. E os turistas acotovelando-se, em
fila, para subir na torre e apreciar Paris ao acender das luzes. Para mim,
Paris será lembrada como eterna primavera por causa de Renoir, Monet
e tantos outros pintores impressionistas que a imortalizaram.
Aguardo setembro numa expectativa de que algo novo possa
acontecer e inebriar minha vida de surpreendente alegria e muito amor. E,
quando falo de amor, refiro-me a sua amplitude e não apenas o de um
homem e uma mulher.
Primavera dá vontade de ler e escrever poesias, de ser melhor como
pessoa, de ajudar a quem precisa e procurar a felicidade onde ela estiver.
Dá vontade de andar pelas ruas, ouvir trinados dos pássaros,
conhecer gente, desarmar espíritos, cultivar o amor ao próximo
e inundar as praças de músicas, cores e alegria.
Dá vontade de despertar sorrisos, de rir muito, cantar e esquecer tudo
o mais que possa nos entristecer. E se não formos às pracinhas,
às orlas maravilhosas do Guaíba, que seja nos shoppings, onde
as vitrinas deverão estar luminosas de cores e repletas de flores,
além de um bistrô com seu piano de cauda encantando a multidão
com música, a divina música da estação do amor.
De repente, parece que ouço um convite:
- Quer dar-me a honra de sua companhia para uma taça de champanha com
morangos, ao som de uma valsa de Strauss?
- Certamente, respondo. Depois, bailaremos por entre as mesas e a minha saia
azul esvoaçante tomará a forma de pássaro como num belo
sonho em campos de multicoloridas flores de primavera...
Tenini